Leucócitos: o que são e para que servem
Os glóbulos brancos são um dos constituintes do sangue e atuam no sistema imunitário. Ter leucócitos a mais ou a menos está associado a várias doenças.
O sangue é composto por três tipos de células, além do plasma (fluido amarelado que representa cerca de 55 % do seu volume):
- Hemácias, glóbulos vermelhos, ou eritrócitos;
- Plaquetas, ou trombócitos;
- Leucócitos, ou glóbulos brancos.
Enquanto os glóbulos vermelhos são responsáveis pelo transporte de oxigénio para os tecidos e as plaquetas atuam na coagulação do sangue, como no caso de feridas, os leucócitos estão ligados ao sistema imunitário, nomeadamente na defesa contra infeções.
Ter um nível baixo de glóbulos brancos está associado a várias condições médicas e aumenta o risco de outras doenças, mas ter leucócitos altos também tem consequências para a saúde. Explicamos o que são os leucócitos, qual a sua função e quais os riscos de ter níveis abaixo ou acima do normal.
O que são leucócitos?
Os leucócitos são um tipo de células do sangue que têm núcleo, ao contrário dos glóbulos vermelhos, e não contêm hemoglobina, que dá a cor vermelha ao sangue, daí serem conhecidos como glóbulos brancos. O seu volume no total do sangue é muito baixo em relação aos glóbulos vermelhos e plaquetas, uma vez que a sua função de defesa do organismo não está constantemente a ser desempenhada.
Os leucócitos são produzidos na medula óssea a partir de células-tronco hematopoiéticas, que podem transformar-se em qualquer das células sanguíneas. Como têm um tempo de vida curto, um a três dias, estão constantemente a ser produzidos, sendo os níveis regulados pelas necessidades de órgãos como o fígado, o baço ou os rins.
Sabia que…
Apesar de representarem apenas 1 % do sangue, a maioria das pessoas produz cerca de 100 mil milhões de leucócitos por dia.
Quais as funções dos leucócitos?
A principal função dos leucócitos é a defesa do organismo contra agentes patogénicos, combatendo infeções. Assim, existem cinco subtipos de leucócitos, com diferentes papéis no combate a doenças e infeções:
- Neutrófilos;
- Eosinófilos;
- Basófilos;
- Linfócitos;
- Monócitos.
Os glóbulos brancos circulam no sangue junto com os outros constituintes. Quando uma ameaça é detetada, estas células conseguem sair dos vasos sanguíneos junto ao local da infeção, enviam sinais para outros leucócitos se juntarem e, em grande grupo, funcionam como um exército, produzindo anticorpos que se ligam ao organismo invasor, destruindo-o.
Sabia que…
À resposta imunológica extrema a uma infeção grave, dá-se o nome de sépsis.
No diagnóstico da sépsis é avaliado o aumento ou redução do número de leucócitos no sangue.
Leucocitose (leucócitos altos): causas, sintomas e tratamentos
Chama-se leucocitose à subida dos níveis de glóbulos brancos, quando existem mais de 11.000 leucócitos por microlitro (μl) de sangue.
Causas
A leucocitose pode acontecer quando o organismo está a combater uma ameaça, como uma infeção, sendo detetada em análises laboratoriais. No entanto, a leucocitose pode estar associada a outras doenças ou distúrbios que levam a uma produção excessiva de glóbulos brancos, por vezes graves.
Além de infeções, inflamações ou alergias, a leucocitose pode surgir em caso de:
- Stress físico excessivo (como um ferimento ou uma cirurgia), ou emocional;
- Queimaduras;
- Doenças autoimunes, como lúpus ou artrite reumatoide;
- Distúrbios da tiroide;
- Cáries nos dentes;
- Medicamentos como lítio, corticosteroides e beta-antagonistas;
- Remoção do baço;
- Efeitos de fumar;
- Obesidade.
Causas menos comuns, e frequentemente mais graves, de leucocitose, são:
Sintomas
Os leucócitos altos manifestam-se de diferentes formas, podendo variar entre o simples desconforto associado a uma infeção a outros sintomas mais graves, associados a leucemia ou linfoma. Os sinais a estar atento para procurar um médico assistente são:
- Febre;
- Fadiga;
- Dores;
- Dificuldade respiratória;
- Pieira;
- Erupção cutânea;
- Suores noturnos;
- Perda de peso inexplicável.
Tratamento
Tal como as causas da leucocitose, o tratamento varia em função da causa para o aumento dos glóbulos brancos. Os níveis também podem voltar ao normal sem intervenção, mas, em caso de diagnóstico e necessidade de tratamento, a abordagem à leucocitose pode passar por:
- Anti-inflamatórios;
- Antibióticos;
- Fluidos intravenosos;
- Leucaférese, a retirada de sangue para extração dos leucócitos e nova reposição do sangue.
Leucócitos baixos: causas e potenciais consequências
A descida dos valores de leucócitos abaixo dos 4.000 por microlitro (μl) de sangue chama-se leucopenia.
Causas
A leucopenia pode ter diferentes causas, incluindo infeções mais graves, que afetam o número de leucócitos, mas principalmente condições envolvendo a medula óssea e a produção destes glóbulos. As principais razões para a leucopenia incluem:
- Infeções virais como VIH e hepatite;
- Medicação para tratamento de cancro;
- Doenças que afetam a medula, como leucemia, síndromes mielodisplásicas ou anemia aplástica;
- Fármacos para tratar tiroide hiperativa;
- Doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide (as mesmas da leucocitose);
- Deficiências nutricionais, como de vitamina B12;
- Medicamentos antipsicóticos.
