Enfarte do miocárdio

Ataque cardíaco
O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É a designação também dada a um “ataque cardíaco”. Ocorre quando uma ou mais artérias que irrigam o coração ficam bloqueadas e este órgão não recebe sangue e oxigénio nas quantidades que necessita. Nestas condições, as células da área afetada morrem. Um enfarte do miocárdio é uma emergência médica que requer tratamento imediato.

A maioria dos enfartes do miocárdio é causada por coágulos que, por sua vez, resultam do processo de aterosclerose, que envolve estreitamento e rigidez das artérias. A presença de níveis elevados de triglicéridos e de colesterol LDL conduz à formação de placas no interior das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo.

Nas últimas duas décadas, tem-se verificado na população portuguesa uma redução significativa na taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares ou do aparelho circulatório. Mesmo assim, estas patologias são ainda a principal causa de óbito em Portugal, e em todos os países europeus. Em 2011, a taxa de mortalidade por enfarte do miocárdio em Portugal foi de 24,2 casos por 100 mil habitantes, com 4366 mortes.

Pode manifestar-se de diversas formas, por vezes bastante enganadoras. As mais comuns são uma dor em forma de aperto, sensação de peso ou pressão no centro do peito. A dor tende a irradiar para as costas, braço esquerdo, maxilar ou pescoço. A respiração torna-se irregular e rápida, bem como o ritmo cardíaco. Ocorrem tonturas, fraqueza, náuseas e vómitos, sudação e sensação de pânico.

O enfarte do miocárdio resulta da interrupção do fluxo de sangue para o coração com consequente morte do tecido não irrigado. A causa mais comum para esse bloqueio é a aterosclerose. Para ela contribuem fatores como a hipertensão arterial, níveis elevados de colesterol LDL (o “mau” colesterol), acumulação do aminoácido homocisteína, tabaco, diabetes e inflamação crónica.

Noutros casos, o fluxo de sangue até ao coração é interrompido por um espasmo numa artéria coronária.

Os principais fatores de risco são o tabaco, uma dieta rica em gorduras,  presença de níveis elevados de colesterol LDL, falta de exercício físico, excesso de peso, antecedentes familiares de enfarte, diabetes, hipertensão arterial, stress e, no caso das mulheres, a menopausa.

Perante sintomas sugestivos de um enfarte do miocárdio, é essencial recorrer de imediato a um hospital. Quando mais tempo passar, menores são as possibilidades de recuperação. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica, no electrocardiograma e análises ao sangue. Podem ser solicitados exames adicionais, como uma radiografia ao tórax, ecocardiograma ou um cateterismo cardíaco.

O objetivo é restabelecer o fluxo sanguíneo interrompido, de modo a preservar o mais possível o músculo cardíaco e a sua função.

A nitroglicerina tem uma ação vasodilatadora e é útil enquanto se aguarda a chegada da equipa de emergência médica. No hospital, são utilizado medicamentos e/ou técnicas que permitem desbloquear a artéria entupida, como a angioplastia.

No contexto hospitalar, alguns dos medicamentos prescritos são a aspirina, que ajuda a impedir a coagulação do sangue, nitroglicerina, analgésicos, agentes trombolíticos, que dissolvem os coágulos e que devem ser administrados nas primeiras duas horas após o enfarte, e anticoagulantes, como a heparina.

Em certos casos, a cirurgia pode ser necessária. Nela incluem-se os cateterismos seguidos de angioplastia, que consiste na dilatação da artéria ocluída com a colocação de uma estrutura (stent) que a mantém desobstruída, ou um enxerto (bypass) que permite contornar a artéria obstruída e restabelecer o fluxo sanguíneo.

Após a alta hospitalar, são essenciais alterações importantes no estilo de vida (dieta e exercício) bem como o uso de medicamentos que reduzam o risco de novos episódios. Nesses fármacos, incluem-se os inibidores da enzima conversora da angiotensina, que dilatam os vasos sanguíneos, os beta-bloqueantes, que reduzem a frequência cardíaca e a pressão arterial e as estatinas, que ajudam a diminuir os níveis de colesterol. Podem também ser úteis a niacina ou os sequestradores de ácidos biliares, que ajudam a reduzir o colesterol, os fibratos que permitem controlar os níveis de triglicéridos, e os anticoagulantes, que impedem a formação de coágulos.

É possível reduzir o risco de ocorrência de um enfarte do miocárdio deixando de fumar, realizando exercícios aeróbicos (caminhar, nadar, andar de bicicleta) durante, pelo menos, 30 minutos diários, cinco dias da semana, reduzindo os níveis de stress e adotando uma dieta saudável, pobre em gorduras saturadas e rica em fruta, vegetais e cereais. A manutenção de um peso adequado é igualmente muito importante.

Se o paciente tiver hipertensão arterial, diabetes ou colesterol, é essencial tratar e controlar essas condições já que tendem a aumentar o risco de um enfarte.

Fontes

Rui Cruz Ferreira e col., Portugal – Doenças Cérebro-Cardiovasculares em números – 2013, Direção-Geral da Saúde, Setembro de 2013

University of Maryland Medical Center, Maio 2013

Sinais de Alarme de Enfarte Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral: Uma Observação Sobre Conhecimentos e Atitudes, Instituto Nacional De Saúde Dr. Ricardo Jorge Dez 2008

Cristina Gavina e col., Enfarte Agudo do Miocárdio, Hospital de São João, Porto

Sociedade Portuguesa de Cardiologia