Verdades e mitos sobre doenças cardiovasculares
Coração
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Existem vários mitos sobre doenças cardiovasculares que, pela sua saúde, devem ser esclarecidos. Aprenda a distingui-los dos factos.

Ataque cardíaco, arritmia, falência cardíaca, acidente vascular cerebral. As doenças cardiovasculares (que afetam os vasos sanguíneos e o coração) são a principal causa de morte no mundo e em mais de metade na Europa, revela a Organização Mundial da Saúde. Contudo, apesar de este ser um tipo de doença tão comum, ainda há muitas ideias que as pessoas têm acerca dela e que não passam de mitos. E aquilo em que as pessoas acreditam acaba por influenciar a forma como lidam com a sua saúde, desde os seus hábitos de estilo de vida à postura que têm perante o tratamento.

 

Quais são os fatores de risco?

As doenças cardiovasculares podem ter na sua origem diversos fatores de risco, desde genéticos, fisiológicos, comportamentais ou do meio. Estes dividem-se essencialmente em dois grupos:

 

  • Imutáveis

Estes são fatores de risco coronário, considerados fixos, como é o caso do aumento da idade e de fatores genéticos como a história familiar de doenças cardiovasculares. Quem tem este tipo de doenças ou está em risco de vir a ter, devido a fatores de risco conhecidos (como hipertensão, colesterol elevado, diabetes), deve ser diagnosticado o mais cedo possível e desenvolver estratégias de gestão da doença, como aconselhamento clínico e medicação adequada prescrita pelo médico assistente.

 

  • Controláveis

Dizem respeito a fatores que estão direta ou indiretamente relacionados com o estilo de vida e crenças específicas sobre as doenças e que podem ser alterados, influenciando significativamente a probabilidade de o indivíduo desenvolver este tipo de doença.

  • Hábitos tabágicos
  • Más práticas de regime alimentar
  • Colesterol elevado
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes
  • Obesidade e a distribuição de gordura
  • Consumo excessivo de álcool
  • Sedentarismo

 

Crenças sobre a saúde e a doença

Está provado cientificamente que a forma como pensamos influencia o nosso comportamento, orientando-o. Isto significa que as crenças individuais sobre as doenças têm demonstrado uma forte influência sobre a adoção de mudanças comportamentais e, consequentemente, de estilo de vida.

Relativamente às doenças, estas crenças estão constantemente a ser atualizadas à medida que captamos novas informações dos meios de comunicação, das redes sociais e das práticas de saúde dos que nos rodeiam. Contudo, muitas vezes estas informações são distorcidas ou erradas e podem ter um efeito negativo na forma como se lida com a saúde em geral e com a doença em particular.

 

3 Mitos sobre doenças cardiovasculares

Algumas das crenças existentes relativamente às doenças cardíacas são erradas, o que pode ter um efeito negativo no que se refere, por exemplo, à procura de cuidados de saúde, à adoção de comportamentos saudáveis ou até na qualidade de vida dos indivíduos. Estas estão muitas vezes associadas por exemplo aos fatores que causaram a doença e sobre como devem modificar os seus comportamentos para lidar com a mesma. O resultado pode ser um impacto negativo na sua saúde. É por isso importante desmistificar algumas dessas ideias que são partilhadas e reforçadas no contexto social.

 

1 "O descanso é o melhor remédio para as doenças de coração"

Por vezes, o descanso é confundido com inatividade, conduzindo a níveis de sedentarismo que são prejudiciais para as doenças cardiovasculares. O doente deve esclarecer-se junto dos profissionais de saúde de forma a conseguir ajustar a prática de atividade física à sua condição clínica, de acordo com os conselhos do seu médico assistente.

 

2 "O stress é o principal responsável pela minha doença"

Sendo conhecida a relação entre níveis de stress e probabilidade de ocorrência de doenças, é importante clarificar que é difícil conceber uma vida sem stress. Por isso, este é muitas vezes "o responsável" quando o que está na base do episódio de doença são os comportamentos que adotamos para lidar com o stress, desde fumar, beber ou ter uma alimentação pouco saudável. Devemos investir em estratégias para geri-lo e na adoção de comportamentos saudáveis.

 

3 “Para ser saudável tenho de fazer desporto"

Há uma diferença muito importante entre desporto e atividade física. O objetivo principal da atividade física prende-se com a promoção de um estilo de vida saudável e a manutenção da saúde. Esta atividade deve ser ajustada à condição física e características do indivíduo e definida a partir da avaliação por um profissional qualificado.

 

É importante discutir estas ideias com os profissionais de saúde para que possam ser desmistificadas, de forma a promover uma recuperação mais rápida e positiva nos pacientes e promover comportamentos saudáveis na comunidade.