Artrite reumatoide

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

De causa desconhecida, a artrite reumatoide é uma doença reumática inflamatória que se manifesta sob a forma de uma poliartrite (definida pelo envolvimento de três ou mais articulações), bilateral (afeta articulações nos dois lados do corpo), simétrica (atinge as mesmas articulações dos dois lados do corpo), progressiva, destrutiva e deformante. Esta evolução culmina, após 10 a 20 anos de evolução da patologia, em particular nos pacientes com resposta parcial aos tratamentos, em algum grau de incapacidade motora.

Em Portugal, a artrite reumatoide é a doença reumática inflamatória mais prevalente, atingindo cerca de 0,3% a 0,4% da população portuguesa.

A sua apresentação clínica é variável, com um início da doença de forma aguda ou lenta, ou entre estes dois extremos, de forma subaguda. O início lento ou gradual é mais frequente (cerca de 2/3 dos casos), enquanto um início agudo é menos comum. Começa predominantemente como uma doença articular, com uma ou várias articulações afetadas, mais frequentemente as pequenas articulações das mãos e dos pés, de forma bilateral e simétrica, podendo, no entanto, manifestar-se de início como uma doença extra-articular ou com uma apresentação não articular, ou ainda predominantemente geral, com dores articulares inflamatórias ou musculares difusas.

No quadro articular há frequentemente, desde o início da doença, fadiga, anorexia, perda de peso e febre baixa. Noutros casos, meses antes do surgimento do quadro de poliartrite, pode ocorrer fadiga isolada ou dor difusa não específica, acompanhada de doença pulmonar.

A sua causa é desconhecida, estando contudo identificados vários fatores de risco, como as infeções, a genética e as alterações hormonais. Trata-se de uma doença autoimune, o que significa que as defesas do organismo atacam os seus próprios tecidos. A artrite reumatoide pode ocorrer em qualquer período da vida mas é mais comum na meia-idade. O género do indivíduo afeta a suscetibilidade para a doença, de tal forma que esta é cerca de duas a três vezes mais frequente nas mulheres.

O seu diagnóstico é realizado pelo reumatologista e outros clínicos com experiência na observação destes doentes, de forma imediata e “à entrada do consultório”, a partir de uma rápida observação das mãos, que apresentam deformações articulares típicas.

De facto, as mãos de um doente reumático oferecem tanta informação em relação à sua doença que podem ser consideradas o seu cartão-de-visita. No entanto o diagnóstico do seu quadro precoce e inicial, bem como as suas formas atípicas, são um desafio. Uma vez que não existe um único teste clínico, radiológico ou serológico que permita o diagnóstico conclusivo, este é realizado a partir da conjugação clínica (sinais e sintomas característicos), bem como de dados laboratoriais e radiológicos. Se bem que em alguns doentes todos os testes podem estar normais.

É uma patologia que exige tratamento ao longo de toda a vida, incluindo o recurso a medicamentos, fisioterapia, exercício e cirurgia. Importa igualmente avaliar a presença de alergias alimentares e procurar obter uma dieta equilibrada, rica em ácidos ómega-3. Dentro dos fármacos, existem diversas classes que podem ser utilizadas em função do estado clínico de cada paciente. Quanto mais precoce for o tratamento da artrite reumatoide mais se conseguirá retardar a destruição articular.

Não há informação sobre como prevenir a artrite reumatoide, já que esta doença resulta da conjugação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais. No entanto, o diagnóstico e tratamento precoces, bem como a adoção de medidas não farmacológicas, são fundamentais na prevenção de complicações da AR. O factor cuja associação está confirmada com a doença é o tabagismo- inúmeros estudos identificam o consumo de tabaco com o aumento do risco e aumnmento da gravidade da artrite reumatóide.

Fontes:
  • National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine
  • Medscape Reference (http://emedicine.medscape.com)
  • Sociedade Portuguesa de Reumatologia