Gripe e constipação: sintomas, diferenças e como tratar
Muitas vezes confundidas, gripe e constipação são, no entanto, doenças diferentes. Ter isso em consideração é essencial para lidar com os sintomas de cada.
Quantas vezes já ouviu alguém dizer “estou engripado” quando, na verdade, estava constipado? A confusão entre a gripe e a constipação é muito comum, e, embora sejam ambas provocadas por vírus e ambas se transmitam por espirros, tosse e contacto direto, os seus sintomas e intensidade são distintos, bem como o tratamento.
Gripe ou constipação: como distinguir?
Enquanto na gripe a febre é normalmente alta, na constipação é baixa ou até inexistente. Se no primeiro caso o mal-estar acontece de forma repentina, no segundo caso é gradual. E se na constipação a obstrução nasal costuma ser forte, já na gripe é ligeira.
Embora ambas de origem viral, a transmissão da gripe e da constipação é causada por vírus distintos, o que significa que os sintomas que cada uma destas doenças manifesta e a forma como devemos atuar quando surgem é, também, diferente. Mas se as pessoas continuam a confundi-las, poderão não conseguir preveni-las ou fazer aquilo que é mais adequado para aliviar a sua sintomatologia. Assim, o primeiro passo é saber o que as distingue.
Gripe
A gripe é uma doença aguda viral que afeta especialmente as vias respiratórias.
A transmissão do vírus da gripe é feita através de espirros ou de tosse, em que a pessoa infetada expele partículas. A transmissão também pode ocorrer por contacto direto (como, por exemplo, as mãos tocarem em objetos que tenham ficado contaminados com as secreções de alguém infetado).
A melhor arma de prevenção contra a gripe é a vacinação, que deve ser anual, durante os meses de outono / inverno e, de preferência, em outubro / novembro - já que o pico da atividade gripal ocorre entre novembro e fevereiro. Segundo o Portal de Saúde, as pessoas que devem ser vacinadas contra a gripe são as que têm um risco superior de ter complicações associadas à doença:
- Idade igual ou superior a 65 anos;
- Quem sofre de doenças crónicas dos pulmões, coração, fígado ou rins (exceto bebés com menos de seis meses);
- Diabéticos;
- Outras patologias que diminuam a resistência às infeções.
Pessoas que tiveram uma reação alérgica grave a uma dose da vacina da gripe não devem voltar a tomá-la. A vacina contra a gripe também não deve ser tomada por pessoas com alergia severa ao ovo.
O contágio é evitado através do uso de máscara, isolamento, lavagem frequente das mãos com água e sabão (utilize toalhetes se não puder lavar as mãos). Quando tossir ou espirrar, utilize um lenço de papel ou o antebraço para tapar a zona da boca (não use as mãos).
Entre os sintomas mais comuns associados à gripe incluem-se mal-estar repentino, dores de cabeça, dores musculares / articulares, febre alta e, em alguns casos, olhos inflamados.
Para aliviar as queixas recomenda-se o repouso em casa, a toma de paracetamol para baixar a febre, o uso de soro fisiológico para diminuir a congestão nasal e beber muitos líquidos (água, sumos, infusões / chá) ao longo do dia. Na persistência dos sintomas de gripe deve recorrer-se ao médico assistente.
Sabia que...
Os antibióticos atuam nas bactérias e não nas infeções provocadas por vírus - gripes e constipações - e nunca devem ser tomados sem terem sido prescritos pelo médico. A gravidez e o aleitamento também implicam o aconselhamento médico antes de se tomar um medicamento.
Constipação
Trata-se de uma infeção das vias respiratórias superiores provocada por um vírus e, geralmente, é ligeira.
A transmissão ocorre, habitualmente, de indivíduo para indivíduo, através do contacto com as secreções respiratórias da pessoa infetada. Para que isso aconteça, basta que esta tussa, espirre ou, até, fale muito perto de alguém. O contacto direto com essas gotículas (através das mãos, por exemplo) também é uma forma de transmissão.
Para prevenir o contágio deve lavar frequentemente as mãos, tossir ou espirrar para um lenço de papel ou para o antebraço.
