Vírus Shamonda: o que se sabe sobre a infeção em humanos e animais

Prevenção e bem-estar
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Detetado em bovinos na Europa em 2026, o vírus Shamonda foi identificado num humano pela primeira vez. Saiba mais sobre sintomas e riscos para a saúde.

O vírus Shamonda (SHAV) é um vírus que afeta principalmente animais, sobretudo bovinos, e pertence ao género Orthobunyavirus, do serogrupo Simbu. A sua transmissão está associada a insetos picadores do género Culicoides. Identificado pela primeira vez na Nigéria, em 1965, este vírus tem sido estudado pelo seu impacto na saúde animal, estando associado a alterações no desenvolvimento fetal, nomeadamente curvatura da coluna vertebral e lesões do sistema nervoso central, bem como a abortos e outras complicações durante a gestação, em diferentes espécies animais.

 

Quais os sintomas do vírus Shamonda e que animais afeta?

Após os primeiros registos em África e a sua deteção no Japão, o vírus Shamonda voltou a ser identificado em junho de 2026, em explorações de bovinos no leste de França. Nos animais afetados, foram observados os seguintes sinais clínicos:

  • Febre;
  • Perda de apetite;
  • Cansaço e letargia (diminuição da atividade e do estado de alerta);
  • Diarreia;
  • Diminuição significativa da produção de leite.

 

O período de incubação do vírus é estimado entre dois e cinco dias. Nas semanas seguintes, foram também registados casos noutros países europeus e em diferentes espécies animais.

 

Prevenção e controlo nos animais

Segundo a Direção Geral de Alimentação e Veterinária, a circulação do vírus em Portugal abrange já vários distritos do Centro a Sul do país, nomeadamente, casos em Bragança, Lisboa, Beja, Évora, Portalegre e Setúbal. Atualmente, não existe uma vacina nem um tratamento específico para o vírus Shamonda. A principal estratégia de controlo passa pela redução da exposição dos animais aos insetos vetores, através de medidas de proteção e de gestão dos locais onde estes se desenvolvem. A vigilância veterinária é também importante para identificar precocemente possíveis casos e acompanhar a evolução da circulação do vírus.

 

O vírus Shamonda pode infetar seres humanos?

Até recentemente, o vírus Shamonda era conhecido sobretudo pelo seu impacto na saúde animal, não existindo casos documentados de infeção humana. Em outubro de 2026, as autoridades de saúde francesas confirmaram a primeira deteção documentada do vírus Shamonda num ser humano. O caso envolveu um doente com imunossupressão grave, acompanhado num hospital de Lyon devido a uma doença grave, que acabou por falecer no início do mês. Segundo as investigações realizadas, as complicações cerebrais observadas antes da sua morte estavam muito provavelmente associadas à infeção pelo vírus.

No entanto, importa salientar que se trata de um único caso documentado. Além disso, embora as complicações neurológicas tenham sido consideradas provavelmente relacionadas com a infeção, a relação causal entre o vírus e a morte do doente ainda não está definitivamente estabelecida.

A hipótese atualmente em investigação aponta para uma possível transmissão através da picada de um inseto do género Culicoides, numa região do leste de França onde o vírus circulava em animais durante a primavera e o verão de 2026. No entanto, a informação científica disponível sobre a infeção humana continua a ser limitada, não estando totalmente esclarecidos os possíveis sintomas, a evolução da doença e os fatores que podem influenciar a sua gravidade.

 

Qual é o risco para a população em geral?

As investigações clínicas, laboratoriais e epidemiológicas continuam em curso, seguindo uma abordagem de Saúde Única (One Health), que integra a saúde humana, animal e ambiental. Apesar deste caso, as autoridades francesas indicam que, com base no conhecimento atual, não foi identificado um risco para a população em geral.

Até ao momento, não existe evidência de transmissão entre pessoas, sendo ainda prematuro caracterizar de forma consistente os sintomas e a evolução da infeção em humanos. Importa também distinguir os efeitos do vírus nos animais, incluindo as malformações fetais, dos eventuais efeitos em seres humanos, relativamente aos quais ainda não existe evidência científica suficiente para estabelecer conclusões.

A identificação do vírus Shamonda num ser humano representa um achado relevante do ponto de vista clínico e epidemiológico, justificando a continuidade da investigação científica e da vigilância da sua circulação em animais e humanos. No entanto, a identificação de um vírus de origem animal num ser humano não significa, por si só, que este represente uma nova ameaça significativa para a saúde pública. A interpretação deste caso deve ter em conta a informação científica ainda limitada e o facto de se tratar, até ao momento, de um único caso documentado. A continuidade da investigação será fundamental para compreender melhor o potencial impacto do vírus na saúde humana.

Fontes

Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV)

Euronews

Ministère de l’Agriculture, de l’Agro-alimentaire et de la Souveraineté alimentaire

National Library of Medicine, National Center for Biotechnology Information

Veterinaria Italiana

Publicado a 23/10/2026
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