Aneurisma cerebral

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Um aneurisma cerebral corresponde a uma zona de fraqueza da parede de um vaso sanguíneo intracraniano que tende a dilatar-se, ficando preenchido com sangue. De um modo geral, os aneurismas formam-se na zona da bifurcação das artérias, por ser a zona mais frágil da sua estrutura.

Essa dilatação pode exercer pressão sobre nervos ou outras estruturas cerebrais adjacentes. Por outro lado, pode romper causando uma hemorragia que vai comprimir as estruturas vizinhas.

Quando os aneurismas cerebrais são de dimensões reduzidas, raramente sangram ou causam outros problemas.

Estima-se que cerca de 5% da população seja portadora de um aneurisma cerebral, com uma taxa anual de rotura de cerca de 2%. A incidência de rotura de aneurismas é de cerca de 10 em cada 100.000 pessoas por ano.

Os aneurismas cerebrais podem ocorrer em qualquer idade, mas são mais comuns nos adultos (30-60 anos de idade) do que nas crianças e são também mais frequentes no género feminino.

A maioria não se associa a sintomas até ao momento em que aumentam de dimensões ou que rompem. Os indícios resultam da compressão das estruturas adjacentes e podem incluir dor por cima e em torno dos olhos, sensação de formigueiro, fraqueza ou paralisia num dos lados da face, pupilas dilatadas, alterações da visão, fotofobia.

Quando ocorre hemorragia, o principal sintoma é uma dor de cabeça de início súbito e extremamente forte, associada a visão dupla, náuseas, vómitos, rigidez da nuca e perda da consciência. Por vezes ocorrem episódios de cefaleias mais ligeiras nos dias anteriores à rotura.

Podem ser congénitos, sendo resultado de uma fraqueza da parede arterial. São mais comuns em pessoas portadoras de outros problemas genéticos, como as patologias do tecido conjuntivo, a doença renal poliquística, as enfermidades circulatórias, como as malformações arteriovenosas.

Outras possíveis causas são: um trauma, hipertensão arterial, infeções, tumores, aterosclerose, tabagismo e abuso de álcool e drogas, como a cocaína. O papel dos contracetivos orais na formação de aneurismas não é consensual.

A maioria dos aneurismas cerebrais passa despercebido pela ausência de sintomas. Muitas vezes, são detetados de um modo casual após um exame cerebral requisitado por outra razão. A angiografia cerebral permite a sua visualização e localização com elevada precisão. Já a tomografia computorizada e a ressonância magnética são exames muito úteis na avaliação destes casos e podem ser combinados com a administração de um contraste para se obter informação mais detalhada.

No caso de aneurismas cerebrais de pequenas dimensões, a vigilância regular é suficiente. O tratamento, quando necessário, deverá ser individualizado em função do tipo, da sua dimensão e localização, e das características clínicas do paciente.

  • Cirurgia: de um modo geral, o tratamento cirúrgico pode consistir num processo de clipagem, que consiste na interrupção do fluxo sanguíneo no aneurisma mediante a colocação de um clip metálico. Este procedimento pode ser acompanhado ou não da realização de um bypass.
  • Embolização: uma alternativa à cirurgia é a embolização, na qual é inserido um cateter através da artéria femoral que é dirigido por angiografia até ao aneurisma, permitindo a colocação de um material de platina em forma de espiral que vai preenchê-lo, bloqueando a circulação e desencadeando a coagulação do sangue.
  • Medicação: os anti convulsivantes e os analgésicos podem ser úteis no alívio dos sintomas.

Para além do tratamento do aneurisma cerebral propriamente dito, é importante tratar outras condições médicas subjacentes, como a hipertensão arterial. Já as principais complicações da rotura de um aneurisma cerebral são a ocorrência de um acidente vascular cerebral, lesões cerebrais permanentes ou morte. Pode ainda verificar-se hidrocefalia com compressão cerebral ou fenómenos de vasospasmo noutras áreas do cérebro com consequente redução do fluxo sanguíneo.

Não se pode prevenir mas, uma vez diagnosticado, é possível interferir na sua progressão, através de um bom controlo da pressão arterial, não fumando e não consumindo cocaína ou outros estimulantes. O uso de aspirina ou de outros medicamentos que fluidificam o sangue deve ser avaliado caso a caso, bem como o uso de contracetivos orais.

Fontes

Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, janeiro 2012

U.S. National Library of Medicine, janeiro 2014

American Heart Association, outubro 2012

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