Inovação e Humanização na Cirurgia Cardíaca CUF

Hospital CUF Tejo realiza dois procedimentos cardíacos complexos

O Hospital CUF Tejo realizou recentemente dois procedimentos de cirurgia cardíaca inovadores, reforçando a sua diferenciação na abordagem de patologia cardíaca complexa. Através de técnicas de vanguarda e de uma estreita articulação multidisciplinar, a unidade deu resposta a dois casos singulares, focando-se nas necessidades específicas de cada doente.

 

Uma dupla cirurgia valvular mini-invasiva 

O primeiro caso clínico envolveu uma doente de 75 anos com miocardiopatia dilatada, disfunção ventricular esquerda significativa e problemas valvulares graves, resultando num coração fragilizado e com batimentos irregulares. A equipa realizou uma intervenção complexa de substituição da válvula mitral e reparação da válvula tricúspide através de uma abordagem minimamente invasiva, com acesso lateral (debaixo do braço), evitando a abertura total do peito.

A cirurgia integrou uma estratégia de “Bloodless Surgery”, uma abordagem em que  não é necessário fazer transfusões de sangue durante a operação, de modo a respeitar as convicções da doente. Esta decisão exigiu um planeamento rigoroso e soluções técnicas diferenciadas e implicou uma preparação multidisciplinar detalhada, envolvendo Cirurgia Cardíaca, Anestesiologia, Enfermagem, Perfusão e as restantes equipas de bloco operatório.

Durante o procedimento, foi também colocado um pacemaker para regular o ritmo cardíaco e encerrada uma pequena zona do coração para prevenir futuras tromboses. A evolução pós-operatória foi muito favorável, permitindo à doente recuperar a sua autonomia nas atividades diárias, o que reflete não só o sucesso técnico da intervenção, mas também uma abordagem que alia inovação, segurança e humanização dos cuidados.

 

O desafio da correção de um Síndrome de Cimitarra

O segundo caso consistiu na correção cirúrgica de um Síndrome de Cimitarra, uma malformação congénita cardíaca incomum, num jovem de 19 anos. A complexidade era acrescida pela presença de dextrocardia, uma condição rara em que o coração está localizado no lado direito do tórax e que os vasos sanguíneos não estão na sua posição habitual. De modo a minimizar os efeitos psicológicos de uma cicatriz considerável num doente jovem, os médicos optaram pelo acesso axilar através de uma mini-toracotomia de apenas cinco centímetros.

Foi criado um túnel intracardíaco personalizado para redirecionar o fluxo sanguíneo, permitindo uma recuperação mais rápida e quase invisível. Ambos os procedimentos foram coordenados por Luis Baquero (OM 37911), Coordenador de Cirurgia Cardíaca, e contaram com o apoio de equipas altamente especializadas que incluíram os anestesistas Ana Rita Vieira (OM 52415), Eduardo Barata Correia (OM 47238), enfermeiros, instrumentistas e assistentes operacionais.

Estes casos evidenciam a capacidade do Hospital CUF Tejo em tratar patologias cardíacas complexas em diferentes faixas etárias, aliando a diferenciação técnica à inovação e a uma profunda humanização dos cuidados.