Saiba o que é e como evitar a febre da carraça

Prevenção e bem-estar
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As carraças podem transmitir doenças e é na primavera, no verão e no início do outono que estão mais ativas. Conheça os riscos e saiba como se proteger melhor.

Com o bom tempo aumenta a vontade de sair à rua, de passear no campo e de ter mais contacto com a natureza. A subida da temperatura é benéfica — melhora o humor, a imunidade e até a concentração —, mas também traz alguns riscos. No exterior do domicílio, em espaços verdes, é necessário ter cuidado com o terreno, com as plantas e também com alguns animais. As carraças são um desses animais de que nos devemos lembrar quando estamos em locais com vegetação. 

 

Onde se alojam as carraças nos humanos?

As carraças, sendo parasitas, fixam-se à pele para “sugar” o sangue, escolhendo frequentemente zonas do corpo quentes e húmidas, por vezes menos visíveis, como as axilas. Podem depois transmitir diversas infeções, que provocam doenças. A primavera, o verão e o início do outono são os momentos do ano em que esse cuidado mais se justifica, não apenas por estarmos mais tempo na rua, mas também porque as carraças ficam mais ativas com a subida da temperatura. Ainda assim, esta preocupação deve estar presente durante todo o ano.

 

Como são as carraças?

Pertencentes à família dos ácaros, as carraças podem ser acastanhadas, avermelhadas ou pretas, e — na fase em que são mais visíveis a olho nu — ter entre poucos milímetros e mais de um centímetro. Normalmente, desprendem-se do hospedeiro após vários dias a alimentarem-se e, como podem demorar apenas algumas horas a transmitir os agentes patogénicos para a corrente sanguínea, devem ser removidas da pele o mais rapidamente possível.

Carraça a morder a pele de um humano.

Que doenças provocam as carraças?

Em Portugal, a principal doença provocada pelas carraças é a febre escaro-nodular ou botonosa, mais conhecida como febre da carraça. Menos frequente, mas também endémica, existe a borreliose de Lyme, ou doença de Lyme. Ambas as doenças têm tratamento eficaz desde que sejam diagnosticadas atempadamente.

Outras doenças menos comuns associadas às carraças são a encefalite transmitida por carraças, a febre recorrente transmitida por carraças, a anaplasmose humana e a febre hemorrágica Crimeia-Congo. Estas doenças são mais graves, potencialmente fatais e, apesar de serem mais raras, também ocorrem em território português.

 

Sabia que...

Existem centenas de espécies de carraças, mas apenas cerca de 20 espécies em Portugal. As diferentes doenças estão normalmente associadas a géneros ou grupos específicos destes parasitas.

 

O que provoca a febre da carraça?

A carraça pode ficar várias horas, ou dias, a alimentar-se do sangue sem ser detetada. Os sintomas de febre da carraça também demoram algum tempo a surgir — incubação da doença de uma a três semanas — e assemelham-se aos da gripe, como febre, cansaço e dor de cabeça. Sinal importante para o diagnóstico é encontrar a zona da picada: nota-se uma pequena lesão que cresce alguns centímetros, além de erupção cutânea ou vermelhidão numa zona mais alargada, que pode estender-se a outras zonas do corpo.

 

O perigo está nas carraças?

Apesar de a febre da carraça surgir devido à picada, este é apenas um vetor dos agentes infecciosos que causam a doença, tratando-se de uma transmissão indireta. A febre da carraça é causada pela bactéria Rickettsia conorii, que pode estar presente nas mandíbulas e glândulas salivares das carraças. Normalmente, são necessárias várias horas — entre seis a 20 — para que a parasitação (a transferência de sangue para a carraça) permita a passagem da bactéria para o corpo do hospedeiro.

 

O que atrai as carraças?

Ao contrário das pulgas, que podem saltar facilmente para o hospedeiro, as carraças deslocam-se mais lentamente. Ainda assim, conseguem detetar a presença de pessoas ou animais, através de vibrações na vegetação, e tentam aproximar-se do local onde estes estão ou cruzar-se com os mesmos durante a sua passagem. As carraças sobem facilmente pela roupa ou diretamente pela pele, podendo encontrar logo um local para a picada ou fazê-lo mais tarde. Florestas, charnecas, zonas húmidas, prados ou jardins — incluindo os jardins das casas particulares — são os locais onde é mais fácil ter contacto com carraças.

