Cancro: conheça os principais tipos de tumores e a sua origem
Entenda as diferentes "famílias" de tumores malignos, conheça os fatores de risco e os dados mais recentes sobre a incidência de cancro na população portuguesa.
Falamos frequentemente em cancro, mas é importante saber que estamos a falar de diferentes "famílias" de tumores malignos, que afetam diferentes estruturas do organismo, com graus de malignidade diversos e com tratamentos e prognósticos diferentes.
Saiba como se classificam os tumores e qual a realidade nacional.
Os 6 grandes grupos de cancro
Habitualmente, os tumores são classificados em 6 grandes grupos, de acordo com o tipo celular de origem:
1. Carcinomas
São de longe os mais frequentes, representando mais de 80% do total de tumores. A sua origem é a célula epitelial - célula de revestimento, externo (pele) ou interno (mucosas, glândulas). Os quatro tumores mais frequentes são carcinomas: mama, pulmão, cólon/reto e próstata. A sua incidência (novos casos) aumenta com a idade e estão muito relacionados com fatores ambientais (tabaco, dieta e outros).
2. Sarcomas
Os sarcomas são tumores raros (1% do total) que se originam nas células mesenquimatosas, as células de suporte de estruturas ou órgãos, como músculo, osso, gordura, cartilagem e tecido vascular. Existem mais de 100 tipos de sarcomas, mas as causas são maioritariamente desconhecidas.
3. Linfomas
Os linfomas representam entre 4% a 5% do total de tumores e têm origem em células do sangue e do sistema linfático. Apesar da sua origem em tecido linfático - gânglios, baço, medula óssea - podem afetar todos os órgãos e estruturas do organismo, do cérebro à pele, do estômago à mama. São conhecidos mais de 50 tipos de linfomas, agrupados em três grandes grupos:
- Linfoma de Hodgkin;
- Linfoma não Hodgkin de células B;
- Linfoma não Hodgkin de células T.
4. Leucemias
O termo leucemia significa "sangue branco". A doença tem origem na medula óssea, afetando a medula, sangue, fígado, baço e gânglios, e pode ocorrer de forma aguda ou crónica. As leucemias representam cerca de 3% do total). São conhecidos quatro grandes grupos:
- Leucemia aguda mieloblástica (mais frequente no adulto idoso);
- Leucemia aguda linfoblástica (cerca de 60% dos casos ocorrem antes dos 20 anos);
- Leucemia mieloide crónica (mais comum no adulto);
- Leucemia linfoide crónica (maioritariamente no adulto).
5. Tumores do sistema nervoso central
Os tumores do sistema nervoso central têm, predominantemente, origem em células gliais (células de suporte das células neuronais). Embora raros (cerca de 1%), na idade pediátrica são o segundo tipo de tumor mais frequente, atrás das leucemias.
6. Melanomas
Os melanomas originam-se nos melanócitos da pele (células que produzem o pigmento da cor da pele). Apresentam-se, na maior parte dos casos, como "sinais" negros e ocorrem mais em peles claras.
Fatores de risco: porque é que o cancro acontece?
O risco de desenvolver cancro tende a aumentar com a idade, mas também está relacionado com vários fatores externos.
Entre os fatores de risco mais relevantes destacam-se:
- Tabagismo;
- Alimentação;
- Consumo de álcool;
- Excesso de peso e obesidade;
- Sedentarismo;
- Exposição solar excessiva;
- Fatores ambientais e ocupacionais (exposição a amianto ou gases tóxicos)
- Predisposição genética (em alguns casos).
Enquanto alguns tumores estão claramente associados ao estilo de vida (como vários carcinomas), outros, como sarcomas ou alguns tumores do sistema nervoso, podem ter causas menos evidentes ou ainda pouco conhecidas.
E em Portugal, qual é a realidade?
Em Portugal, os dados sobre novos diagnósticos são registados pelo Registo Oncológico Nacional, que contabiliza os casos diagnosticados anualmente.
É importante notar que são contabilizados casos e não doentes, já que a mesma pessoa pode ter mais do que um diagnóstico oncológico ao longo da vida.
De acordo com o relatório mais recente (publicado em 2025, com dados referentes a 2022), registaram-se:
- 60.954 novos diagnósticos de cancro
- Cerca de 54% em homens e 46% em mulheres
Quanto ao tipo de tumor, a distribuição foi:
- 87% carcinomas
- 5,5% linfomas
- 2,8% leucemias
- 2,5% melanomas
- 1% sarcomas
- 1% tumores do sistema nervoso central
A importância do diagnóstico precoce
Independentemente do tipo ou da classificação, o sucesso do tratamento do cancro está fortemente dependente de um diagnóstico atempado. Compreender a natureza destas doenças e estar atento aos sinais do corpo é o primeiro passo para uma intervenção eficaz. Na CUF Oncologia, o foco na deteção precoce reflete-se na promoção de rastreios de rotina - como a mamografia ou a colonoscopia - que permitem identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas.
Atualmente, graças à evolução da medicina oncológica e à personalização dos tratamentos para cada uma destas "famílias" de tumores, as taxas de sobrevivência e a qualidade de vida dos doentes têm registado melhorias significativas em Portugal. A vigilância regular e o acompanhamento por equipas especializadas, como as que integram a rede CUF Oncologia, continuam a ser as melhores ferramentas de combate à doença.