Vulvovaginite: o que é, sintomas e tratamento

Bebés e crianças
Saúde da mulher
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A vulvovaginite pode surgir nas mulheres de qualquer idade e, apesar de causar dor e desconforto, é tratada com facilidade.

Os órgãos genitais são sensíveis a diferentes tipos de influência como variações hormonais, presença de microrganismos, contacto com a roupa e até stress. São frequentes as situações de desconforto, inflamação e infeções, como as infeções urinárias e as vulvovaginites, que podem surgir desde o nascimento, sendo o principal motivo para a procura de consulta de Ginecologia no caso de crianças e adolescentes.

 

O que é a vulvovaginite?

A vulvovaginite é uma inflamação ou irritação que ocorre na mucosa da vagina e da vulva, podendo estar associada a uma infeção ou ter outra causa, por vezes não identificada. Quase todas as mulheres apresentam um episódio de vulvovaginite pelo menos uma vez na vida, podendo ser mais frequente, dependendo da repetição da causa ou de maior predisposição. Nas formas mais ligeiras, a vulvovaginite é comum em mulheres jovens antes ou durante a adolescência, diminuindo com a puberdade devido à maior produção de estrogénio e voltando de novo a aumentar após a menopausa.

 

Diferença entre vulvovaginite e vulvite

A inflamação da vulvovaginite ocorre na vulva, a parte exterior dos genitais femininos - composta principalmente pelos lábios vaginais e pelo clitóris -, e na vagina, o canal que liga a vulva ao colo do útero. Quando essa irritação ou infeção se manifesta apenas na vulva tem o nome de vulvite. Também pode ocorrer apenas na vagina, chamando-se vaginite.

 

Sintomas da vulvovaginite

Os sintomas mais comuns de vulvovaginite são:

  • Inchaço e vermelhidão genital;
  • Comichão, prurido;
  • Ardor a urinar;
  • Corrimento vaginal com cor e mau odor;
  • Dor durante relações sexuais;
  • Sangramento vaginal;
  • Arrepios ou febre;
  • Dor pélvica.

 

O ardor e a dor pélvica são normalmente mais intensos à noite. O aparecimento de arrepios ou febre podem ser indicadores de infeção mais grave ou de outra causa sendo necessária avaliação médica.

 

Causas de vulvovaginite

Existem dois grupos de razões para uma mulher ter uma vulvovaginite. Por um lado, as infeções, de vários tipos e frequentemente devido a desequilíbrio da flora vaginal; por outro, causas não associadas a agentes patogénicos e em que a inflamação é identificada sem que seja conhecida a origem. As principais causas de vulvovaginite são:

 

Infeções fúngicas

A vagina contém normalmente diferentes tipos de microrganismos, bons e maus. Quando há um desequilíbrio na proporção de microrganismos não saudáveis, surgem infeções como a candidíase ou a vaginose bacteriana, que têm a vulvovaginite como consequência possível. Nas crianças, é também comum a vulvovaginite provocada pela infeção com lombrigas.

 

Infeções sexualmente transmissíveis

A tricomoníase, provocada pelo parasita thricomonas vaginalis, é uma doença sexualmente transmissível que causa vulvovaginite.

 

Desequilíbrios hormonais

Baixos níveis de estrogénio, nomeadamente no caso de crianças ou mulheres depois da menopausa, podem levar ao enfraquecimento e secura da vagina e da vulva, aumentando o risco de vulvovaginite. Outras situações de desequilíbrio hormonal também associadas ao problema são a gravidez, o pós-parto, a amamentação, ter retirado os ovários ou tomar medicação para cancro ou endometriose.

 

Químicos

Detergentes, amaciadores, desodorizantes, loções, toalhitas, sabonetes perfumados e banhos de espuma podem causar irritação vulvar e vaginal, dependendo da sensibilidade de cada mulher. O mesmo acontece com espermicidas, lubrificantes e sprays vaginais.

 

Medicamentos e doenças

A toma de antibióticos ou esteroides, a toma da pílula e o uso de dispositivo intrauterino são outras causas possíveis, bem como a presença de doenças como diabetes - principalmente não controlada - ou doenças da tiroide e endócrinas.

 

Roupa

A utilização de roupa apertada, nomeadamente roupa interior, peças de roupa não absorventes ou outras peças de roupa interior com má higiene também potencia o aparecimento de vulvovaginite.

 

Vulvovaginite é grave?

Normalmente, não se trata de uma situação grave, apesar do desconforto causado. Mesmo no caso de infeções, a melhoria dos sintomas ocorre ao fim de duas semanas. Situações recorrentes não significam que se trate de um problema mais grave, mas pode demorar mais tempo, três a seis meses, a curar. Nalguns casos muito ligeiros, a vulvovaginite pode mesmo passar sem tratamento, mas na maioria das vezes requer cuidados médicos.

