Glicose: sabe o que é e para que serve?

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A glicose, ou glucose, é a fonte de energia para o cérebro, músculos e células do organismo, sendo importante manter o seu equilíbrio. Saiba como.

Conhecida como o açúcar no sangue, a glicose (ou glucose) desempenha um papel fundamental no metabolismo energético do organismo: é ela que nos fornece energia. No entanto, níveis altos de glicose podem levar a lesões graves, sendo, por isso, essencial, mantê-los equilibrados.

 

O que é a glicose?

Trata-se de um açúcar simples (monossacarídeo), proveniente dos hidratos de carbono que ingerimos através da alimentação. A glicose é o combustível que o sangue transporta para todas as células do organismo, utilizando-a como fonte energética.

 

Sabia que...

A palavra “glicose” vem da palavra grega gleukos que significa “vinho doce”.

 

Como é processada pelo organismo?

Durante a digestão dos alimentos, o tubo digestivo começa a processar a glicose através de enzimas que iniciam a sua decomposição auxiliadas pelos sucos do pâncreas. Quando os níveis de glicose no sangue aumentam, o pâncreas liberta a hormona insulina, a qual tem como missão controlar os níveis de glicose, permitindo que entre nas células e seja aproveitada como fonte de energia. Quando em excesso, a glicose é armazenada sob a forma de gordura, para poder ser usada posteriormente.

 

O papel da glicose no corpo

Uma vez que a glicose dá energia ao organismo, ela é fundamental para o seu bom funcionamento, desde que nos níveis adequados. É essencial para a maioria das células, mas também é crucial para o cérebro, que precisa de glucose para o seu bom funcionamento e processamento de informação. Após o organismo usar a energia de que necessita, a restante glicose é armazenada no fígado e nos músculos em pequenos conjuntos, chamados de glicogénio. Este é decomposto pelo fígado sempre que o corpo precisa de glicose e tem de se socorrer das reservas armazenadas (por exemplo, quando se passa várias horas sem comer).

 

O que acontece se não processarmos bem a glicose?

Em condições normais, o organismo deve manter a concentração de açúcar no sangue dentro de um intervalo de 70 a 110 mg/dl de sangue. Contudo, se o pâncreas não produzir níveis de insulina adequados para controlar a glicose, estes valores aumentam, podendo desenvolver-se diabetes, uma doença crónica que conduz à elevação permanente da glicemia (concentração de açúcar no sangue) ou hiperglicemia. Como consequência de hiperglicemia persistente pode desenvolver-se visão turva, sensação de boca seca, transpiração excessiva e cansaço. Porém, também pode acontecer haver hipoglicemia, isto é, os níveis de glicose no sangue estarem abaixo dos 70 mg/dl. Perante esta situação, o organismo reage, libertando adrenalina a partir das glândulas suprarrenais. Estas estimulam o açúcar armazenado pelo organismo, o que pode causar sintomas como transpiração, nervosismo, tremores, desfalecimento, palpitações.

 

O que pode influenciar os níveis de glicose?

Além de doenças - como a diabetes, doenças do pâncreas, hipertiroidismo ou hipotiroidismo -, há outros fatores que podem levar a ter hiperglicemia ou hipoglicemia, o que tem influência nos níveis de glicose no organismo:

 

Situações causadoras de glicose alta (hiperglicemia)

  • Stress;
  • Excesso de consumo de hidratos de carbono;
  • Consumo excessivo de açúcar;
  • Adoçantes artificiais;
  • Consumo de café (mesmo sem adição de açúcar);
  • Infeções urinárias;
  • Infeções respiratórias;
  • Infeções intestinais;
  • Privação de sono;
  • Alguns medicamentos.

 

Situações causadoras de glicose baixa (hipoglicemia)

  • Consumo excessivo de álcool;
  • Refeições pobres em hidratos de carbono de absorção lenta (como massas integrais);
  • Não comer por períodos longos;
  • Diarreia ou vómitos;
  • Aumento da atividade física;
  • Alteração do horário das refeições.

 

Como se medem os níveis de glucose?

Existem várias formas de fazer esta medição quer nas crianças quer nos adultos:

  • Teste de glicemia capilar: Através de um aparelho de punção e lancetas para picar o dedo obtém-se uma pequena gota de sangue. Em segundos, o aparelho indica o resultado, no visor, do nível de açúcar no sangue. Este teste pode ser feito em casa pelo próprio paciente e é comummente utilizado pelas pessoas com diabetes;
  • Teste de glicemia venoso: Em laboratório, recolhe-se uma amostra de sangue de uma veia, para análise laboratorial;
  • Sensores cutâneos: Estes dispositivos para pessoas com diabetes medem continuamente os níveis de glicemia no sangue para maior conforto e controlo dos valores evitando as picadas.

 

Sabia que...

Em Portugal, são comparticipados sensores cutâneos para medição da glicemia, disponibilizados para pessoas com diabetes que cumpram determinados critérios clínicos.

 

Só se mede a glicose em jejum?

Depende. Se estivermos a falar do teste à glicose para a verificação da presença de diabetes, deve fazer-se um jejum de oito a dez horas antes da colheita. Desta forma, assegura-se que os valores da glicose são fidedignos. Porém, se se tratar de uma pessoa com diabetes, a monitorização deve ser feita, primeiramente, com a medição da glicose em jejum, e, posteriormente, antes das refeições ou de modo contínuo no caso de uso de sensor.

 

Dicas para manter os níveis de glicose sob controlo

Para manter os níveis de glicose equilibrados, é importante:

  • Ter uma alimentação equilibrada e diversificada;
  • Evitar o excesso de consumo de hidratos de carbono, preferindo os complexos e ricos em fibra (como a aveia, cereais integrais, leguminosas, frutas com casca ou legumes);
  • Evitar alimentos ricos em açúcar;
  • Não passar longas horas sem comer;
  • Dormir as horas necessárias para um sono reparador;
  • Gerir o stress do dia a dia;
  • Em pessoas diabéticas, vigiar regularmente os níveis de glicemia e tomar a medicação conforme recomendado pelo médico.
Fontes:

Cleveland Clinic

Healthline

MedlinePlus

National Library of Medicine

Science Direct

Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

US Centers for Disease Control and Prevention

WebMD

Publicado a 14/01/2026