Lesões da cartilagem do tornozelo

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A cartilagem da articulação do tornozelo apresenta uma superfície suave e firme que permite movimentos suaves. A lesão dessa cartilagem pode conduzir a uma lesão das superfícies articulares.

 

As lesões da cartilagem do tornozelo podem resultar de um traumatismo ou de um processo degenerativo.

 

No jovem, os traumatismos ocorrem em desportos como o futebol ou andebol, muitas vezes com entorse associada, e, nestes casos, um fragmento de cartilagem (1 a 2 cm de diâmetro) destaca-se da restante superfície, permanecendo os seus bordos intactos. Desde que o osso esteja íntegro e exista boa capacidade de regeneração, este tipo de lesão responde muito bem ao tratamento.

 

As lesões degenerativas, resultantes de um stress continuado ao longo de muito tempo, têm uma evolução mais desfavorável. Nestes casos, ocorre inicialmente um amolecimento da cartilagem, com formação de fissuras, redução da espessura da cartilagem que se torna frágil e friável.

 

Quando este processo se instala, uma recuperação espontânea deixa de ser possível. Embora nem sempre a dor seja significativa, estas situações são graves e devem ser tratadas nas suas fases iniciais. Nas fases mais avançadas, o tratamento da lesão e o alívio da dor obrigam, com frequência, ao recurso a próteses articulares.

As lesões da cartilagem podem variar na sua dimensão, localização e profundidade. Os sintomas irão variar em função desses parâmetros.

 

Quando a lesão da cartilagem é extensa, ocorre dor intensa, inchaço e rigidez da articulação.

 

Se um fragmento de cartilagem se soltar, pode ficar preso entre as superfícies articulares, bloqueando o seu movimento e causando dor e incapacidade na marcha.

O tornozelo está frequentemente envolvido em acidentes de trabalho e as lesões da cartilagem ocorrem na sequência de entorses. Como tal, os fatores de risco para estas lesões são idênticos aos descritos para as entorses do tornozelo.

 

Como esta cartilagem é fracamente vascularizada e apresenta reduzido potencial de regeneração no adulto, o tratamento é essencial para se controlar a dor e o inchaço e para se conseguir uma recuperação total.

O exame médico e a história clínica fornecem elementos essenciais para o diagnóstico.

 

A radiografia é importante para excluir fraturas mas não permite detetar as alterações na superfície da cartilagem.

 

Estas alterações serão melhor avaliadas através da ressonância magnética.

A imobilização associada ao uso de medicamentos anti-inflamatórios é muito útil.

 

Desde que possível, a fisioterapia deve ser incorporada o mais cedo possível para acelerar o regresso ao trabalho ou à prática desportiva. Essa fisioterapia engloba exercícios de força e flexibilidade e o uso de ultrasons.

 

Quando a inflamação é acentuada, a injeção de cortisona na articulação do tornozelo é muito útil.

 

Se os sintomas persistem ou se a lesão da cartilagem é extensa e profunda, com fragmentos encarcerados na superfície articular, a cirurgia está indicada. A cirurgia permite remover fragmentos soltos, reparar a cartilagem ou, quando tal não é possível, estimular uma resposta do osso de modo a que se forme um tecido que simule a cartilagem.

 

Após a cirurgia segue-se um período de imobilização e de recurso a canadianas durante cerca de duas semanas, ao qual se sucederá todo um programa de fisioterapia.

 

O regresso às atividades anteriores à lesão é, de um modo geral, possível 4 a 6 semanas após a cirurgia.

 

O prognóstico das lesões da cartilagem é bom, embora possam ocorrer evolução para artrite, sobretudo quando existe perda de cartilagem e formação de tecido cicatricial.

Sendo as causas das lesões da cartilagem semelhantes às das entorses, a prevenção é idêntica e passa pela adequada manutenção da força, flexibilidade e equilíbrio da articulação do tornozelo.

 

No caso do desporto, é essencial um correto aquecimento e a definição de programas de treino específicos para cada modalidade e utilizar calçado adequado que deve ser substituído quando o desgaste na sola é visível.

 

No caso da corrida, devem-se evitar superfícies muito irregulares.

 

Sempre que ocorrem sinais de fadiga, o descanso é crucial.

Fontes

American Academy of Family Physicians

Mayo Clinic, 2008

American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2007

Familydoctor.org, Dez. 2010

American Orthopaedic Foot & Ankle Society

Pedro Saraiva, Reabilitação das instabilidades crónicas do tornozelo, Rev. Medicina Desp. in forma, 1 (6): 18-20, 2010,

Vítor Moreira e col., Entorses Do Tornozelo: do Diagnóstico ao Tratamento, Perspectiva Fisiátrica, Acta Med Port 2008; 21: 285-292

American College of Foot and Ankle Surgeons, 2009

The Regents of The University of California, 2012

Thomas W. Kaminski e col., Factors Contributing to Chronic Ankle Instability: A Strength Perspective, J Athl Train. 2002 Oct-Dec; 37(4): 394–405

Marc Reis e col., A Instabilidade Crónica da Articulação Tibio-Társica: Etiologia, Fisiopatologia e Métodos de Medição e Avaliação, Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desport, 6 (1): 6-16