Enfisema pulmonar

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É uma patologia na qual os pequenos sacos de ar (alvéolos) onde ocorrem as trocas gasosas durante a respiração vão sendo gradualmente destruídos, reduzindo a superfície disponível para essas trocas e, portanto, diminuindo a quantidade de oxigénio que é transportado para o sangue, o que dificulta a respiração.

De um modo geral, os sintomas desenvolvem-se entre os 40 e os 60 anos. Trata-se de uma doença que pode não causar indícios durante anos. A queixa mais comum é a dificuldade respiratória, que se vai instalando de modo gradual. Primeiro após a realização de esforço físico e, nas fases mais avançadas, presente mesmo em repouso. A respiração torna-se também mais ruidosa, podendo ocorrer pieira.

As unhas e os lábios tendem a adquirir uma coloração azulada ou acinzentada, o que traduz a dificuldade de oxigenação das extremidades do corpo, e pode causar dificuldade de concentração e um aumento da frequência cardíaca, dado o esforço que o coração realiza para tentar compensar o menor transporte de oxigénio. Há perda de peso associada, embora mas fases mais avançadas, pela inatividade que a doença obriga, possa haver um aumento do mesmo.  Na ausência de tratamento, o enfisema pode associar-se a um colapso pulmonar, infeções respiratórias ou problemas cardíacos.

O enfisema é uma das formas de doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e tem como principal causa o tabaco. De facto, o tabagismo constitui um grave problema de saúde pública, sendo responsável por 90% dos casos de cancro do pulmão, 86% dos de bronquite e enfisema, 25% dos processos isquémicos do coração e 30% dos cancros extrapulmonares.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, em Portugal estima-se que sofram de DPOC 5,42% da população entre os 35 e os 69 anos. A patologia atinge sobretudo homens (porque há mais que fumam) do que as mulheres. Anualmente morrem cerca de 8,7 indivíduos por cada 100 mil habitantes. O fumo passivo é também um fator de risco.

Existem outras substâncias que podem causar enfisema pulmonar, como a inalação de marijuana, a poluição do meio ambiente, o pó da sílica e do alcatrão e alguns fumos industriais.

Há ainda uma forma hereditária desta doença, resultante da ausência de uma proteína que protege as estruturas elásticas dos pulmões. A esse tipo de enfisema dá-se o nome de deficiência da alfa 1-antitripsina.

A especialidade médica que diagnostica e trata o enfisema é a Pneumologia. Os exames normalmente utilizados são a radiografia torácica ou uma TAC pulmonar, testes laboratoriais que avaliam os níveis de oxigénio e de dióxido de carbono no sangue e testes da função pulmonar que determinam o grau de compromisso dos pulmões do paciente com enfisema.

Não há cura porque as alterações da estrutura pulmonar são irreversíveis. O objetivo é aliviar os sintomas e retardar a progressão da doença. O tratamento é sempre definido de um modo personalizado e pode incluir medicamentos que ajudam a reduzir ou parar o consumo de tabaco, broncodilatadores que melhoram a respiração ou inaladores com corticoides que permitem uma respiração mais fácil.

Para além dos fármacos, pode ser necessário recorrer a um processo de reabilitação pulmonar, onde se aprendem exercícios respiratórios que melhoram a qualidade de vida dos pacientes e se definem estratégias nutricionais que ajudem a reduzir o peso, sempre que tal for necessário. Nas formas mais avançadas, o uso de oxigénio em casa, por vezes durante 24 horas, pode ser relevante.

A cirurgia está indicada em casos mais graves e possibilita a remoção do tecido pulmonar danificado. O transplante é a solução de último recurso quando as outras opções não foram eficazes.

Estas formas de tratamento podem e devem ser complementadas por alterações no estilo de vida que ajudem a travar a progressão da doença e que possam evitar as suas complicações. De todas, a mais importante é deixar de fumar e preservar-se, igualmente, do fumo passivo, além de evitar algumas tintas, escapes de carros, odores de cozinha, certos perfumes, velas com cheiro e incenso. É ainda importante manter os filtros do ar condicionado devidamente limpos.

A prática regular de exercício físico é útil, porque permite aumentar a capacidade pulmonar. Deve-se evitar o ar frio, que provoca espasmo dos brônquios, agravando a dificuldade respiratória, e ter especial atenção às infeções respiratórias. O papel do médico é importante para indicar quais as vacinas mais úteis em cada caso.

Fontes:

Mayo Foundation for Medical Education and Research , 29 de Abril de 2011

Medscape Reference, Drugs, Diseases & Procedures

Canadian Lung Association, 24 de Setembro, 2012

Doença pulmonar obstrutiva crónica – Uma revisão, Artur Laizo, Rev Port Pneumol 2009; XV (6): 1157-1166

Sociedade Portuguesa de Pneumologia

Medical News Today. What is emphysema?