Esofagite

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Quando o revestimento interno (mucosa) do esófago - tubo muscular que transporta os alimentos desde a boca até ao estômago e que se localiza, na sua maior porção, a nível do tórax - está inflamado, ocorre sensação de dor no peito ou dificuldade na deglutição. A este problema chama-se esofagite.

Os sintomas principais são a dor torácica ou na garganta que se assemelha a uma queimadura. Irradia em direção ao pescoço e surge, geralmente, menos de uma hora após as refeições, podendo agravar-se na posição deitada ou inclinada para a frente. Pode ser constante ou intermitente.

Outro indício comum é a dificuldade na deglutição, ocorrendo um agravamento da dor torácica quando o doente engole ou uma sensação de que os alimentos ficam presos no tórax após a sua ingestão. Por vezes estas queixas podem ser confundidas com problemas de origem cardíaca.

Nos casos de esofagite mais intensa, há presença de hemorragia, sob a forma de sangue no vómito (com uma coloração mais viva) ou nas fezes (com uma cor escura resultante da presença de sangue digerido). Ambas podem causar anemia.

Há ainda regurgitação, em que os alimentos voltam à boca, sem esforço de vómito. Outras manifestações possíveis são tosse, falta de ar, rouquidão, dor de ouvidos ou gengivite. Nalgumas situações podem surgir complicações, como úlceras e estenoses.

A esofagite tem diversas causas. A mais comum é o refluxo de ácido do estômago para o esófago (refluxo gastroesofágico) que resulta numa queimadura química da sua mucosa e pode originar inflamação, azia e sensação de ardor no peito.

Este refluxo tem origem num desequilíbrio entre os fatores de defesa e os de agressão do esófago. Os elementos que podem agredir essa mucosa são alimentos (produtos derivados do tomate, sumos de citrinos, chocolate, bebidas com cafeína), o tabaco, o álcool, alguns medicamentos (nitratos, estrogénios, contracetivos orais, bloqueadores dos canais de cálcio, alendronato, entre outros), e o conteúdo ácido do estômago e da bílis, quando ocorre retrocesso biliar.

Se existir uma hérnia do hiato, situação em que uma porção do estômago passa através do diafragma para a cavidade torácica, ocorre uma disfunção do esfíncter esofágico inferior, aumentando o refluxo.

O aumento da pressão intra-abdominal (roupa apertada, gravidez, tosse, obesidade, exercício físico súbito que aumente a pressão intra-abdominal, obstipação) é outra origem de refluxo.

Do mesmo modo que o refluxo ácido, os vómitos frequentes podem causar uma queimadura ácida do esófago.

Alguns fármacos também podem estar associado à esofagite tais como a aspirina, a doxiciclina, os suplementos de ferro, os anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, naproxeno e outros) e os medicamentos para o tratamento da osteoporose (alendronato, risedronato e outros).

A quimioterapia e radioterapia que se fazem para o cancro podem, em alguns casos, lesar o revestimento do esófago, causando esofagite.

As infeções no esófago podem igualmente estar na sua origem, ocorrendo geralmente em pessoas com deficiência do sistema imunitário. Esta é comum em doentes com VIH, pessoas que tomam corticosteroides durante longos períodos de tempo, que foram submetidas a transplantes de órgão ou aquelas que realizaram quimioterapia.

O diagnóstico é frequentemente realizado com base nos sintomas. E é confirmado pela realização de uma endoscopia, que permite a observação direta do interior do esófago.

Através da utilização do endoscópio, o médico pode identificar a esofagite e a presença das áreas onde houve erosão ou ulceração. Se necessário, esta técnica permite a realização de biópsias, que consistem na recolha de pequenas amostras da mucosa através da extremidade do endoscópio, que são posteriormente estudadas.

Uma vez que a esofagite é apenas uma das causas possíveis para os sintomas de dor torácica ou de dificuldades na deglutição, podem ser necessários mais exames para avaliar o coração, os pulmões e o restante aparelho digestivo, de modo a excluir outros problemas.

O tratamento depende da sua causa. No caso do refluxo ácido, podem ser utilizados medicamentos que bloqueiam a formação de ácido, como os inibidores da bomba de protões. Noutros, mais difíceis de tratar (geralmente quando os sintomas não melhoram com os fármacos) pode ser necessária uma intervenção cirúrgica ao estômago para ajudar a prevenir o refluxo.

Quando a esofagite resulta da ingestão de medicamentos, o recurso a um copo cheio de água depois de tomar o comprimido pode ser útil. De facto, é importante saber que todos os fármacos de venda livre ou sujeitos a prescrição médica devem ser tomados com o indivíduo de pé ou sentado e ser engolidos com água. Isto é especialmente importante para os que podem causar esofagite.

Contudo, de um modo geral, é necessário interromper o fármaco responsável, pelo menos temporariamente, até ocorrer cicatrização da mucosa. Uma vez que o ácido pode agravar a esofagite causada por medicamentos, o médico pode prescrever igualmente um bloqueador da acidez gástrica.

No caso das infeções, a escolha do tratamento depende do agente infecioso responsável pela esofagite. Algumas situações são difíceis de tratar com comprimidos ou líquidos por via oral, sendo necessário recorrer ao tratamento por via endovenosa, em ambiente hospitalar.

Sendo o refluxo ácido a causa mais comum de esofagite, existem algumas medidas que podem minimizar a sua ocorrência, como:

  • Evitar refeições pesadas, especialmente nas horas que antecedem o deitar
  • Reduzir o consumo de tabaco e de álcool
  • Evitar a ingestão de grandes quantidades de cafeína, chocolate, hortelã-pimenta e alimentos com um teor elevado de gorduras
  • Manter o peso controlado ou, se necessário, perder peso
  • Não usar roupas apertadas
  • Elevar a cabeceira da cama cerca de 15 centímetros durante o sono
Fontes

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

João Cláudio Barroso Pereira, Pneumopatias e doença de refluxo gastroesofágico, Rev Port Pneumol 2009; XV (5): 899-921

Mayo Foundation for Medical Education and Research, Abril 2012

University of Maryland Medical Center, Outubro 2012