 

Diagnóstico de vulvovaginite

Mais do que identificar a vulvovaginite, o ginecologista procura encontrar a causa, de forma a definir o tratamento. Além da observação, são feitas perguntas sobre o historial médico e a vida sexual, mas também relacionadas com outras razões para a doença, como um novo detergente. Pode ser necessário recolher uma pequena amostra do corrimento vaginal para ser analisada em laboratório, para melhor identificar a causa.

No caso de pessoas que já tenham sofrido uma vulvovaginite e que consigam identificar bem os sintomas, é possível avançarem sozinhas para o tratamento. No entanto, qualquer alteração nos sintomas, na sua intensidade ou duração, deve ser sempre verificada com o ginecologista.

 

Tratamento de vulvovaginite

Identificado o problema e, quando possível, a causa, o tratamento incide principalmente na origem da vulvovaginite. Esse tratamento pode envolver:

  • Cremes ou supositórios vaginais, para infeções fúngicas;
  • Antibióticos orais ou em creme para vaginose bacteriana ou tricomoníase;
  • Tratamento para secura vaginal;
  • Creme à base de cortisona;
  • Anti-histamínicos;
  • Estrogénio;
  • Evitar o contacto com agentes irritantes;
  • Medidas de higiene recomendadas pelo médico.

 

Prevenção da vulvovaginite

Existem várias medidas para evitar o aparecimento da vulvovaginite, muitas relacionadas com os hábitos de higiene, que também devem ser usadas durante o tratamento da inflamação ou infeção. Trata-se essencialmente de prevenir o contacto com agentes irritantes ou o desequilíbrio microbiano. As principais ações passam por:

  • Manter os níveis de açúcar controlados em caso de diabetes;
  • Manter a zona genital limpa e seca;
  • Evitar sabonetes principalmente perfumados;
  • Tomar banho em água morna, não quente;
  • Evitar o duche vaginal, que afasta as bactérias saudáveis;
  • Evitar sprays, perfumes ou pós nos genitais;
  • Usar pensos higiénicos em vez de tampões;
  • Usar roupas confortáveis e evitar collants;
  • Preferir roupa interior de algodão em vez de tecidos sintéticos;
  • Limpar bem a zona genital após as dejeções;
  • Praticar sexo seguro e preferir o preservativo;
  • Consultar um médico ginecologista e fazer exames todos os anos.

 

Vulvovaginite infantil: sintomas, causas e tratamento

Nos bebés e crianças do sexo feminino, a vulvovaginite é uma situação bastante comum, causada pelo facto de não terem ainda as hormonas desenvolvidas que ajudam a proteger a vulva e a vagina. Nos bebés, a utilização de produtos para limpar os genitais e a sujidade da fralda, além do “efeito de estufa” que esta provoca, também podem contribuir para a vulvovaginite.

Por outro lado, como nas crianças não se trata habitualmente de uma infeção, os sintomas são mais ligeiros, facilitando o tratamento. Frequentemente, não é necessário consultar um pediatra, mas caso os sintomas sejam graves ou diferentes do habitual, é importante procurar aconselhamento médico, na medida em que a vulvovaginite pode, nalgumas situações, ser provocada por lombrigas, pela presença de um objeto na vagina ou pela sinéquia dos pequenos lábios (em bebés pequenos, quando existe pouca abertura vulvar).

O tratamento da vulvovaginite infantil passa pela limpeza da zona genital, por uma higiene cuidada, pela colocação de roupas mais largas, e por evitar produtos irritantes, como sabonete, perfume ou cremes não recomendados pelo médico. Para ajudar a aliviar a inflamação e a comichão, pode ser usada uma pomada pediátrica à base de óxido de zinco.

A vulvovaginite pode surgir desde o nascimento até à puberdade, pelo que é importante ensinar as meninas, assim que conseguem aprender, a ter uma higiene cuidada após as dejeções, a tomar banho tendo cuidado com a zona genital, e a evitar produtos ou roupa que possam provocar a inflamação na vulva e na vagina.

 

Sabia que...

Segundo o portal MedlinePlus, quando uma criança apresenta vulvovaginites frequentemente, uma das causas que deve ser investigada é a possibilidade de ser alvo de abusos sexuais.

Fontes:

Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, 2026

Cleveland Clinic, 2026

Ginepedia, 2026

MedlinePlus, 2026

NHS, 2026

Sociedade Portuguesa de Pediatria, 2026

WebMD, 2026

Publicado a 02/06/2026