Obstipação

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É uma dificuldade em regular a progressão das fezes ou a incapacidade total em evacuar. Na presença deste quadro, as fezes ficam mais duras e secas. O seu grau varia de pessoa para pessoa, podendo durar pouco tempo ou ser crónica, causando dor, desconforto e afetando a qualidade de vida.

Habitualmente, considera-se obstipação se há dificuldade persistente em evacuar, se a evacuação obriga a grande esforço, se é necessário recorrer a manobras digitais para ajudar a saída das fezes, ou se há duas ou menos evacuações por semana (ou se houve uma redução recente do número de evacuações habitual).

A obstipação é um problema comum que afeta pessoas de todas as idades, sendo um sintoma e não uma doença. Quase todas as pessoas experimentam períodos de obstipação, sendo uma dieta pouco equilibrada a causa principal. A maioria dos casos é temporária e sem gravidade. Pode afetar bebés, crianças e adultos, sendo as mulheres mais atingidas do que os homens. Há também uma maior incidência nas pessoas mais idosas do que nas mais jovens, provavelmente pela sua dieta, falta de exercício físico, uso de medicamentos e maus hábitos intestinais. Cerca de 40% das mulheres grávidas referem obstipação durante a gravidez.

De um modo geral, as fezes são duras e fragmentadas, existe uma sensação persistente de mal-estar e desconforto no abdómen e verifica-se, frequentemente, necessidade de recorrer a medicamentos ou clisteres para ajudar a evacuação.

A obstipação, quando não devidamente tratada, pode causar hemorroidas, incontinência fecal ou impactação fecal, que traduz a acumulação de fezes secas e duras no reto.

Nem sempre é fácil identificar a sua causa. O risco é mais elevado quando se ingere pouca fibra (frutas, vegetais, cereais), se altera a rotina, se ignora ou retarda o estímulo para a defecação, se ingerem poucos fluidos, se existe ansiedade ou depressão ou se se toma alguns tipos de medicamentos.

As fezes são constituídas pela parte dos alimentos não assimilada, sobretudo composta por fibra que tem a capacidade de absorver água existente no intestino. O tempo que aí permanecem determina o seu teor em água e, sempre que ocorre maior demora no funcionamento intestinal, ficam mais duras, provocando obstipação.

O seu aparecimento pode também dever-se a patologias que afetam o intestino, como por exemplo algumas doenças neurológicas (esclerose múltipla, doença de Parkinson, lesões da medula) e metabólicas (diabetes, hipotiroidismo, insuficiência renal). A obstipação pode, ainda, ser causada por doenças próprias do intestino ou do ânus, como inflamações, zonas de estreitamento, aperto no intestino, tumores, fissura anal, entre outras.

Uma avaliação detalhada das queixas e um exame médico completo pode fornecer dados importantes para esclarecer a situação. Um exame ano-rectal (exame proctológico) é rápido, indolor e muito informativo. Podem ser necessárias análises ao sangue, um clister opaco ou uma colonoscopia.

É muito importante disciplinar os hábitos alimentares, ingerindo alimentos com fibra e beber bastantes líquidos. Estas medidas demoram algum tempo a surtir efeito. No entanto, deve-se:

  • Ingerir alimentos ricos em fibra, tais como: cereais (farelo, flocos, pão e bolachas integrais); fruta (ameixa, pêssego, frutos de polpa, frutos tropicais); vegetais (couve, feijão, grão, ervilha, fava);
  • Fazer atividade física regular (marcha, ginástica, natação);
  • Rever os medicamentos em curso de modo a perceber se eles são a causa da obstipação.
  • Recorrer a laxantes, sempre com prescrição médica, em situações mais arrastadas;
  • Mais raramente, pode estar indicada uma intervenção cirúrgica.

A sua prevenção passa, essencialmente, pela adoção de estilos de vida saudáveis, com a ingestão de uma dieta rica em fibras, muitos fluidos e exercício físico regular. Ter tempo e privacidade na casa de banho é muito importante, bem como não ignorar o estímulo para a evacuação.

Fontes

American Gastroenterological Association, Janeiro de 2013

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

NHS Choices, Março 2012

National Digestive Diseases Information Clearinghouse, 2013

American Society of Colon & Rectal Surgeons, 2012