 

Picada de carraça: o que fazer

Para retirar uma carraça da pele, convém ter especial cuidado para que a cabeça e mandíbulas não se desprendam do resto do corpo. Para tal, é recomendado:

  • Usar uma pinça ou o polegar e indicador — neste caso, com papel ou algodão para não haver contacto direto, de forma a evitar a possível contaminação; 
  • Segurar a carraça no ponto mais perto possível da pele; 
  • Puxar na vertical, para facilitar a saída da cabeça;
  • Repetir o processo caso a cabeça ou as pinças tenham ficado agarradas;
  • Limpar bem o local da picada com água e desinfetante.

 

O mais importante após retirar a carraça é estar atento ao aparecimento de sintomas e ir monitorizando diariamente o local, para detetar alterações na pele.

 

Sabia que...

As carraças podem ser particularmente perigosas nas crianças e em adultos ou idosos com o sistema imunitário debilitado. Caso haja suspeita de contacto ou apenas como prevenção, podem ser procuradas no couro cabeludo, principalmente atrás das orelhas ou na linha do cabelo.

 

Quando procurar ajuda médica?

Nem todas as carraças estão infetadas e quando se identificam rapidamente — no próprio dia em que houve contacto com a natureza, por exemplo — o risco de infeção é reduzido. No entanto, além da febre da carraça e das suas diferentes estirpes, existem várias doenças das quais as carraças podem ser vetores. Assim, é aconselhável contactar o médico assistente se:

  • A picada foi numa criança ou idoso;
  • For provável que a carraça tenha estado várias horas ou até um dia inteiro agarrada à pele;
  • Começou a notar uma erupção cutânea vermelha no local de uma picada;
  • Foi picado e está a desenvolver sintomas semelhantes aos de gripe;
  • Tem febre; 
  • Sente dor ou surgiram bolhas na zona da picada.

 

Picada de carraça: como tratar

Durante a consulta com o médico, é importante não esquecer de referir que esteve ao ar livre e foi provavelmente picado por uma carraça. Após o diagnóstico da doença, o tratamento é feito com antibióticos e, quanto mais rapidamente for iniciado, melhores serão os resultados. Pode também ser feita medicação para sintomas como febre, dores ou para tratar a erupção cutânea.

Além da medicação, é feita a confirmação científica da febre da carraça, ou de outra infeção e doença provocada pelo parasita. Esse teste não atrasa a medicação, servindo para o médico notificar as autoridades de saúde locais sobre a doença e o agente infeccioso em causa.

 

Como evitar as carraças e prevenir a doença?

Existem várias medidas para prevenir a picada de carraças. Ainda assim, o mais seguro é ter especial atenção à roupa e ao corpo após passar algum tempo em zonas com vegetação com ervas altas. Essas estratégias incluem:

  • Usar roupa clara, que permita ver carraças mais facilmente, antes de haver contacto com a pele;
  • Preferir mangas compridas e calças, que podem ser enfiadas nas meias;
  • Escolher caminhos bem definidos para roçar menos em plantas;
  • Preferir brincar com as crianças em jardins com relva aparada;
  • Usar repelente de insetos nas zonas de pele mais expostas;
  • Verificar bem o corpo após caminhadas (cabelo, pregas, umbigo, atrás dos joelhos, orelhas e axilas) e tomar banho imediatamente;
  • Procurar carraças na roupa, sapatos ou outro equipamento e lavar tudo;
  • Inspecionar o pelo de animais de estimação que tenham estado em zonas verdes.

 

Atualizado a 22/05/2026

Fontes:

Centers for Disease Control and Prevention, maio de 2023

Cleveland Clinic, maio de 2023

Direção-Geral da Saúde, maio de 2023, maio de 2026

Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, maio de 2026

Metis, maio de 2023

National Health Service, maio de 2023

Ordem dos Médicos, maio de 2026

Publicado a 27/06/2023