Hérnia do desportista

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Também conhecida como “pubalgia” ou “hérnia do atleta” é uma situação descrita há várias décadas, sendo um dos diagnósticos diferenciais a colocar no estudo de síndromes pubálgicos, presentes em alguns atletas.

A hérnia inguinal do desportista resulta de uma fraqueza da parede posterior do canal inguinal mas, ao contrário do quadro anterior, aqui não existe uma hérnia detetável no exame físico. Trata-se de uma lesão musculotendinosa na região inguinal.

É uma lesão dolorosa dos tecidos moles na região da virilha que, quase sempre, ocorre durante uma prática desportiva que implica mudanças súbitas de direção ou movimentos de torção.

Embora a hérnia do desportista possa evoluir para uma hérnia tradicional, trata-se de um tipo diferente de lesão, resultante de uma laceração num tecido mole (músculo, tendão ou ligamento) na região abdominal inferior ou zona da virilha. Os músculos mais afectados nesta lesão os oblíquos da parede abdominal inferior bem como os seus tendões. Uma das zonas mais afectadas é o local de inserção dos tendões dos músculos adutores da coxa no osso púbico enquanto a hérnia tradicional ocorre no canal inguinal. Em 12% dos casos é bilateral. Os homens são afectados mais frequentemente do que as mulheres.

Este quadro afecta 0,5 a 6,2% dos atletas, dos quais 58% são futebolistas profissionais. Os jogadores de hóquei no gelo tendem a ter, pelo menos, um episódio por temporada.

A hérnia do desportista manifesta-se por uma dor intensa na região da virilha no momento da lesão. Essa dor tende a melhorar com o descanso e recomeça com a actividade desportiva, sobretudo com os movimentos de torção. A dor torna-se mais intensa durante a actividade desportiva e agrava-se com a tosse ou espirros e com o acto de pontapear, no caso do futebol. Essa dor pode irradiar para os testículos. Nesta hérnia não é visível uma saliência na virilha, ao contrário da hérnia inguinal. Contudo, a hérnia do desportista pode evoluir para uma hérnia inguinal.

Esta condição não cede a tratamento fisioterápico, nem com as medidas de repouso, obrigando muitas vezes a que o atleta a parar a sua prática desportiva, por semanas ou até meses. Se esta lesão não for tratada, poderá tornar-se crónica, com dor permanente que impede a prática de desporto.

As atividades desportivas que implicam a colocação do pé no solo e movimentos de torção são as mais frequentemente envolvidas nas lesões dos tecidos moles no abdómen inferior ou na virilha. As mudanças súbitas de direção e os movimentos de pé estão igualmente associados a este tipo de hérnia. Alguns dos desportos mais frequentemente associados a esta lesão são o hóquei sobre gelo, luta livre, ténis e futebol.

Não são apenas os desportistas profissionais os afectados por esta lesão. Ela pode ocorrer em qualquer nível de actividade física.

Um outro factor de risco é a existência de um desequilíbrio entre a força dos membros inferiores e a dos abdominais inferiores. A existência de planos de treino que negligenciem os oblíquos abdominais pode contribuir para este problema.

Como não existe uma saliência visível ou palpável, o diagnóstico é mais difícil e baseia-se no exame médico, com realização de alguns testes físicos. A radiografia, a tomografia computorizada e a ressonância magnética permitem obter informações adicionais e excluir outras lesões. A ecografia é também muito eficaz neste diagnóstico.

O tratamento centra-se no repouso e no uso de gelo durante sete a dez dias. Após duas semanas, deve-se iniciar fisioterapia para aumentar a força e a flexibilidade dos músculos abdominais e da coxa.

O gelo deve ser aplicado durante períodos de 20 minutos, três a quatro vezes por dia. Os anti-inflamatórios ajudam a reduzir a dor e a inflamação. Se os sintomas persistirem, poderá ser importante a injecção de corticoides no local da lesão.

Na maioria dos casos, o tratamento durante quatro a seis semanas permite uma recuperação completa. Se a dor regressar quando forem retomadas as práticas desportivas, dever-se-á ponderar a opção cirúrgica.

A cirurgia permite a reparação dos tecidos lesados e pode ser realizada pelo método tradicional ou pela laparoscopia, menos invasiva e que permite uma recuperação mais rápida.

Em alguns casos, o nervo inguinal é seccionado durante a cirurgia para reduzir as dores. Noutros casos de dor persistente, o tendão que une os músculos adutores da coxa ao osso púbico é seccionado de modo a aliviar a tensão e a aumentar a amplitude de movimentos. Após a cirurgia é definido um plano de reabilitação que, de um modo geral, permite o retomar da prática desportiva 6 a 12 semanas depois. Em alguns casos, a hérnia do desportista pode ocorrer de novo obrigando a outra cirurgia.

A prevenção passa por um treino adequado a cada tipo de desporto, com exercícios de força e de flexibilidade. Esse treino deve proporcionar um equilíbrio entre os músculos abdominais e os das pernas, de modo a que a distribuição de esforço seja equitativa.

Fontes

American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2013

Mayo Foundation for Medical Education and Research, Agosto 2010

Johns Hopkins Department of Orthopaedic Surgery, 2012

Irmran M. Omar e col., Athletic Pubalgia and “Sports Hernia”: Optimal MR Imaging Technique and Findings, September 2008 RadioGraphics, 28, 1415-1438

Dave Kohlrieser, Sports Hernia Rehabilitation and Return to Sport

Isabela de Souza Falchetti e col., Pubalgia Crônica: Uma Abordagem Fisioterapêutica, 2004

Conteúdo elaborado com o apoio de InfoCiência