Endocardite

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É uma infeção da camada interior do coração (endocárdio).

A endocardite ocorre, de um modo geral, quando uma bactéria ou um microrganismo proveniente de outro local do organismo (como a cavidade oral) se espalha pela corrente sanguínea e adere a áreas lesadas do endocárdio. Se não for tratada, pode danificar ou destruir as válvulas do coração e causar complicações potencialmente fatais.

A lesão característica de endocardite é um coágulo infetado formado por plaquetas e fibrina e que contém outras células. Este  pode localizar-se em qualquer sítio do endotélio, mas frequentemente ocorre nas superfícies das válvulas cardíacas e das próteses valvulares, no caso de doentes operados.

A endocardite é rara em corações normais e, por isso, as pessoas em risco são aquelas que apresentam válvulas do coração já doentes, artificiais (após cirurgia) ou outros tipos de anomalias cardíacas.

Apesar da gravidade da endocardite infeciosa (a sua mortalidade intra-hospitalar varia entre 10% e 26%), a doença é rara, com uma incidência de três a 10 episódios por 100 mil doentes, anualmente.

Pode manifestar-se de um modo gradual ou brusco, dependendo do agente e da doença cardíaca pré-existente. Os sinais mais comuns são febre, suores noturnos, arrepios, alterações na auscultação cardíaca, cansaço, dores articulares e/ou musculares, dificuldade na respiração, palidez, tosse persistente, perda de peso, sangue na urina, dor na região do baço (do lado esquerdo do estômago), pequenas manchas vermelhas na pele (petéquias), nódulos vermelhos e sensíveis subcutâneos nos dedos.

Se não for diagnosticada e tratada, pode causar complicações como lesões e infeções noutros órgãos, como acidente vascular cerebral, falência cardíaca ou morte.

A endocardite ocorre quando um microrganismo entra na corrente sanguínea e se aloja nas válvulas cardíacas previamente danificadas ou no endocárdio. Os microrganismos mais comuns são bactérias, mas também pode ser causada por fungos.

A sua entrada em circulação pode ocorrer após se escovarem os dentes ou durante uma refeição, sobretudo se as gengivas não forem saudáveis. Pelo mesmo motivo, alguns procedimentos de saúde oral podem estar na sua origem.

As doenças da pele, de transmissão sexual ou patologias inflamatórias intestinais podem também ser o ponto de partida para uma endocardite.

O uso de cateteres ou agulhas durante intervenções médicas, a realização de tatuagens ou “piercings” cria igualmente uma oportunidade para a entrada em circulação destes microrganismos, bem como a partilha de seringas e agulhas.

De um modo geral, o sistema imune destrói esses microrganismos e, muitas vezes, eles passam pelo coração sem se fixarem ou causarem doença. Contudo, a presença de uma válvula cardíaca ou outro ponto do tecido do coração lesado criam uma superfície rugosa ideal para os microrganismos se fixarem, multiplicarem e desencadearem doença.

São, portanto, fatores de risco a presença de válvulas cardíacas artificiais (sobretudo no primeiro ano após a sua implantação), doenças cardíacas congénitas, episódios anteriores de endocardite, febre reumática (provoca lesão nas válvulas), e uso de drogas endovenosas (pela partilha de agulhas contaminadas).

A suspeita clínica é possível com base na história e no exame médico. Nesse contexto, a auscultação é muito útil. A endocardite pode simular outras doenças e, por isso, são necessários testes mais precisos que incluem análises ao sangue, ecocardiografia, eletrocardiograma, radiografia torácica, tomografia computorizada ou ressonância magnética.

O tratamento de primeira-linha é feito com antibióticos. Se as válvulas cardíacas estiverem muito lesadas poderá ser necessária cirurgia.

Os antibióticos devem ser administrados por via endovenosa em ambiente hospitalar e devem ser selecionados em função dos resultados dos exames laboratoriais. Como regra, esta terapêutica dura entre quatro a seis semanas e, após estabilização clínica, pode ser continuada em regime ambulatório.

A prevenção passa por uma adequada higiene oral, evitar infeções da pele causadas por tatuagens ou piercings e, sempre que existe lesão cardíaca prévia, fazer profilaxia com antibióticos antes de qualquer intervenção oral ou outras que envolvam as vias aéreas, a pele ou tecidos mais profundos.

Fontes

Mayo Foundation for Medical Education and Research, Agosto 2011

Ana Santos Ferreira, Endocardite infecciosa – uma suspeita sempre presente, Rev Port Med Geral Fam 2013;29:54-60

Profilaxia da Endocardite Bacteriana na Idade Pediátrica, Direcção Geral da Saúde, Dezembro de 2012

The Johns Hopkins University, 2013