Peste: o que é, tipos, sintomas e formas de transmissão

Prevenção e bem-estar
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A peste é uma doença infeciosa que pode evoluir rapidamente e causar complicações, sendo essencial uma resposta médica atempada e eficaz.

A peste é uma doença infeciosa causada pela bactéria Yersinia pestis, que afeta sobretudo pequenos mamíferos e pode ser transmitida ao ser humano, principalmente, através da picada de pulgas infetadas. Embora atualmente seja uma doença rara, a peste teve um impacto significativo ao longo da História, estando associada a grandes epidemias, como a Peste Negra, que atingiu a Europa no século XIV.

Atualmente, a bactéria continua a circular em algumas regiões do mundo, sobretudo entre pequenos mamíferos e as suas pulgas. Nos seres humanos, a infeção pode manifestar-se de diferentes formas, sendo a peste bubónica a mais frequente. Quando a bactéria se dissemina através da corrente sanguínea ou atinge os pulmões, pode provocar formas mais graves da doença, que exigem tratamento médico.

Apesar da sua gravidade, a peste pode ser tratada eficazmente com antibióticos quando o diagnóstico e o tratamento são realizados atempadamente. Conhecer as formas de transmissão, os principais sintomas e as medidas de prevenção é fundamental para reduzir o risco de infeção e evitar complicações.

 

Tipos de peste e sintomas

A peste pode apresentar-se sob três formas clínicas principais: 

 

Peste bubónica

É a forma mais comum de peste e ocorre, na maioria dos casos, após a picada de uma pulga infetada. A bactéria Yersinia pestis entra no organismo através do local da picada e dissemina-se pelo sistema linfático.

Os sintomas incluem, habitualmente:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Arrepios;
  • Fraqueza;
  • Aparecimento de um ou mais gânglios linfáticos aumentados.

Estes sintomas surgem, em geral, entre dois e oito dias após a infeção.

A transmissão direta entre pessoas é pouco frequente. Na ausência de tratamento, a infeção pode progredir e atingir a corrente sanguínea ou os pulmões, dando origem às formas de peste septicémica ou peste pneumónica, respetivamente.

 

Peste pneumónica

É a forma de peste com maior gravidade clínica e a que apresenta maior potencial de transmissão entre pessoas. Caracteriza-se pelo envolvimento dos pulmões e pode manifestar-se de forma rápida, com possibilidade de deterioração do estado clínico em pouco tempo. Os sintomas podem incluir:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Fraqueza;
  • Falta de ar;
  • Dor no peito;
  • Tosse, que pode ser acompanhada pela presença de expetoração aquosa ou, em alguns casos, com sangue.

A transmissão ocorre através de partículas respiratórias, sobretudo durante o contacto próximo com uma pessoa infetada. O período de incubação pode ser muito curto, podendo os primeiros sintomas surgir cerca de um dia após a inalação de partículas infetadas. Sem diagnóstico e tratamento precoces, a doença pode evoluir rapidamente e ser fatal. A toma de antibiótico é, por isso, fundamental para melhorar o prognóstico.

 

Peste septicémica

Ocorre quando a bactéria Yersinia pestis se dissemina e se multiplica na corrente sanguínea. Pode desenvolver-se como evolução de outra forma de peste ou surgir inicialmente como infeção da corrente sanguínea. Os sintomas incluem:

  • Febre;
  • Arrepios;
  • Fraqueza intensa;
  • Dor abdominal.

Podendo ocorrer choque e hemorragias na pele ou noutros órgãos. Em situações graves, podem surgir alterações na coloração e morte dos tecidos (necrose), sobretudo nos dedos das mãos e dos pés e no nariz.

É uma forma particularmente grave da doença e pode provocar complicações potencialmente fatais, como lesão dos tecidos e insuficiência de vários órgãos. O reconhecimento e tratamento precoces são essenciais para reduzir o risco de complicações graves.

 

Diagnóstico, tratamento e prevenção da peste

O diagnóstico da peste deve ser confirmado através de exames laboratoriais, tendo em conta os sinais e sintomas apresentados e o contexto de exposição. A identificação da bactéria Yersinia pestis pode ser realizada a partir de diferentes amostras biológicas, nomeadamente sangue e expetoração.

