Bursite

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A bursite corresponde a uma inflamação de uma bursa (ou bolsa), uma espécie de almofada que se situa entre o osso e a pele, amortecendo os impactos no cotovelo. Essa bolsa contém um fluido que reduz o atrito e facilita o movimento da pele sobre o osso subjacente.

A bolsa do olecrânio situa-se entre a pele e uma saliência óssea do osso cúbito, na região posterior do cotovelo, designada como olecrânio.

Normalmente, essa bolsa é achatada. Se estiver irritada ou inflamada, acumula-se mais fluido no seu interior e ocorre bursite.

Como a bolsa do olecrânio é a maior do cotovelo, a sua lesão associa-se a uma importante compromisso da função desta articulação.

Quando a bursite é causada por um traumatismo, o cotovelo incha rapidamente. Quando esse processo é mais lento corresponde a uma lesão repetida, na qual ocorre pressão pelo uso do cotovelo como apoio para o peso do corpo.

O cotovelo pode ficar doloroso, sensível ao toque ou incapaz de se movimentar normalmente.

Caso a pele esteja vermelha e quente, pode ser sinal de uma infeção. Se essa infeção não for tratada, ela pode disseminar-se pela corrente sanguínea para outros locais do corpo. Pode também ocorrer a drenagem espontânea de pus a partir de uma bolsa infetada.

A dor e o inchaço prolongados limitam o movimento, causando debilidade motora e atrofia muscular. Os acessos de bursite crónica podem durar de alguns dias a várias semanas e, com frequência, ocorrem recaídas.

Muitas vezes, o primeiro sintoma é o inchaço mas, como a pele nesta área do cotovelo é muito laxa, uma pequena acumulação de líquido e de inchaço pode não ser notada imediatamente.

Na presença de um trauma ou de um apoio prolongado sobre a bursa, esta pode ficar inflamada, facto bastante comum em profissões que implicam um apoio repetido do corpo sobre o cotovelo, como os pintores ou os condutores de camião que repousam o cotovelo contra a janela.

Embora existam outras pequenas bolsas na área do cotovelo, a bolsa do olecrânio é a mais proeminente e, por isso, é a mais afetada na prática desportiva. A sua localização, mesmo na ponta do cotovelo, torna-a também mais vulnerável.

No contexto do desporto, esta bursite é causada mais frequentemente por um trauma agudo, como uma queda.

Embora a bursite possa resultar do uso excessivo de uma articulação de maneira crónica ou de um trauma, existem outras causas, como uma ferida, a gota, a pseudogota, a artrite reumatóide ou infeções.

De facto, uma infeção na extremidade do cotovelo, como uma picada de inseto ou uma ferida, permite a entrada de bactérias que alcançam a bolsa infetando-a.

Muitas vezes, a causa não é identificada.

 

O exame médico é importante. A presença de uma zona na ponta do cotovelo dolorosa à palpação e a ocorrência de dor com alguns movimentos específicos da articulação são sinais muito sugestivos da presença de bursite do cotovelo.

Se a bolsa estiver muito inchada, o médico pode extrair com uma agulha e uma seringa uma amostra do líquido da bolsa para fazer análises que ajudem a determinar as causas da inflamação (como uma infeção ou a gota).

As radiografias não costumam ser úteis, a menos que existam depósitos de cálcio. Como tal, este tipo de exame será importante para excluir outros problemas associados.

Quando o inchaço se desenvolve gradualmente, não é muito grande e não ocorreu trauma, algumas medidas podem ser usadas, como a interrupção das atividades que exercem pressão sobre o cotovelo, o uso de gelo durante 15 a 20 minutos, três ou quatro vezes ao dia e a elevação do cotovelo acima do nível do coração.

Se os sintomas persistirem, o cotovelo estiver vermelho, a dor aumentar ou tiver ocorrido um trauma, é importante procurar um médico para excluir uma fratura associada.

Os anti-inflamatórios são igualmente úteis e, em alguns casos, poder-se-á recorrer à infiltração de corticóides ou à aspiração do seu conteúdo.

A cirurgia envolve a remoção da bolsa e implica um curto período de imobilização para proteção da pele. Poderá ser recomendado algum tempo de fisioterapia de modo a melhorar a mobilidade do cotovelo. Como regra, a pele cicatriza em 10 a 14 dias e, após 3 a 4 semanas, poderá ser utilizado sem restrições embora deva ser protegido durante alguns meses para prevenir recaídas ou novas lesões.

Nos casos de bursite aguda, a toma de um corticóide por via oral, como a prednisona, durante alguns dias ajuda a aliviar a dor. Quando ela diminui, a prática de exercícios específicos é útil para aumentar o grau do movimento articular.

O tratamento da bursite crónica é semelhante, embora seja menos provável que o repouso ou a imobilização sejam eficazes.

As bursites que limitam a função da articulação podem ser aliviadas por meio de várias injeções de corticóides juntamente com uma fisioterapia intensiva, para restabelecer o funcionamento da articulação. Os exercícios ajudam a reforçar os músculos enfraquecidos e restabelecem o grau completo do movimento articular.

A bursite é, com frequência, recorrente se não for corrigida a causa subjacente, como a gota, a artrite reumatóide ou o uso excessivo crónico da articulação.

Na presença de infeção, os antibióticos são essenciais, por via oral ou injetados diretamente na bolsa.

A prevenção passa por evitar submeter o cotovelo a situações de pressão excessivas.

Fontes

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Mayo Foundation for Medical Education and Research, Jan 2013

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