Lesões da Fibrocartilagem Triangular

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

O punho é uma articulação especial, dada a sua flexibilidade e força. Ela permite, em simultâneo, movimentos muito amplos e suficientemente estáveis de modo a tornar possível manipular objetos delicados ou muito pesados.

As articulações, ossos, tendões e ligamentos que compõem o punho dependem das cartilagens para proteger essas estruturas, assim impedindo a ocorrência de lesões graves.

Se essa cartilagem estiver danificada por uma queda, torção inadequada, atividade repetida ou por uma artrite, todo o punho e mão pode ser afetados.

Se o problema não for diagnosticado e prontamente tratado pode causar desconforto crónico ou mesmo incapacidade.

Os problemas nas cartilagens do punho ocorrem, de um modo geral, após uma queda em que a pessoa se tenta proteger colocando violentamente as mãos no chão. Quando a cartilagem sofre um estiramento e rompe, ocorre inflamação, inchaço, dor intensa e limitação dos movimentos da mão.

Uma das lesões mais comuns é a da fibrocartilagem triangular.

Lesões da Fibrocartilagem Triangular

O termo “complexo fibrocartilagem triangular” descreve a relação anatómica e funcional próxima entre as estruturas cubitais do punho. A instabilidade da articulação entre o rádio e o cúbito é a lesão mais debilitante observada neste complexo.

Trata-se de uma estrutura constituída por cartilagens e ligamentos e tem como função a estabilização dos ossos do punho, o amortecimento de impactos e permite a realização de movimentos suaves.

Estas lesões causam dor no punho, sobretudo nos movimentos da mão para o lado do dedo mindinho ou no movimento de rotação da mão para cima. Esses movimentos podem ser acompanhados de um clique audível.

O punho tende a ficar inchado, instável e fraco, sendo incapaz de realizar movimentos delicados

Os mecanismos de lesão mais comuns são uma carga axial, um desvio cubital ou uma rotação extrema do antebraço.

Esta estrutura pode ser lesada numa queda, durante a prática desportiva ou no trabalho.

As quedas sobre a mão em extensão são uma das causas mais comuns. Movimentos de torção ou de pressão são outras possibilidades.

Alguns dos desportos associados são os que envolvem um bastão ou raquete e esses movimentos também se verificam em algumas atividades profissionais onde é necessária a manipulação de instrumentos.

Por outro lado, estas estruturas podem sofrer processos degenerativos com subsequente rotura e difícil cicatrização, dada a sua reduzida vascularização.

No exame médico, existe dor à palpação local. Pode surgir instabilidade da articulação radiocubital.

Uma vez que a maioria das estruturas cubitais é constituída por tecidos moles, a radiografia convencional é, na maioria das vezes, normal e deve ser usado na avaliação de lesões por fratura.

A Ressonância Magnética é o principal meio de diagnóstico e Aartroscopia permite a avaliação e tratamento concomitantes.

A Artroscopia pode ser útil quando os outros exames são inconclusivos. Neste exame é utilizado um pequeno instrumento que é introduzido através de uma pequena incisão e que permite observar diretamente as estruturas lesionadas.

As lesões podem ser agudas ou crónicas e o tratamento cirúrgico agudo está reservado para fraturas instáveis ou desviadas.

O tratamento depende dos sintomas presentes e da gravidade da lesão. 

Em alguns casos é suficiente uma tala ou uma ligadura.

As lesões da cartilagem podem causar menos dor ao longo do tempo mesmo sem cicatrizarem.

Elementos como o gelo, os anti-inflamatórios e as injeções locais de corticóides poderão ser indicados em alguns casos.

Se os sintomas não melhorarem a cirurgia estará indicada, de um modo geral com recurso à técnica menos invasiva da artroscopia. Esta técnica utiliza pequenas incisões e permite a reparação das lesões da cartilagem e é menos invasiva, permitindo uma recuperação mais rápida.

Esta reparação por via artroscópica é possível nas desinserções radiais com 92% de sucesso. A via clássica está reservada para as desinserções cubitais podendo ser necessário um enxerto de tendão.

A recuperação após o tratamento dependerá de cada caso e dependerá de um programa individualizado de fisioterapia.

A utilização de gestos e técnicas corretas em cada tipo de desporto, o uso do equipamento adequado e as proteções recomendadas nos locais de trabalho constituem os aspetos essenciais para a prevenção deste tipo de lesões.

Fontes

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