 

O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, sobretudo perante uma suspeita de peste pneumónica. A utilização adequada de antibióticos, associada às medidas de suporte necessárias em função do estado clínico da pessoa, é eficaz quando instituída atempadamente. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são determinantes para reduzir o risco de complicações e de mortalidade.

 

A prevenção passa, sobretudo, pela redução do contacto com as principais fontes de infeção. Em áreas onde a peste ocorre, é importante evitar picadas de pulgas, não manipular animais doentes ou mortos e evitar o contacto direto com tecidos e fluídos corporais potencialmente contaminados. Perante um caso suspeito ou confirmado, devem ser adotadas medidas adequadas de controlo da infeção, incluindo precauções durante o contacto com a pessoa doente e na recolha e manipulação de amostras clínicas. No caso da peste pneumónica, estas medidas são particularmente importantes devido ao risco de transmissão através de partículas respiratórias. As principais medidas incluem:

  • Controlar a fonte de infeção, identificando possíveis focos entre animais e implementando medidas de controlo de pulgas e roedores;
  • Isolar os casos de peste pneumónica, reduzindo o risco de transmissão a outras pessoas;
  • Monitorizar os contactos próximos das pessoas infetadas e, quando indicado, administrar tratamento preventivo;
  • Proteger os profissionais de saúde, através da utilização de equipamento de proteção adequado e do cumprimento das medidas de prevenção e controlo da infeção;
  • Garantir o diagnóstico e tratamento atempados, assegurando o acesso aos antibióticos adequados;
  • Recolher e analisar amostras clínicas de forma segura, seguindo os procedimentos de controlo de infeção;
  • Reforçar as medidas de higiene e desinfeção, nomeadamente a higiene das mãos e a limpeza adequada dos espaços e materiais potencialmente contaminados.

 

Quando consultar um médico?

Deve procurar assistência médica se desenvolver sintomas como febre súbita, gânglios linfáticos dolorosos, tosse ou dificuldade em respirar após uma possível exposição a pulgas, animais infetados ou contacto com uma pessoa com diagnóstico confirmado de peste. O diagnóstico e o início atempado do tratamento são fundamentais para reduzir o risco de complicações graves. Se houver suspeita de peste, não se deve dirigir diretamente ao hospital sem antes contactar os serviços de saúde, de forma a evitar o risco de transmissão a outras pessoas. Para avaliação e acompanhamento pode consultar um médico especialista em Doenças Infecciosas.

A Peste Negra ainda existe?

A peste é frequentemente associada às grandes epidemias que marcaram a História. Embora hoje seja uma doença pouco frequente, continua a ter importância tanto do ponto de vista histórico como da saúde pública.

A Peste Negra em Portugal (peste bubónica), chegou ao país em 1348, provocou uma epidemia devastadora, causando um elevado número de mortes, bem como profundas consequências na sociedade portuguesa.

 

Séculos depois, a peste volta a ser notícia na sequência de um caso de pneumonia de origem desconhecida na Rússia, com suspeita de peste pneumónica. A situação tem sido monitorizada a nível europeu, embora, até ao momento, não existam sinais de transmissão continuada entre pessoas. Este episódio recuperou o interesse por uma doença que, apesar da sua gravidade, é hoje muito diferente daquela que existia na Idade Média. A peste pneumónica pode ser transmitida entre pessoas, mas essa transmissão requer geralmente contacto próximo e prolongado com uma pessoa infetada e sintomática. Além disso, a peste pode ser tratada eficazmente com antibióticos quando diagnosticada precocemente. Assim, embora a vigilância seja importante, não existem atualmente indícios que apontem para o início de uma nova pandemia. Para acompanhar a ocorrência de surtos e epidemias a nível mundial, pode ser consultada a plataforma da Organização Mundial da Saúde (OMS) que disponibiliza informação atualizada sobre as situações epidemiológicas em diferentes regiões do mundo.

Fontes

Centers for Disease Control and Prevention (CDC)

World Health Organization (WHO)

Manual MSD

Publicado a 08/10/2026