Doença de Crohn

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É tipo de doença inflamatória intestinal crónica que causa inflamação do trato digestivo. Pode causar dor, ser debilitante e, por vezes, implicar risco de vida.

Pode afetar todos os grupos etários, sobretudo os adultos jovens, com idade entre os 16 e os 40 anos. Atinge homens e mulheres em igual proporção, contudo alguns estudos referem maior incidência no género feminino. Parece ser mais comum em algumas famílias, já que cerca de 20% dos pacientes com doença de Crohn têm um familiar, mais frequentemente um irmão ou irmã, ou um pai, uma mãe ou um filho, com alguma forma de doença inflamatória do intestino.

Em Portugal, nos últimos anos, tem-se assistido a uma incidência crescente da desta patologia. A prevalência estimada é de 73 casos por cada 100 mil habitantes.

Os sintomas podem variar, no entanto as queixas mais comuns são diarreia, dor abdominal do tipo cólica e perda de peso. Também podem ocorrer sintomas não relacionados com o aparelho digestivo, como dores nas articulações e lesões da pele. Outras manifestações precoces são ferimentos na região perianal, incluindo, fissuras, fístulas e abcessos. Esta doença tem um curso variável, existindo períodos em que está ativa e outros em que não se associa a qualquer sintoma.

As suas complicações mais comuns são:

  • Oclusão intestinal, que pode implicar cirurgia
  • Úlceras em qualquer zona do tubo digestivo, incluindo na boca, ânus e região genital
  • Fístulas, quando as úlceras se estendam através da parede do intestino criando uma ligação anormal (fístula) entre duas zonas do intestino, entre o intestino e a pele ou entre o intestino e outro órgão, como por exemplo a bexiga ou a vagina
  • Osteoporos
  • Inflamação da pele, olhos, articulações, fígado ou vias biliares
  • Aumento do risco de cancro do cólon

Ainda não se sabe a sua causa mas a hipótese mais provável é a existência de um determinado fator (vírus, bactéria) que provoca uma resposta imunológica do organismo. Esta irá, posteriormente, provocar inflamação do intestino, mesmo quando o agente causador já não está presente.

Para além disso, existem origens hereditárias que podem contribuir para um aumento do risco do seu desenvolvimento. Há ainda a ter em conta a idade (esta doença desenvolve-se geralmente antes dos 30 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade), história familiar, tabaco (associa-se não só a um aumento do risco de desenvolver a doença como também de a tornar mais grave), e o local de habitação (é mais comum em indivíduos que residam em zonas urbanas de países industrializados). O stress pode agravar os sintomas da doença.

Dependendo da localização, podem ser necessários diversos exames de diagnóstico, com destaque para a endoscopia, que permite examinar o interior do intestino, bem como recolher pequenos fragmentos da mucosa (biópsias) para estudo microscópico. A endoscopia proporciona um diagnóstico preciso na maioria das doenças que afetam o cólon e permite ainda a realização de diversos tratamentos. A TAC ou a ressonância magnética abdominal podem também ser relevantes, bem com alguns exames laboratoriais.

De momento não há um medicamento que a cure. Existem, contudo, vários tratamentos que permitem melhorar as queixas e induzir a remissão por um longo período de tempo, oferecendo mais qualidade de vida.

A terapêutica adequada depende de vários fatores como os sintomas, a localização, a gravidade e a extensão da doença, e a resposta aos tratamentos já efetuados, entre outros.

  • Medicação: Os principais fármacos usados para reduzir a inflamação são a mesalazina e os corticoides. Estes são utilizados na fase aguda quando os sintomas são mais graves. Nas formas refratárias ao tratamento e na doença complicada com fístulas utilizam-se medicamentos imunossupressores e terapeutas biológicas. Os antibióticos são úteis no tratamento das complicações perianais.
  • Alimentação: A maioria dos doentes pode fazer uma alimentação normal e sem restrições, com exceção dos períodos em que ocorre diarreia. Nessas fases, deve ser efetuada uma dieta pobre em fibras e que não contenha lactose. Alguns doentes devem evitar o leite de todo, uma vez que não conseguem digerir corretamente o açúcar presente neste alimento, já que lhes falta no intestino delgado uma enzima específica. Nos doentes com má-absorção pode ser necessário administrar vitaminas e sais minerais.
  • Cirurgia: Nos doentes com sintomas de oclusão intestinal, fístulas, episódios agudos graves ou muito frequentes, pode ser necessário recorrer à cirurgia. De um modo geral, esta é necessária quando o tratamento médico é incapaz de controlar os sintomas ou quando há uma complicação (obstrução intestinal, perfuração, abcesso ou hemorragia). A cirurgia não cura a doença, mas melhora a qualidade de vida, na maioria dos doentes. Os procedimentos mais frequentes são a drenagem de um abcesso ou a remoção de um segmento de intestino doente.

Não existe forma de prevenir esta doença, sendo somente possível tentar prevenir ou retardar as crises sintomáticas. A terapêutica médica pode atrasar o reaparecimento da doença.

Fontes:

Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva, 2012

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

WebMD Medical Reference from Healthwise, Outubro de 2010

National Digestive Diseases Information Clearinghouse