Refluxo gastroesofágico: o que é e como tratar

Prevenção e bem-estar
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Quem nunca sentiu azia depois de um grande jantar? O pior é quando persiste e não dá descanso. Aí estamos a falar de uma doença chamada refluxo gastroesofágico.

O refluxo gastroesofágico consiste no retorno do conteúdo do estômago para o esófago. Isso acontece quando o ácido no estômago é excessivo ou quando o esfíncter esofágico inferior (músculo que fecha a passagem para o estômago) não fecha devidamente. Ao contrário do que possa pensar, azia e refluxo não são a mesma coisa. A azia é um sintoma ocasional que se associa a determinadas circunstâncias ou comportamentos, enquanto o refluxo gastroesofágico é uma doença que precisa de ser diagnosticada e tratada.

 

Quais são os sintomas?

Os seus sintomas são bem característicos, mas vão além da vulgar azia. Os principais são:

  • Boca com sabor ácido de alimentos ou líquidos ingeridos que regressam do estômago
  • Sensação de ardor no peito, como se estivesse a queimar (em inglês diz-se "heartburn", embora não tenha a ver com o coração e sim com o aparelho digestivo)
  • Dificuldade em engolir
  • Tosse seca
  • Dor no peito, principalmente quando se está deitado

 

Fatores de risco

Há vários fatores que condicionam um risco aumentado de ter refluxo. Felizmente, a maior parte é evitável.

  • Alimentação inadequada: comer muitos fritos e alimentos com gordura, chocolate, cebola, alho, alimentos à base de citrinos e tomate, e comidas picantes ou mentoladas, pois afetam o esfíncter esofágico inferior
  • Comer muito de uma só vez, o que faz aumentar a quantidade de ácido necessário para fazer a digestão no estômago
  • Deitar logo depois de comer
  • Beber cafeína e álcool
  • Fumar
  • Ter excesso de peso
  • Ter uma má postura corporal
  • Tomar determinados medicamentos, como bloqueadores dos canais de cálcio e nitratos
  • Estar grávida
  • Sofrer de determinadas doenças, como diabetes ou hérnia do hiato

 

Como é feito o diagnóstico

Em alguns casos, o refluxo pode confundir-se com doenças de outros foros, como asma ou problemas cardíacos. Por isso, o médico pode prescrever alguns exames complementares à avaliação da história clínica e ao exame clínico, como radiografias e endoscopia digestiva alta. No entanto, em cerca de 40% dos casos, pode existir refluxo com endoscopia alta normal. Nestes casos, poderá justificar-se o recurso a exames destinados a confirmar a presença de refluxo e a estudar a motilidade esofágica, como a manometria ou a pHmetria, associada ou não à impedanciometria.

 

Tratamento do refluxo gastroesofágico

Depois de diagnosticado, o refluxo tem tratamento farmacológico e, em casos mais graves, cirúrgico. Existem vários fármacos disponíveis, designadamente modificadores da secreção gástrica. Não esqueça que, embora estes sejam de venda livre, devem ser sempre prescritos pelo seu médico assistente. São eles:

  • Antiácidos e protetores da mucosa (atuam sobre os sintomas)
  • Antagonistas dos recetores H-2 (inibem a secreção ácida)
  • Inibidores da bomba de protões (previnem lesão da mucosa gástrica)

 

Medidas não farmacológicas

Dificilmente se conseguirá tratar o refluxo apenas com medicamentos, sem alterar o estilo de vida. Ficam alguns conselhos:

  • Faça refeições leves
  • Nunca se deite após uma refeição
  • Perca o peso em excesso
  • Evite os alimentos que provocam o refluxo
  • Eleve um pouco a cabeceira da cama quando for dormir
  • Não fume
  • Não beba álcool
  • Procure manter uma postura corporal correta

 

Complicações

Geralmente o refluxo gastroesofágico tem bom prognóstico e resolve-se apenas com medicação e alteração dos estilos de vida. Em alguns casos, porém, sobretudo quando o refluxo não é tratado, podem surgir complicações mais sérias, tais como:

  • Lesão da mucosa do estômago
  • Hemorragias
  • Úlceras
  • Esofagite
  • Estenose (aperto do esófago)
  • Esófago de Barrett (alteração das células do esófago, que poderá ser pré-maligna)
  • Cancro do esófago

 

Sabia que...

Cerca de 20% da população ocidental tem sintomas de refluxo.