Cegueira

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Define-se como a ausência de perceção visual provocada por um defeito do globo ocular e/ou neurológico. Numa perspetiva legal, a cegueira existe quando o melhor olho tem uma acuidade visual inferior a 1/10 e/ou o campo visual é inferior a 10º.

Com o aumento da esperança de vida, verifica-se uma tendência para um aumento do número de pessoas cegas. Estima-se que em 2020 existam 75 milhões em todo o mundo. De facto, o aumento da população global, da esperança de vida e a inexistência de cuidados de saúde oftalmológicos adequados, são as principais causas para o aumento destes números. A prevalência aumenta depois dos 60 anos e 90% dos casos ocorrem nas nações mais pobres.

A cegueira infantil é um problema ainda dramático nos países subdesenvolvidos, estimando-se que existam cerca de 1,4 milhões de crianças cegas, 90% das quais em lugares com mais necessidades.

Pode-se considerar uma pessoa cega quando não possui potencial visual mesmo podendo, por vezes, ter uma perceção de luminosidade.

No que se refere ao momento da sua instalação, pode ser congénita (dos zero a um ano de idade); precoce (um ano aos três); adquirida (após os 3 anos).

Na cegueira congénita não existem referenciais visuais (imagem mental) e, como tal, o paciente possui uma representação intelectualizada do ambiente (cores, perspetivas, volumes, relevos) sem possuir um conceito visual.

Na cegueira adquirida, o indivíduo dispõe de todo o património visual anterior à cegueira e, por isso, existe a capacidade de representação de um objeto ou de um ambiente por analogia.

A cegueira parcial (também referida como legal ou profissional) engloba as pessoas capazes apenas de contar dedos a uma curta distância e os que só percebem vultos.

Mais próximos da cegueira total, estão os que apenas apresentam perceção da luz ou projeções luminosas. No primeiro caso, há apenas a distinção entre claro e escuro; no segundo o indivíduo é capaz de identificar a direção de onde provém a luz. A cegueira total, ou amaurose, corresponde à perda completa de visão.

Manifesta-se pela incapacidade em ver. Dependendo do grau pode ocorrer total ausência de visão ou perceção de luzes, movimentos ou vultos. A forma como é vivida depende do momento da sua instalação e da existência ou não de experiências visuais anteriores.

A cegueira ocorre sempre que existe uma deficiência grave e profunda nos olhos, nas estruturas nervosas que conduzem as imagens até ao cérebro ou neste. Portanto, a causa pode ser muito diversa e engloba traumatismos, doenças, malformações, desnutrição, para lá das formas congénitas e hereditárias.

É importante saber que cerca de 80% das causas podem ser prevenidas ou tratadas. A catarata e os erros refrativos (miopia, astigmatismo, hipermetropia) continuam a ser a causa mais frequente, correspondendo a cerca de dois terços dos casos em todo o mundo. Sendo situações de abordagem simples, é importante que sejam implementados planos globais para o seu tratamento. O glaucoma e a retinopatia diabética são duas outras importantes causas de cegueira para as quais existem recursos terapêuticos muito eficazes, desde que iniciados precocemente. O tracoma (infeção ocular de causa bacteriana) e o défice em vitamina A (que se previne com dietas adequadas), são característicos de sociedades pobres, representam cerca de 15% dos casos de cegueira e são de fácil prevenção. Já a degenerescência macular relacionada com a idade (DMI), a retinopatia pigmentar e as anomalias congénitas do aparelho visual são mais difíceis de prevenir e de tratar.

A DMI tem vindo a aumentar de prevalência nas sociedades mais desenvolvidas, onde a esperança de vida é maior, e, felizmente, têm surgido novos tratamentos que atrasam a sua progressão e, em muitos casos, conseguem regredir as alterações já presentes.

O diagnóstico é clínico, realizado pelo médico oftalmologista, por vezes em colaboração com outras especialidades como a Neurologia, Neurocirurgia, Endocrinologia ou Medicina Interna. Existem diversos exames que podem ser solicitados tendo em conta as causas: desde testes oftalmológicos, laboratoriais ou estudos de imagem.

Atualmente, a tecnologia permite uma investigação muito rigorosa e detalhada do globo ocular e de todo o sistema visual, permitindo visualizá-lo em pormenor e analisar a sua função.

A maioria das causas, como as cataratas ou os erros de refração, é facilmente tratável. Para a catarata, o tratamento é cirúrgico e relativamente simples. Para a miopia, astigmatismo e hipermetropia, podem ser utilizados óculos ou lentes de contacto. O glaucoma é atualmente controlado com colírios. A retinopatia diabética pode ser abordada com medicamentos. Nestes casos, uma cirurgia a laser pode resolver o problema. Já a DMI pode ser controlada com medicamentos intraoculares ou com cirurgia. Para todos estas situações, a chave do sucesso está num diagnóstico correto e o mais precoce possível, de modo a evitar que as doenças evoluam e causem danos irreparáveis.

Nas formas intratáveis de cegueira, existem meios auxiliares que permitem potenciar a visão residual, oferecendo alguma qualidade de vida e de visão.

No plano social, é importante perceber que uma pessoa invisual é um elemento plenamente válido, capaz de desempenhar inúmeras funções com elevada qualidade e eficiência. A integração destes indivíduos na sociedade é um imperativo moral e social do qual todos poderão beneficiar e deve ser encarada como uma extensão do tratamento médico.

O diagnóstico precoce e o tratamento correto permitem, num grande número de casos, evitar a cegueira.

Infelizmente, para muitas populações não existem ainda as condições que permitam melhorar a higiene, a nutrição e o acesso aos cuidados de saúde essenciais. Elementos fundamentais de prevenção são uma consulta regular de Oftalmologia, uma adequada alimentação, o respeito pelas regras de segurança no trabalho, o uso de óculos escuros devidamente certificados e um adequado controlo da diabetes e da pressão arterial. De todos, o aspeto elementar é o rastreio sistemático, a única forma de se diagnosticar e tratar precocemente as doenças que a podem causar.

Vale a pena reter que a cegueira não é uma doença em si mas a consequência de uma enfermidade ou perturbação que, na maior parte dos casos, não foi devidamente controlada. Tratando essas doenças, a cegueira pode ser eficazmente prevenida.

Fontes

Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, 2014

Manual Merck online, 2013

Patrícia Ribeiro Brito e col., Causas De Cegueira e Baixa Visão em Crianças, Arq. Bras. Oftal. 63(1), Fev. 2000: 49-54

Sociedade Brasileira de Oftalmologia, 2013