Vulvite

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A vulvite não é uma doença em si mesma mas uma inflamação das pregas cutâneas da vulva, que corresponde à região mais externa dos órgãos genitais femininos. Essa inflamação pode resultar de uma infeção, alergia ou lesão.

A vulva é especialmente suscetível a processos inflamatórios, dada a sua localização exterior, a sua humidade e temperatura. Este tipo de perturbação, tal como inúmeras outras afeções dermatológicas, apresenta um importante impacto funcional, estético e psicológico.

Em muitos casos, a causa é desconhecida. Embora o prurido, a dor e o desconforto durante as relações sexuais sejam os sintomas mais comuns, em caso de doença mais grave ou prolongada podem surgir complicações como disfunção sexual, distúrbios da micção ou mesmo malignização.

As mulheres de qualquer idade podem ser afetadas por uma vulvite. As raparigas mais jovens, antes da puberdade, ou na fase pós-menopáusica apresentam um risco mais elevado, dados os menores níveis de estrogénios que tornam os tecidos da região vulvar mais finos e secos. No entanto, são condições de um modo geral fáceis de abordar e tratar.

Os seus principais sintomas são um prurido intenso, com sensação de queimadura da região vulvar, ocorrência de secreção, lesões na pele com vermelhidão, inchaço, formação de bolhas ou descamação. Estas queixas podem corresponder a outras doenças dos órgãos genitais, pelo que é fundamental uma avaliação médica completa.

Pode ser causada por diversos fatores, como o uso de toalhetes perfumados, espuma de banho ou sabonete, uso de sprays vaginais, irritação causada pela água de piscina ou jacuzzi, alergia a espermicidas ou papel higiénico, uso de roupa interior sintética, uso prolongado de fato de banho, andar de bicicleta ou a cavalo, infeções por fungos ou bactérias, herpes, eczema ou dermatite.

A história clínica e o exame são muito importantes. Podem ainda ser relevantes testes laboratoriais que permitam excluir outros tipos de doenças.

O tratamento passa pela identificação de eventuais substâncias que possam ser o fator de irritação/agressão de modo a que passem a ser evitadas. O uso de cremes com corticoides, anti-histamínicos ou estrogénios pode permitir o alívio das queixas mas devem ser sempre prescritos pelo médico.

De facto, o adelgaçamento do revestimento interno vaginal depois da menopausa (vaginite atrófica) trata-se com uma terapia substitutiva de estrogénios que podem ser administrados por via oral, mediante um emplastro cutâneo ou aplicados diretamente na vulva e na vagina.

Se a secreção for normal, as lavagens frequentes com água podem reduzir a sua quantidade. No entanto, uma secreção provocada por uma vaginite requer um tratamento específico, de acordo com a sua causa. Se for uma infeção, o tratamento consiste na administração de um antibiótico, de um antifúngico ou de um antivírico, conforme o tipo de agente.

Além de um antibiótico, o tratamento de uma infeção bacteriana pode incluir geleia de ácido propiónico, de modo a aumentar a acidez das secreções vaginais, o que inibe o crescimento das bactérias. Nos casos de transmissão sexual, ambos os membros do casal devem ser tratados em simultâneo, de modo evitar-se um novo surto.

Outras medidas complementares incluem o uso de roupas largas e absorventes que permitam a circulação do ar, como a roupa interior de algodão, bem como manter os órgãos genitais devidamente limpos.

Por vezes, colocar gelo sobre a vulva, um banho de imersão frio ou aplicar compressas frias reduz a dor e a comichão.

A prevenção é possível mediante a utilização de produtos de limpeza suaves, uma secagem adequada após o banho, não utilizar soluções perfumadas, preferir roupa interior de algodão, não muito apertada, e não manter muito tempo em contacto com a região vulvar roupa molhada (após natação ou exercício físico).

Fontes

The Cleveland Clinic Foundation, 2012

Ermelindo Tavares e col., Dermatoses Vulvares Inflamatórias, Revista da SPDV 69(4) 2011

Andréa Marta Ferrian e col, Vulvovaginites em crianças e adolescentes: uma revisão qualitativa, Perspectivas Médicas, 18(1): 33-38, jan. / jun. 2007

The Johns Hopkins University, 2013-10-29

Drugs.com, 2013-10-29

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