Robótica: uma revolução na cirurgia do joelho
Personalização, precisão, segurança e recuperação mais rápida. Como a robótica está a transformar a cirurgia ortopédica do joelho e o que se espera no futuro.
Nos últimos anos, a CUF introduziu sistemas de robótica para a realização de procedimentos cirúrgicos, nomeadamente a cirurgia de prótese de joelho. Os sistemas permitem uma cirurgia mais personalizada e aumentam a precisão dos cortes e do posicionamento dos implantes, podendo resultar em recuperações mais rápidas e com menos dor imediata. António Nogueira de Sousa, José Campos Martins, Mário Vale e Pedro Pessoa, ortopedistas CUF, explicam como utilizam a robótica na sua especialidade, descrevem as vantagens em cirurgias, nomeadamente do joelho, e apontam o caminho para inovações futuras.
O que é a cirurgia robótica em Ortopedia?
A robótica é uma ferramenta tecnológica que apoia o cirurgião tanto na preparação como na realização de cirurgias, adaptando o procedimento a cada doente e melhorando o sucesso da intervenção. “Permite-nos ter mais precisão na execução da cirurgia, como no caso das próteses totais do joelho, com a aquisição de pontos de referência da anatomia de cada doente”, afirma Mário Vale. Também António Nogueira de Sousa sublinha que a entrada da cirurgia robótica, particularmente da cirurgia do joelho, “traz uma otimização de um procedimento que nós já fazíamos bem e que agora estamos a fazer ainda melhor”.
José Campos Martins acrescenta que “a robótica corresponde ao sistema mais avançado da atualidade, no que diz respeito à cirurgia de prótese do joelho”. Segundo o ortopedista, “vem ao encontro de uma capacidade que com os instrumentos tradicionais não conseguimos, que é, no fundo, personalizar a prótese a cada doente”. Para Pedro Pessoa, o foco também está na individualização: “É um sistema que nos permite fazer um mapeamento especial e individual do doente que vamos operar”, ou seja, com o uso de sensores e uma reconstrução tridimensional do joelho, é possível “personalizar e repetir este procedimento de uma forma muito constante”.
Ortopedia: em que tipo de cirurgias pode ser usada a robótica?
De um modo geral, as intervenções cirúrgicas em Ortopedia podem dever-se a vários tipos de situações, como artrose (especialmente nas pessoas mais velhas), lesões ligamentares (como as do ligamento cruzado anterior e dos ligamentos laterais) ou lesões do menisco. Na CUF, a robótica é atualmente utilizada em alguns procedimentos ortopédicos, como as cirurgias da coluna e nas artroplastias (colocação de próteses da anca e joelho), tanto totais como parciais. Quando comparada com metodologias mais tradicionais, a robótica permite responder a uma franja de doentes aos quais anteriormente não era possível.
Planeamento 3D e execução milimétrica: como funciona a cirurgia robótica
Na cirurgia robótica ortopédica do joelho, o percurso começa com um planeamento pré-operatório mais adequado e reconstrução 3D detalhada da articulação, explica António Nogueira de Sousa. Durante a cirurgia, há uma monitorização em tempo real e uma interação constante entre o cirurgião e o robô, o que possibilita a otimização de gestos cirúrgicos. Estes dois aspetos, segundo o ortopedista, traduzem-se em “cirurgias menos agressivas, mais seguras e mais exatas”.
Os ortopedistas CUF destacam:
- Reconstrução tridimensional do joelho, através do uso de sensores.
- Posicionamento preciso da prótese. Com o sistema é possível definir quais as posições mais corretas do implante e, assim, executar esse plano de uma forma inframilimétrica.
- Balanço ligamentar otimizado. O robô permite aferir qual é o melhor puzzle que vai otimizar a função articular do joelho daquele paciente.
Que benefícios traz a cirurgia robótica ao doente?
O objetivo da robótica é tornar a cirurgia mais exata e melhorar tanto o período pós-operatório como o resultado a longo prazo. “Já existem estudos que mostram menor dor pós-operatória, melhores resultados funcionais a curto e médio prazo e menor necessidade de medicamentos para controlo da dor”, explica José Campos Martins.
Pedro Pessoa acrescenta que “os estudos internacionais mostram-nos que o doente tem uma melhor qualidade de vida a seguir, porque tem uma recuperação mais rápida. O facto de termos incisões mais pequenas e não necessitarmos tanto de traumatismo de partes moles também ajuda nesse sentido. Temos menos perdas sanguíneas, que também é importante para o doente”.
