Endometriose

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

O endométrio é uma das camadas que constitui o útero e corresponde ao seu revestimento interno. Durante o ciclo menstrual, é regenerado ciclicamente através de um processo de descamação. Esta corresponde à menstruação e permite a renovação de todos os elementos do seu tecido.

A endometriose é a designação dada ao processo clínico no qual as células que constituem o endométrio se encontram fora da sua localização normal, por exemplo no peritoneu pélvico, nos ovários, na bexiga, no apêndice, intestinos ou, até, no diafragma.

Para além destas formas, que se manifestam na cavidade abdominal, pode, embora mais raramente, afetar órgãos mais distantes, como o pulmão, o nariz ou a pele.

A prevalência da endometriose é de cerca de 10% na população em idade reprodutiva. Nas mulheres com infertilidade, essa prevalência aumenta para cerca de 25% a 45%.

Em 80% dos casos a dor é a sua principal manifestação. Em 20% das situações, associa-se à infertilidade podendo também ser, embora mais raramente, assintomática.

A dor da endometriose é muito incapacitante e tem um forte impacto nos diversos aspetos da vida da mulher. A sua forma de apresentação é muito variável e depende da gravidade da doença e da localização dos focos de endometriose. Essa dor pode surgir associada à menstruação e, inicialmente, cede ao tratamento com anti-inflamatórios ou com a pílula. À medida que se torna mais intensa deixa de responder ao tratamento. Noutros casos, a dor manifesta-se durante as relações sexuais (dispareunia).

Em função da sua localização, a dor é distinta: pode ocorrer na região pélvica ou pode surgir sob a forma de cólicas intestinais, sobretudo durante a menstruação, associando-se a diarreia ou, mais raramente, a obstipação. Se afetar a bexiga, a dor surge durante a micção, podendo ocorrer perda de sangue na urina (hematúria). As hemorragias retais (retorragias) ocorrem quando a endometriose invade a mucosa retal. Se ela estiver presente nos ureteres, pode ocorrer falência irreversível da função renal. Muitas mulheres referem também menstruações abundantes.

É importante salientar que quando não é diagnosticada e tratada, tem tendência a progredir, invadindo outros tecidos. Por outro lado, parece existir uma correlação entre esta patologia e o carcinoma de células claras do ovário, o que reforça a necessidade de um diagnóstico e tratamento precoces. A infertilidade é outras das suas manifestações e resulta da invasão e oclusão das trompas pelo tecido endometrial.

A origem da endometriose ainda não é plenamente conhecida e é, por isso, motivo de controvérsia.

A menstruação retrógrada através das trompas, fenómeno normal em muitas mulheres, pode facilitar a implantação de tecido do endométrio na zona pélvica e, por isso, é um dos mecanismos aceites para o desenvolvimento da doença. Por outro lado, admite-se também como possível a influência de fatores genéticos, hormonais (níveis elevados de estrogénios), raciais (risco mais elevado em mulheres caucasiana), ambientais (substâncias tóxicas, como as dioxinas) ou sociais (stress).

A história clínica e o exame médico são importantes no seu diagnóstico mas, na ausência de endometriomas (lesões localizadas de endometriose), são poucos os métodos de diagnóstico não invasivos capazes de detetar a doença. Desses, a ecografia e a ressonância magnética são os mais eficazes.

Consoante as queixas e a  sua localização, pode ser necessário efetuar uma cistoscopia, rectosigmoidoscopia, um clister opaco ou uma tomografia computorizada. Contudo, o método ideal é a laparoscopia. Só através desta técnica se consegue obter um diagnóstico completo.

Não sendo possível curá-la, o tratamento deve ser orientado para o alívio da dor e dos outros sintomas, aumentar as possibilidades de gravidez e reduzir os seus focos. O tratamento cirúrgico consiste na remoção dos focos por laparoscopia. Sempre que possível, tenta-se eliminar apenas esses pontos. Se tal não for viável, como sucede nas formas mais extensas, a cirurgia implicará a excisão dos órgãos pélvicos afetados.

Em alguns casos, é possível recorrer ao tratamento por laparoscopia, com laser.

No que se refere ao tratamento médico, ele consiste no controlo da dor, mediante a utilização de analgésicos, anti-inflamatórios ou terapêutica hormonal.

Não é possível prevenir o seu desenvolvimento, mas essa possibilidade pode ser diminuída através de uma redução dos níveis de estrogénios no organismo. Nesse sentido, é importante escolher o método de contraceção mais adequado para cada mulher, praticar exercício físico regularmente, de modo a reduzir a massa gorda (fonte de estrogénios) e evitar o consumo excessivo de álcool e de cafeína.

Fontes

Endometriosis Association, 2013

Office on Women's Health, 2014

Mayo Foundation for Medical Education and Research, abril 2013

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