Toxoplasmose

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É uma infeção causada por um parasita, o Toxoplasma gondii. A reprodução sexual deste parasita ocorre apenas nas células que revestem o intestino dos gatos. Assim, os ovos do parasita encontram-se nas fezes destes felinos.

A toxoplasmose é uma das parasitoses mais comuns em gatos apresentando uma prevalência mundial entre 5,5% e 97,4%. Este parasita infeta quase um terço da população mundial, embora a sua prevalência nos países industrializados tenha vindo a diminuir nos últimos 30 anos, com uma incidência nos indivíduos entre os 15 e os 45 anos de 10% a 50%.

Nos Estados Unidos, estima-se que existam cerca de 60 milhões de pessoas infetadas por este parasita. Em Portugal, alguns dados apontam para uma prevalência de infeção de cerca de 60% na população com idade superior a 30 anos.

A toxoplasmose congénita pode ser assintomática ou apresentar sintomas graves e rapidamente mortais. Quando ocorrem indícios os mais comuns, são a inflamação dos olhos, icterícia grave, facilidade em formar hematomas, convulsões, cabeça grande ou pequena e atraso mental. Logo após o nascimento podem surgir sinais muito ligeiros, mas, de um modo geral, eles só surgem meses ou anos mais tarde.

A toxoplasmose adquirida raramente produz sintomas e, em geral, é diagnosticada quando uma análise de sangue revela a presença de anticorpos contra o parasita. De facto, nas pessoas saudáveis, esta infeção não provoca sinais porque o sistema imunitário impede o parasita de causar a doença. 

Nos casos mais ligeiros, pode simular uma mononucleose infeciosa, com tumefação dos gânglios linfáticos do pescoço e das axilas que, em regra, não são sensíveis ao tato, sensação de mal estar, dor muscular e uma febre baixa e flutuante que pode durar semanas ou meses. Pode ainda ocorrer anemia ligeira, tensão arterial baixa, pouca quantidade de glóbulos brancos, maior número de linfócitos no sangue e resultados anormais nas provas de função hepática. Na maioria das vezes, as pessoas infetadas por toxoplasmose apenas apresentam aumento dos gânglios linfáticos do pescoço de forma indolor.

Nas formas crónicas, pode ocorrer inflamação ocular que pode ser grave se não for devidamente tratada. A toxoplasmose disseminada aguda pode produzir uma erupção cutânea, febre alta, calafrios e esgotamento. Em alguns casos a infeção pode causar inflamação do cérebro e das membranas que o revestem, do fígado, dos pulmões ou do coração. Num doente com imunodeficiência, como ocorre na infeção pelo vírus VIH/SIDA, a toxoplasmose tende a ser generalizada, com inflamação cerebral (encefalite), convulsões, tremores, dor de cabeça, confusão ou coma.

A transmissão de toxoplasmose pode ocorrer aquando da ingestão de alimentos crus ou mal cozidos que contenham a forma inativa (quisto) do parasita ou após o contacto com terrenos que tenham fezes de gatos com ovos. Se uma mulher grávida for infetada, a infeção pode ser transmitida ao feto através da placenta daí podendo resultar aborto ou a ocorrência de toxoplasmose congénita.

O seu diagnóstico é quase sempre laboratorial, através de análises ao sangue que demonstram a presença de anticorpos contra o parasita.  Em alguns casos, podem ser necessários a tomografia axial computadorizada ou a ressonância magnética cerebral.

Na maioria das pessoas saudáveis, a recuperação da toxoplasmose ocorre sem ser necessário tratamento. Quando ele é necessário, recorre-se à administração de um conjunto de medicamentos como a espiramicina, sulfadiazinae e a pirimetamina, frequentemente em combinação. Nos doentes com SIDA, a toxoplasmose é de tal modo comum que se deve manter a terapêutica indefinidamente. O tratamento durante a gravidez é discutível, porque os medicamentos podem ser tóxicos para o feto. Como tal, importa avaliar cada caso de forma individual.

A prevenção da toxoplasmose passa por diversos passos:

  • Cozinhar bem os alimentos;
  • Congelar bem os alimentos antes da sua preparação;
  • Descascar e/ou lavar bem frutas e vegetais;
  • Lavar bem as mãos e todos os utensílios de cozinha durante a preparação de alimentos;
  • Não beber água não tratada;
  • Utilizar luvas em atividades de jardinagem ou que impliquem contacto com o solo e lavar as mãos no fim dessas tarefas (este cuidado na lavagem regular das mãos deve ser transmitido às crianças como princípio geral).

Em relação aos gatos, sempre que possível devem manter-se as caixas de areia fora de casa e/ou cobertas, devem ser limpas diariamente e alimentar os gatos com rações específicas já comercializadas ou com alimentos bem cozinhados. No caso das mulheres grávidas, é ainda mais importante não contactar com a caixa de areia e, se tal for necessário, fazê-lo usando luvas e lavando as mãos logo de seguida. Nesse período, os gatos devem ser mantidos dentro de casa para evitar a sua contaminação no exterior.

Fontes

Manual Merck online, 2013


Centers for Disease Control and Prevention, Janeiro de 2013


Mayo Foundation for Medical Education and Research, Maio de 2014