Cuidados a ter ao fazer mergulho

Desporto
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É uma atividade que exige precauções, seja antes de mergulhar ou quando volta à superfície. Conheça os cuidados a ter ao fazer mergulho.

A ocorrência de problemas clínicos durante a prática de atividades subaquáticas - da caça/pesca submarina, mergulho em apneia ao mergulho com escafandro autónomo/ “garrafa" - é rara e advém, na maior parte das vezes, do não cumprimento das regras básicas de segurança durante a sua prática, sendo facilmente explicada por um conjunto de leis da física.

 

O que acontece quando mergulhamos

Com o aumento da pressão ambiente, o gás contido em várias cavidades naturais diminui o seu volume, pelo que é necessário fazer a "compensação" dos ouvidos, compartimento da máscara, e assegurar que está mantida a permeabilidade das vias para os pulmões, seios perinasais e ouvido médio.

 

No regresso à superfície

Ao regressar à superfície, o volume de gás vai expandir e tem de sair com facilidade. Na prática de mergulho com garrafa, este fenómeno é especialmente importante a nível pulmonar e o melhor modo de o evitar é nunca retirando o bocal do regulador durante a subida.

 

Não faça mergulho se... 

Não é aconselhável mergulhar quando se está constipado ou com um processo de alergia ou de infeção respiratória, bronquite ou asma, sob risco de provocar lesões dolorosas e, por vezes, graves.

 

A toma de fármacos descongestionantes

O uso de medicamentos descongestionantes antes do mergulho está desaconselhado, pois a duração do seu efeito em profundidade está extremamente alterada e corre o risco de ele desaparecer antes do tempo previsto.

 

Se tem cáries e obturações

Deverá ter-se especial atenção com o estado dos dentes, pois podem-se formar bolhas no interior de cáries ou obturações em mau estado que irão expandir durante a subida e há, inclusive, casos descritos de "explosão" dentária por barotraumatismo.

 

Sabe o que é a doença de descompressão?

Está relacionada com a acumulação do azoto inalado da garrafa e que, com o aumento da pressão ambiente, se difunde para o sangue e restantes estruturas do corpo, de um modo muito lento. Se a subida for demasiado rápida, o azoto, em vez de se difundir de volta aos pulmões, poderá formar bolhas que irão provocar lesões locais ou entrar em circulação indo entupir vasos sanguíneos. É uma situação extremamente rara atualmente, desde que se cumpram os limites de tempo e profundidade de imersão e se mantenha uma velocidade lenta de subida.

Outro aspeto relacionado com o azoto presente na mistura que se respira é a sua inerente toxicidade que aumenta com a profundidade alcançada, sobretudo a partir dos 30-40 metros.

 

Repouso suficiente previne doença de descompressão

A doença de descompressão e a toxicidade pelo azoto têm maior probabilidade de ocorrer quando o mergulhador está mais fatigado, desidratado, tem excesso de gordura corporal ou ingeriu bebidas alcoólicas. O repouso antes de uma jornada de mergulho e a manutenção de estilos de vida saudáveis são importantes para a prevenção de ocorrências desagradáveis.

 

Enchimento das garrafas de mergulho

É importante assegurar-se de que o enchimento das garrafas de mergulho seja feito por entidades devidamente certificadas, pois a contaminação do ar comprimido com fumos de escape (monóxido e dióxido de carbono) ou vapores de óleo (pela utilização de compressores não adequados a este efeito) pode dar origem a intoxicações com consequências graves.

 

Hiperventilação antes do mergulho

Os mergulhadores em apneia devem evitar a prática da hiperventilação (respiração profunda e frequente) antes do mergulho.

Ao contrário do que habitualmente se pensa, não só não consegue absorver mais oxigénio para prolongar o mergulho (a hemoglobina - proteína do sangue que transporta o oxigénio – já está saturada ao máximo em condições normais), mas poderá mesmo originar perda de consciência, ainda na profundidade, por falta de oxigénio.

Ao hiperventilar, vai diminuir o teor de dióxido de carbono normal do sangue e é precisamente a acumulação deste gás que constitui um estímulo poderoso que dá a informação ao cérebro de que necessitamos de respirar.