Fístula

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Designa uma comunicação anómala entre duas ou mais estruturas do corpo que, em condições normais, não comunicam entre si. Pode ocorrer nas mais variadas localizações, sendo as mais comuns no sistema digestivo, urinário, reprodutor e circulatório. São muito comuns, e quase sempre tratáveis, com um prognóstico favorável.

A sua origem pode ser congénita ou resultar de uma doença, infeção, traumatismo ou cirurgia.

A formação de uma fístula associa-se a sintomas muito desconfortáveis e, se não tratada, pode evoluir para quadros de gravidade significativa. Consoante a sua localização, pode permitir a passagem de urina, fezes ou secreções para o exterior e causar sintomas como dor, irritação, náuseas ou diarreia.

As suas manifestações são tão variáveis como a sua localização. Pela sua frequência, referem-se os sintomas da fístula anal e da vaginal. 

Na anal forma-se uma comunicação entre a região do ânus e a pele vizinha, habitualmente na sequência de um processo infecioso. Por esse motivo, os sinais mais habituais são febre, mal-estar, obstipação, dor durante a evacuação, perda de sangue ou pus através da fístula e inchaço da pele em torno da dela.

Na vaginal, a comunicação desenvolve-se entre a vagina e um órgão da região pélvica. As causas mais comuns deste tipo são o parto, a Doença de Crohn, uma cirurgia anterior ou cancro. Consoante os órgãos envolvidos, estas fístulas podem ser colovaginais, enterovaginais, retovaginais, ureterovaginais, uretrovaginais ou vesicovaginais, neste último caso colocam a vagina em comunicação com a bexiga. As manifestações variam em função da sua localização mas são muito desconfortáveis porque podem envolver a passagem de fezes ou de urina para o canal vaginal. Ocorre também mal estar, odores desagradáveis e uma sensação de desconforto vaginal.

Noutros tipos de fístulas, a febre, a dor, o prurido e o mal estar tendem a ser os sintomas predominantes. Se a fístula encerrar e a infeção permanecer, pode formar-se um abcesso.

No caso de uma fístula arteriovenosa, o sangue comunica entre uma artéria e uma veia. Como consequência, o oxigénio que é transportado não chega aos tecidos de destino, sendo desviado para a circulação venosa. Estas fístulas são mais comuns nos membros inferiores mas podem ocorrer em qualquer local do corpo. Os sinais mais comuns são a presença de veias salientes, inchaço das mãos ou dos pés, cansaço e, dependendo da sua localização, hipotensão arterial ou insuficiência cardíaca. Pode ocorrer a formação de um coágulo no interior destas fístulas e a sua libertação na corrente sanguínea pode causar embolias à distância.

As fístulas podem ser de natureza congénita ou resultarem de uma doença, infeção, lesão ou cirurgia.

As doenças inflamatórias intestinais, como a colite ulcerosa e a doença de Crohn, associam-se com frequência à formação de fístulas. A diverticulite intestinal é outro fator de risco.

Quando ocorre uma infeção de uma glândula com acumulação de pus, se não for tratada, o material sob tensão "procura" uma saída para o exterior formando uma fístula.

O diagnóstico depende da história clínica e do exame médico. É a partir daí que se definem quais os exames complementares mais apropriados a cada caso.

No caso de fístulas que envolvem o sistema digestivo, é importante realizar um estudo endoscópico e/ou radiológico.

Noutros é útil introduzir uma substância de contraste seguido de um estudo radiográfico. Esta técnica permite ver a sua extensão e quais os órgãos envolvidos.

Para as arteriovenosas, o estudo por Doppler, por tomografia ou ressonância magnética é relevante.

Também o tratamento depende da sua localização e da gravidade dos sintomas. Em alguns casos, há recurso a antibióticos ou a imunossupressores. Para as fístulas localizadas no sistema digestivo, uma dieta especial, líquida, pode permitir uma boa cicatrização e o seu encerramento. As fístulas arteriovenosas podem ser embolizadas através da introdução de um cateter. As vaginais nem sempre necessitam de tratamento, já que podem encerrar espontaneamente. No caso das anais, a cirurgia é quase sempre necessária. Quando não há resposta à terapêutica a intervenção cirúrgica é igualmente a opção. Esta pode consistir apenas na remoção da fístula, se os órgãos envolvidos estiverem saudáveis, ou na remoção parcial destes se existirem sinais de doença significativa.

Não existe nenhuma estratégia definida para a sua prevenção. O importante é um diagnóstico precoce e um tratamento adequado.

Fontes

Cleveland Clinic, 2014

The American Society of Colon and Rectal Surgeons, 2014

Teresa H. deBeche-Adams e col., Rectovaginal Fistulas, Clin Colon Rectal Surg. 2010 Jun; 23(2): 99-103

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