Cancro da Via Biliar

O que é?
Prevenção
Fatores de Risco
Sintomas
A quem me devo dirigir?

O cancro da via biliar é um dos tipos de cancro do sistema digestivo, sendo também um dos tipos de tumores hepatobiliopancreaticos (fígado, pâncreas e vias biliares).

As células epiteliais são responsáveis pela constituição do tecido da via biliar. No seu estado normal, estas células crescem e dividem-se em novas células, que são formadas à medida que vão sendo necessárias, a este processo chama-se regeneração celular.

Quando as células perdem o mecanismo de controlo e sofrem alterações no seu genoma (DNA), tornam-se células de cancro, que não morrem quando envelhecem ou se danificam, e produzem novas células que não são necessárias de forma descontrolada, dando origem a tumores que se chamam colangiocarcinoma.

Ao contrário das células normais, as células de cancro da via biliar não respeitam as fronteiras do órgão, invadindo os tecidos circundantes e podendo disseminar a outras partes do organismo. A este processo dá-se o nome de metastização.

Os cancros da via biliar são doenças raras, geralmente diagnosticadas em fase avançada e por isso com mau prognóstico. 

Os doentes com colangite esclerosante ou colite ulcerosa devem fazer exames regulares de imagem ao fígado e via biliar.

O cancro da via biliar pode aparecer em indivíduos que não apresentem fatores de risco conhecidos.

Ainda não foi possível encontrar as causas para o cancro da via biliar, mas alguns factores de risco são conhecidos. Os principais fatores de risco são:

  • Colangite esclerosante primária (uma doença de natureza auto imune)
  • Colite ulcerosa
  • Quistos da via biliar
  • Infecção por um parasita da via biliar

Os sintomas de cancro da via biliar não são exclusivos, podem aparecer noutras doenças como por exemplo a litíase (cálculos biliares). O facto de ter um ou mais dos sintomas aqui descritos não significa que tem cancro da via biliar.

Deverá estar atento e consultar o seu médico se tiver os seguintes sintomas:

  • Dor abdominal
  • Icterícia
  • Febre
  • Prurido
  • Perda de peso sem razão aparente
  • Fraqueza

Em caso de suspeita de cancro, devido a sintomas ou a um exame complementar de diagnóstico que apresente uma alteração, deve dirigir-se sempre ao seu médico de família, ao seu Médico Assistente CUF, a um Gastrenterologista, a um Cirurgião Geral ou em alternativa, menos habitual, a um Oncologista.

Tumores Hipatobilio-pancreaticos (UDTI)

Subtipos de cancro da via biliar

Embora sem subtipos quanto ao tipo celular dos cancros da via biliar, existem subtipos quanto à sua localização.

Os cancros mais baixos da via biliar e os da zona de bifurcação da via biliar direita e esquerda chamam-se tumores de Klatskin.

Diagnóstico e Estadiamento
Diagnóstico

Num doente com história cínica e exame clínico suspeitos de cancro da via biliar devem ser pedidas:

- Análises gerais ao sangue que incluem a avaliação da função do fígado e dos seguintes marcadores tumorais: antigénio carcinoembrionário (CEA) e antigénio carcinoma 19-9 (CA19-9), que podem ser elevados em doentes com cancro da via biliar

- Exames de imagem que podem incluir ecografia, TAC e RMN;

- Exames endoscópicos à via biliar - o médico pode proceder a uma biopsia de uma lesão suspeita, ou seja, efectuar uma colheita de células para serem analisadas ao microscópio. Existem várias formas de obter material de biopsia:

 

  • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) - exame que consiste na introdução por via oral de um endoscópio - um tubo flexível que permite ao médico visualizar o orifício onde a via biliar se liga ao duodeno. Pode ser injectada uma substância de contraste na via biliar principal que se visualiza por radioscopia. O médico pode recolher amostras de células da parede das vias biliares para serem observadas ao microscópio posteriormente pela anatomia patológica;

 

  • Colangiografia percutânea (radiografia das vias biliares) – exame que consiste na injeção no fígado de uma substância de contraste, que permite avaliar o fluxo de bílis à medida que esta é drenada do fígado. O médico pode recolher amostras de células para serem observadas ao microscópio posteriormente pela anatomia patológica;

 

  • Biopsia hepática – exame que consiste na introdução de uma agulha pela pele até ao local da lesão, através da qual podem ser colhidas amostras de tecido, habitualmente guiada por TAC.

Só quando observado ao microscópio o material colhido em biopsia de uma massa suspeita é que é possível confirmar o diagnóstico dum cancro da via biliar.