As queixas mais comuns, que surgem de forma gradual, são:
- Congestão e corrimento nasal intenso;
- Comichão e vermelhidão no nariz;
- Diminuição ou perda do olfato e do paladar;
- Espirros;
- Olhos lacrimejantes;
- Dor de cabeça e/ou de garganta;
- Eventualmente, febre baixa.
Os sintomas tendem a atenuar-se com repouso, ingestão de líquidos (água, sumos, infusões / chá), a não exposição ao frio e a ambientes com fumo (e não fumar!), e utilização de soro fisiológico para aliviar a obstrução nasal.
A toma de paracetamol ajuda a aliviar as dores e/ou a baixar a febre.
Sabia que...
Existem pessoas mais suscetíveis às constipações: crianças; fumadores e doentes respiratórios crónicos (doença pulmonar obstrutiva crónica, asma, enfisema pulmonar, entre outras patologias).
Sintomas da gripe e sintomas da constipação
Conheça as principais diferenças entre estas duas doenças.
Como prevenir a gripe e constipação
Recorde as medidas mais eficazes para evitar infeções respiratórias no inverno:
- Lavar as mãos com frequência;
- Usar uma solução alcoólica para manter a boa higiene das mãos;
- Tossir ou espirrar para o antebraço e ensinar as crianças a fazê-lo;
- Usar lenços de utilização única;
- Usar máscara em ambientes fechados com grande concentração de pessoas;
- Evitar espaços fechados e pouco arejados;
- Fazer uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes.
Mitos sobre gripe e constipação
A gripe e a constipação têm vários sintomas em comum, mas não são a mesma coisa. Ainda existem algumas crenças erradas acerca das gripes e constipações. Desmistificamos aqui três delas.
Mito #1
“A vacina da gripe pode provocar gripe”
Não é verdade. A vacina da gripe é produzida utilizando um vírus inativado que não consegue transmitir a infeção. O que pode acontecer é ter uma gripe mesmo após a vacinação e, como a vacina demora cerca de 1-2 semanas a conferir proteção, pode levar a que as pessoas assumam que a causa foi a vacina.
É importante lembrar que a vacina da gripe deve ser repetida anualmente, pois só assim é possível garantir que se tem imunidade contra as estirpes que estão em circulação nesse determinado ano. A vacina da gripe é adaptada todos os anos às novas estirpes em circulação.
Sabia que...
20-30% das pessoas portadoras do vírus da gripe não manifestam sintomas.
Mito #2
“A vitamina C previne constipações”
Até à data, não existem evidências científicas que comprovem que a vitamina C possa prevenir as constipações. O mesmo se aplica ao zinco e à equinácea. Existem, por outro lado, estudos que indicam que estes componentes podem, sim, contribuir para a redução da duração da constipação.
Para prevenir as constipações, o seu maior aliado é um sistema imunitário (as defesas do nosso organismo) equilibrado baseado em hábitos de vida saudável:
- Incluir na dieta alimentos como espinafres, ricos nas vitaminas A e C;
- Consumir iogurte com baixo teor de gordura, que pode ativar o sistema imunitário;
- Incluir salmão na alimentação, pois tem um elevado teor de ácidos gordos ómega-3, que combatem a inflamação;
- Praticar exercício físico de forma regular.
Mito #3
“Apanhar frio pode provocar constipação ou gripe”
A única forma de se “apanhar” uma gripe ou constipação é expondo-se ao vírus que causa cada uma delas. Então, porque há mais casos no inverno? Há vários fatores que podem explicar por que razão a época da gripe coincide com esta estação: as escolas estão a funcionar; há maior permanência em espaços fechados e em proximidade com outras pessoas; e o frio pode favorecer o agravamento de problemas de saúde preexistentes, como asma e bronquite, o que pode aumentar a vulnerabilidade aos vírus que provocam gripe ou constipação.
American Lung Association, dezembro de 2021
Harvard Health Publishing - Harvard Medical School, dezembro de 2021
Healthdirect, dezembro de 2021
Johns Hopkins, dezembro de 2021
WebMD, dezembro de 2021
Atualizado a 16/10/2026