Sintomas
A leucopenia está associada a alguns sintomas distintos da leucocitose, caracterizados pela fraca resposta imunitária do organismo. Alguns sinais de leucócitos baixos são:
- Febre e arrepios;
- Úlceras na boca;
- Manchas vermelhas ou brancas na pele.
Sinais de infeção como:
- Garganta inflamada;
- Tosse ou dificuldade em respirar;
- Dor a urinar ou mau odor na urina;
- Corrimento vaginal ou comichão;
- Diarreia;
- Pus em cortes ou feridas.
Consequências e tratamento
O principal risco da leucopenia é o de contrair infeções mais facilmente, as chamadas infeções oportunistas, tendo o organismo também mais dificuldade em combatê-las. Quando a leucopenia está associada a doenças como cancro, hepatite ou doenças autoimunes, as consequências dependem essencialmente do tratamento para essas causas e da capacidade de resposta do organismo a essas doenças. Por outro lado, sendo os glóbulos brancos essenciais ao sistema imunitário, em doenças como cancro, é comum tratar os leucócitos baixos antes de iniciar o tratamento dessa causa. Outras formas de tratamento passam por antibióticos para infeções, reposição nutricional com vitaminas, transfusão sanguínea ou transplante de células estaminais.
Leucócitos na urina: o que pode indicar?
Além da contagem baixa ou elevada de leucócitos no sangue, estes podem surgir também em análises de urina. Normalmente, isso está associado ao combate a infeções, uma vez que a medula produz normalmente glóbulos brancos em excesso nessa situação. Essas infeções podem passar rapidamente ou ser debeladas com tratamento ligeiro, como acontece nas gripes. Existem, no entanto, outras causas, mais graves ou não, que obrigam a tratamento específico:
- Infeções urinárias: quando o foco de infeção é o sistema urinário, é normal o aparecimento de leucócitos na urina durante a doença. O tratamento pode envolver a utilização de antibióticos;
- Cálculos renais: as chamadas pedras nos rins são outra causa de infeção que provoca o aparecimento de glóbulos brancos na urina. Pode tratar-se de um cálculo mais pequeno, que sai com maior hidratação ou medicação para relaxar o ureter. Outros tratamentos passam por ondas de choque para quebrar a pedra em pedaços mais pequenos, laser através de endoscopia ou uma pequena cirurgia para pedras maiores;
- Inflamação: alguns tipos de inflamação mais grave, por vezes, crónica, nem sempre associadas a infeções, podem afetar a bexiga ou os rins, levando à presença de leucócitos na urina. As principais são a cistite, na bexiga, e a nefrite intersticial, nos rins. O tratamento passa por antibióticos para infeções e corticosteroides para outras causas;
- Cancro: é mais raro, mas a presença de leucócitos na urina pode dever-se a leucemia ou linfoma, que necessita de um tratamento mais complexo;
- Piúria estéril: por vezes, há a presença de glóbulos brancos na urina sem haver uma infeção ou outra doença causadora, chamando-se a essa situação piúria estéril. Pode ter origem em doenças sexualmente transmissíveis presentes no organismo, como herpes, HPV, gonorreia ou clamídia. A piúria estéril também se pode dever à introdução anterior de um cateter no trato urinário, para um tratamento ou cirurgia, e a determinados medicamentos, como penicilina, ácido acetilsalicílico (ou, como é vulgarmente conhecido, Aspirina®), anti-inflamatórios não esteroides ou diuréticos.
Valores de referência dos leucócitos
Os níveis de glóbulos brancos no sangue podem variar de pessoa para pessoa, em função de infeções e doenças ou situações como a gravidez. Em situações normais, a contagem também pode ter valores bastante distintos, existindo uma grande amplitude entre o limite mínimo e o máximo, sendo esse intervalo habitualmente considerado normal entre 4.000/4.500 e 11.000 leucócitos por microlitro (μl) de sangue.
Para cada subtipo de glóbulos brancos também existe um intervalo considerado normal em termos de percentagem, sendo necessário avaliar alterações, mesmo que no total os leucócitos estejam dentro da margem. Os intervalos para os diferentes leucócitos são:
- Neutrófilos - 54 % a 62 %
- Eosinófilos - 1 % a 3 %
- Basófilos - 0 % a 0,75 %
- Linfócitos - 25 % a 33 %
- Monócitos - 3 % a 7 %
No caso das crianças, os valores de leucócitos são bastante superiores à nascença, baixando depois gradualmente com o passar dos anos e estabilizando durante a adolescência. Também as mulheres grávidas têm níveis de glóbulos brancos elevados, principalmente no terceiro trimestre.
Sabia que…
A Hematologia é a especialidade médica que lida com doenças de sangue.
Administração Central do Sistema de Saúde, fevereiro de 2026
American Family Physician, fevereiro de 2026
Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, fevereiro de 2026
Cleveland Clinic, fevereiro de 2026
Mayo Clinic, fevereiro de 2026
NHS, fevereiro de 2026
MD.Saúde, fevereiro de 2026
Physiopedia, fevereiro de 2026
WebMD, fevereiro de 2026