 

Estadiamento

estadiamento é o processo pelo qual nos certificamos se as células do cancro disseminaram da via biliar a outras estruturas próximas ou mais distantes. A informação obtida pelo processo de estadiamento determina o estadio da doença, fundamental para o planeamento do tratamento.

Ao confirmar-se o diagnóstico de cancro da via biliar, o passo seguinte consiste em proceder ao seu estadiamento, podendo ser solicitados os seguintes exames caso não tenham sido realizados para obtenção do diagnóstico:

  • TAC abdominal, torácica e pélvica
  • Ressonância magnética hepática
  • Cintigrafia óssea
  • Tomografia por emissão de positrões (exame PET)

Muitas vezes o estadiamento da doença só fica completo após a cirurgia de tratamento, pela análise ao microscópio pela Anatomia Patológica dos tecidos colhidos na cirurgia.

 

Com base nos exames de diagnóstico efectuados, o estadiamento do cancro da via biliar pode ser classificado da seguinte forma:

Estadios do cancro da via biliar intra hepática ou anexa ao fígado

Estadio 0 - Neste estadio as células de cancro estão apenas na camada mais interna do epitélio que contacta com a bílis, também denominado carcinoma in situ porque está no seu sítio;

Estadio I - Neste estadio o cancro espalhou-se para o músculo e tecido fibroso que forma a parede da via biliar;

Estadio II - Neste estadio o cancro espalhou-se para a gordura fora da parede da via biliar ou para o fígado;

Estadio III - Neste estadio o cancro espalhou-se para as artérias e veias do fígado ou para os gânglios linfáticos regionais;

Estadio IV - Neste estadio o tumor espalhou-se (disseminou-se) para órgãos à distância.

 

Estadios do cancro da via biliar extra hepática ou mais distante do fígado

 

Estadio 0 - Neste estadio as células de cancro estão apenas na camada mais interna do epitélio que contacta com a bílis, também denominado carcinoma in situ porque está no seu sítio;

Estadio I - Neste estadio o cancro cresceu em toda a espessura da parede da via biliar;

Estadio II - Neste estadio o cancro espalhou-se para gânglios linfáticos regionais ou órgãos regionais como a vesícula, o pâncreas, o intestino delgado ou outros órgãos;

Estadio III - Neste estadio o cancro espalhou-se para as artérias e veias de grande calibre do abdómen;

Estadio IV - Neste estadio o tumor espalhou-se (disseminou-se) para órgãos à distância.

 

O cancro da via biliar também pode ser separado duma forma mais prática conforme a forma como é tratado:

  • Localizado e operável - Este cancro pode ser totalmente removido pelo cirurgião
  • Não operável ou metastizado - Este cancro já não pode ser tratado por cirurgia e deve ser acompanhado pela oncologia médica
Tratamento
Tendo em conta o estadiamento

A equipa clínica multidisciplinar avaliará o melhor tratamento a seguir, tendo em conta o estadiamento da doença, a localização do tumor e o seu estado geral de saúde:

Cancro localizado e operável – a opção de tratamento é a cirurgia de intenção radical e eventualmente radioterapia;

Não operável ou metastizado – a opção de tratamento passa pela cirurgia paliativa e geralmente a quimioterapia. A radioterapia é utilizada em situações específicas.

 

A Radioterapia nos carcinomas das vias biliares pode ser aplicada em casos após a cirurgia, com o intuito de reduzir a sua re-incidência.

 

     

      Cirurgia de intenção radical 

      - A cirurgia de intenção radical do cancro da via biliar pode consistir nos seguintes procedimentos cirúrgicos:

      • Remoção da via biliar - Nesta cirurgia remove-se a parte doente da via biliar. É um procedimento cirúrgico utilizado em casos de cancro inicial
      • Hepatectomia parcial - Nesta cirurgia remove-se a parte do fígado que tem cancro
      • Duodenopancreatectomia cefálica (DPC) ou cirurgia de Whipple - Nesta cirurgia são removidos a cabeça do pâncreas, a vesícula biliar, parte do estômago, parte do intestino e a via biliar
      Cirurgia Paliativa

      - A cirurgia paliativa ou técnicas locais endoscópicas do cancro da via biliar pode consistir nos seguintes procedimentos cirúrgicos:

      • Bypass biliar - Cirurgia em que não se remove o cancro mas na qual se faz uma derivação ou bypass ao tumor;
      • Colocação de prótese biliar - Colocação dum tubo na via biliar que impede que a mesma colapse e o doente fique com icterícia.

      Follow-up

      Os doentes que tiveram cancro da via biliar poderão ser seguidos pelo oncologista ou pelo cirurgião no caso de terem sido operados. O follow-up consiste geralmente por observação em consulta, sendo habituamente solicitados exames de imagem e análises de sangue, consoante a decisão do clínico.