Na perspetiva de António Nogueira de Sousa, “os doentes vão notar maior satisfação, melhores resultados funcionais e maior longevidade dos seus implantes. Ou seja, as próteses não só vão durar mais, como a necessidade de as rever será mais longa”. Este facto, associado a “menor consumo de fármacos para controlar a dor, hemorragia, tempo de internamento e ainda programas de Fisioterapia mais curtos” faz esperar uma importante poupança económica a curto-longo prazo, destaca o ortopedista.
Vantagens da robótica para os médicos e equipas cirúrgicas
Do lado das equipas cirúrgicas, a robótica permite decisões mais informadas, controladas e previsíveis. Mário Vale destaca que “a grande vantagem da cirurgia robótica para os profissionais é o controlo que temos na precisão da execução do plano cirúrgico”, o que permite “adequar a cirurgia a cada doente de uma forma controlada, com mais dados, de uma forma mais precisa, mais exata, de forma a cumprir a anatomia que o doente tem”.
António Nogueira de Sousa realça o investimento da CUF em equipas e tecnologia, que “aporta claramente um aumento da segurança, quer para o cirurgião, quer para o doente”. Para Pedro Pessoa, isso significa que “um doente operado nos Estados Unidos, operado em Inglaterra ou operado em Portugal, na CUF, tem o mesmo tratamento”.
…os doentes
- Alta mais rápida;
- Menos dor e menor necessidade de medicação analgésica;
- Recuperação funcional mais rápida;
- Maior satisfação global e durabilidade da prótese;
- Custos inferiores associados ao internamento ou à recuperação.
…as equipas médicas
- Planeamentos mais rigorosos, com margens de erro reduzidas;
- Mais informação objetiva durante a cirurgia.
Qual o papel do cirurgião na era da robótica?
Apesar da tecnologia, o papel do cirurgião continua a ser central. Mário Vale lembra que “o robô não substitui o cirurgião, o robô é uma ferramenta. As decisões e o gesto continuam a ser feitos pela cabeça e pelas mãos do cirurgião”.
Também José Campos Martins reforça que “a robótica é um processo, é um instrumento de trabalho, não exclui a responsabilização do cirurgião. O cirurgião, no fundo, é que instrui a máquina para ajudar a personalizar a realização da prótese e, portanto, há um complemento de tecnologia, mas também não exclui o grau de experiência que o cirurgião tem”.
Quais as contraindicações da cirurgia robótica?
“Este sistema pode ser utilizado na maioria das pessoas”, avança Pedro Pessoa, mas “há situações muito pontuais, em que não é possível. Necessitamos nestes procedimentos de fazer a avaliação da anca. Uma pessoa que tenha um problema da anca, uma rigidez, não pode fazer o procedimento com este sistema.” O ortopedista lembra também as contraindicações comuns a outras intervenções cirúrgicas: “As questões de infeções. Não podemos fazer uma cirurgia robótica, uma prótese total do joelho, num doente que tenha um joelho infetado, por exemplo.”
O futuro da cirurgia robótica ortopédica na CUF
Os ortopedistas CUF antecipam um futuro em que a cirurgia robótica do joelho estará cada vez mais integrada na prática clínica diária. Mário Vale considera que “o futuro da cirurgia robótica estará na criação de sistemas de realidade aumentada e de inteligência artificial, bem como em reduzir a dimensão dos próprios robôs para facilitar a sua incorporação na prática diária cirúrgica”.
Para António Nogueira de Sousa, o horizonte passa por tornar esta abordagem um padrão: “O futuro é incorporar a inteligência artificial para ajudar esta interação cirurgião-robô a resolver problemas que surgem em cada cirurgia, em particular, e claramente evoluir para se tornar uma cirurgia universal. Creio que a muito curto prazo todas as cirurgias de artroplastia do joelho serão feitas com recurso à cirurgia robótica.”
José Campos Martins, por outro lado, vê neste caminho uma oportunidade para medir os ganhos dos doentes ao longo do tempo, “para termos uma real noção de quais são os graus de melhoria que o doente está a apresentar e onde é que podemos atuar para otimizarmos ainda mais os resultados”.
Já Pedro Pessoa destaca o trabalho já feito até agora na CUF, que “tem investido muito em tecnologia, tem investido muito em termos de inovação, o que é fundamental, não só para os doentes, que é a parte mais importante, o foco é o doente, mas também para as equipas que trabalham aqui e que têm acesso a estas tecnologias”.