Lesões dos Meniscos

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A cartilagem articular íntegra é macia, deslizante, uniforme e reveste toda a superfície óssea. Os movimentos intensos e repetitivos e de compressão, provocados pela prática do desporto ou por quedas, podem causar lesões e deterioração do tecido cartilagíneo.

A lesão ou rotura do menisco é uma das lesões mais frequentes do joelho. Este tipo de lesão é também referido como rotura da cartilagem.

Cada joelho tem dois meniscos: um lateral ou externo e um medial ou interno, que funcionam como estabilizadores e amortecedores do joelho. A estrutura dos meniscos é rígida e semelhante a borracha de modo a manter o joelho estável.

Qualquer acidente associado a torção do joelho, com ou sem carga, pode provocar uma lesão meniscal. Uma lesão meniscal não tratada pode levar ao desenvolvimento de uma artrose precoce do joelho.

Este tipo de lesão é muito comum, sobretudo nos desportos de contacto embora possa ocorrer em qualquer idade.

Os meniscos podem romper de diversos modos e, com frequência, estas lesões associam-se a alterações dos ligamentos cruzados ou de outros.

A lesão meniscal está associada a dor e claudicação do joelho, tipicamente com diminuição da mobilidade e/ou derrame articular.

No momento da rotura do menisco, pode sentir-se um ruído.

A maioria as pessoas consegue andar mesmo com a rotura e muitos atletas continuam a praticar desporto.

Ao fim de 2 a 3 dias, o joelho ficam menos móvel e inchado. 

Os sintomas mais comuns são a dor, a rigidez, o inchaço, uma sensação de perda de controlo do joelho e uma redução da amplitude dos movimentos tanto de extensão como de flexão.

Sem tratamento, um fragmento do menisco pode soltar-se e bloquear a articulação do joelho.

As lesões dos meniscos são com frequência o resultado de um movimento de torção, de mudança súbita de direção, de desaceleração ou podem ser consequência de um impacto súbito.

Neste tipo de lesões há geralmente contacto direto entre duas pessoas durante a prática de um desporto.

A idade é um fator de risco porque ocorrem alterações degenerativas da cartilagem que a enfraquecem e tornam mais fina. Nesse contexto, pode bastar uma ligeira torção durante o movimento de se levantar de uma cadeira para causar uma rotura de um menisco.

A história clínica é muito útil.

O exame médico revela que a palpação da articulação e do menisco é dolorosa.

Um teste útil é o teste de McMurray que consiste na compressão com rotação da tíbia em relação ao fémur, que permite sentir ou ouvir um estalido na linha articular. 

A radiografia simples não permite visualizar o menisco mas permite excluir outras causas de dor no joelho como a osteoartrite.

A ressonância magnética permite uma melhor caracterização e classificação das lesões dos meniscos.

Na fase inicial podem ser prescritos analgésicos e anti-inflamatórios, em conjunto com um plano adequado de fisioterapia. Estes, apesar de não tratarem a lesão meniscal, podem aliviar a dor e melhorar a função do doente.

Frequentemente o tratamento conservador é insuficiente, estando indicada a realização de artroscopia do joelho para a remoção da parte lesionada (meniscectomia) ou reparação da mesma (sutura dos meniscos).

As opções de tratamento das lesões meniscais incluem o tratamento não operatório, a remoção parcial do menisco ou a sua reparação. Mais recentemente, o transplante meniscal passou a ser uma opção de tratamento em alguns centros no mundo.

As indicações de tratamento não cirúrgico incluem lesões estáveis, lesões de espessura parcial, lesões degenerativas assintomáticas ou as lesões cujos sintomas são bem tolerados pelo paciente.

O tratamento cirúrgico das lesões meniscais está indicado nas situações de persistência dos sintomas após tratamento conservador, persistência da dor ou bloqueio articular.

O tratamento conservador passa pela redução ou limitação das atividades desportivas, utilização de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios e pela fisioterapia.

Quando a lesão é pequena e ocorre na porção externa do menisco, não requer cirurgia.

O protocolo RICE (Rest, Ice, Compression, Elevation) é útil nestes casos. O repouso da atividade que causou a lesão é essencial e poderá ser importante usar canadianas para reduzir o peso sobre a perna. O gelo aplicado durante 20 minutos de cada vez, várias vezes por dia é uma boa ajuda. O gelo não deve ser aplicado diretamente na pele. A compressão reduz o inchaço e pode ser obtido como uma banda de compressão. A elevação da perna acima do nível do coração reduz também o inchaço. 

Os anti-inflamatórios combatem a dor e a inflamação.

A cirurgia dependerá do tipo, dimensão e localização da lesão do menisco.

O terço externo do menisco é ricamente vascularizado e, por isso, cicatriza mais facilmente.

Os dois terços internos são pouco irrigados o que dificulta a cicatrização e torna a cirurgia mais necessária.

Para lá da localização da lesão, importa considerar a idade, o nível de atividade e a presença de outras lesões.

A cirurgia pode ser realizada por via artroscópica, mediante a realização de pequenas incisões. 

Após a cirurgia, é essencial a imobilização do joelho seguida de um programa de reabilitação, com exercícios que melhorem a força e a mobilidade do joelho.

Muitos casos de lesões do menisco não podem ser prevenidos mas uma técnica de treino adequada reduz de forma significativa a probabilidade de ocorrência destas lesões.

Fontes

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