Espasmos do esófago

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Quando os alimentos são ingeridos, deslocam-se da boca para a faringe. O esfíncter esofágico superior abre-se permitindo que penetrem no esófago, onde uma série de contrações musculares, chamadas ondas peristálticas, impulsionam a comida para baixo. Os alimentos passam então através do esfíncter esofágico inferior e entram no estômago. Se essas contrações não forem harmoniosas e sequenciais, eles não progridem para o estômago e ocorre dor e dificuldade na deglutição.

Os espasmos correspondem a uma perturbação dos movimentos de propulsão (peristaltismo) do esófago, provocada por um mau funcionamento dos nervos. As contrações normais que movem os alimentos através do esófago são substituídas de forma periódica por contrações não propulsivas. Em 30% das pessoas com este problema, o esfíncter esofágico inferior abre-se e fecha-se anormalmente.

Estima-se que, nos Estados Unidos da América, os espasmos do esófago afetem uma em cada 100 mil pessoas por ano. Contudo, considerando que muitos destes casos passam despercebidos, por se associarem a uma sintomatologia leve ou por serem confundidos com outras perturbações, a incidência real pode ser mais elevada.

Embora esta doença raramente seja fatal, está relacionada com perda de peso e desnutrição resultantes da incapacidade de deglutir. Por outro lado, os espasmos do esófago podem ser incapacitantes, interferindo com as atividades quotidianas e causando transtornos de natureza psicológica.

Os espasmos musculares ao longo do esófago, de um modo geral, são sentidos sob a forma de dor no peito, por trás do esterno que coincide com a dificuldade em engolir líquidos ou sólidos. Esta pode surgir durante a noite e ser suficientemente forte para interromper o sono.

Os líquidos muito quentes, muito frios ou com gás podem piorar este sintoma. Comer depressa também tende a agravar as queixas. Alguns doentes referem ainda uma sensação de um objeto preso na garganta. Noutros ocorre regurgitação dos alimentos ou azia.  Ocorre ainda dor intensa sem dificuldade na deglutição nalguns indivíduos. Esta, muitas vezes descrita como dor opressiva por trás do esterno, pode acompanhar o exercício ou o esforço, tornando difícil distingui-la da angina de peito. As manifestações tendem a ser intermitentes e variáveis ao longo do dia e podem durar minutos a horas. A ansiedade e a depressão são comuns nestes pacientes.

Se não for diagnosticada e tratada, esta condição pode evoluir, ao fim de muitos anos, para uma acalásia (dilatação do esófago com perda da sua capacidade contrátil).

Embora não se saiba qual a sua causa, intui-se que os espasmos do esófago são mais comuns na raça caucasiana, no género feminino e raros na infância, aumentando de incidência com a idade.

Algumas teorias atribuem a causa desta doença ao refluxo gástrico ou a uma alteração neuromuscular, mas ainda sem validação científica.

O diagnóstico baseia-se nos elementos clínicos e pode ser confirmado mediante a realização de um estudo radiográfico. As radiografias feitas durante a ingestão de uma substância de contraste (bário) podem pôr em evidência um deslocamento descendente anormal e demonstrar que as contrações da parede esofágica se fazem de uma forma desorganizada.

Para detetar movimentos anormais dos alimentos através do esófago utiliza-se a gamagrafia esofágica (uma prova de imagem muito sensível, que mostra os movimentos dos alimentos identificados com uma pequena quantidade de um marcador radioativo). As medições da pressão do esófago (manometria) permitem também uma análise pormenorizada dos espasmos. A endoscopia pode ser relevante.

Se esses estudos não forem conclusivos, pode-se efetuar uma manometria quando a pessoa ingere alimentos ou administrar uma substância que desencadeie os espasmos dolorosos.

Os espasmos do esófago são difíceis de tratar. No entanto, os sintomas podem ser aliviados com nitroglicerina, nitratos de ação prolongada, diciclomina ou com bloqueadores dos canais do cálcio, como a nifedipina. Por vezes são necessários analgésicos potentes para alívio das dores. Em alguns casos, insufla-se um balão dentro do esófago ou introduzem-se sondas (dilatadores de metal) para aumentar o esófago.

Se estas modalidades terapêuticas não forem eficazes, recorre-se à cirurgia, sendo realizada uma secção na camada muscular do esófago ao longo de todo o seu comprimento, de modo a reduzir a ocorrência de espasmos.

Sendo a causa desconhecida, não é possível prevenir o desenvolvimento desta condição.

Fontes

Manual Merck online, 2013

Mayo Foundation for Medical Education and Research., outubro 2012

Patient.co.uk, Maio 2014

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