Surdez Infantil

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Um número significativo de crianças tem problemas de audição, de diferentes graus e tipos, sendo normalmente no seio da família ou na escola que a situação é suspeitada. A perda auditiva infantil é muitas vezes um problema transitório e de fácil resolução, com tratamento médico e/ou com uma pequena cirurgia. No entanto, pode-se estar sempre perante uma situação de maior gravidade como a surdez neurosensorial de carácter definitivo, que requer um programa de apoio de ensino especial e uma atuação, tão precoce quanto possível, ao nível da reabilitação cognitiva.

Relativamente à surdez infantil podemos distinguir logo à partida dois grupos distintos: formas congénitas e formas adquiridas.

O termo surdez congénita implica que a perda auditiva esteja presente ao nascimento. Pode incluir formas hereditárias ou formas de surdez devido a outros fatores presentes in útero (pré-natal) ou na altura do nascimento.

As formas hereditárias parecem estar envolvidas em mais de 50% dos casos de surdez congénita. A transmissão genética pode ser autossómica dominante (quando um dos progenitores, geralmente com surdez, carrega o gene dominante e o transmite para a criança em 50% das vezes), autossómica recessiva (onde ambos os pais não manifestam qualquer surdez, transmitem um gene recessivo, sendo essa probabilidade de transmissão de 25%) e ligada ao X (na qual a mãe carrega um gene recessivo no cromossoma sexual X e o transmite para os descendentes, manifestando-se apenas nos descendentes do sexo masculino).

A surdez adquirida é a surdez que surge após o nascimento, em qualquer altura da vida, resultando de diversas situações clínicas.

Na idade pré-escolar, sabe-se que a criança deve ser capaz de dizer as primeiras palavras entre os 15 e os 18 meses. Se isso não acontecer, deve ser observada pelo médico especialista para saber se é a surdez que está a provocar o atraso da fala. A causa mais frequente de perda auditiva nas crianças, com idades compreendidas entre os dois e os cinco anos, é a otite serosa. Esta doença impede a transmissão do som do exterior para o ouvido interno, predispõe a infeções agudas e pode evoluir para otites crónicas mais complicadas.

Existem algumas síndromes genéticas nos quais a surdez é uma caraterística conhecida. Por exemplo, a síndrome de Down (anomalia em um gene), de Usher (autossómica recessivo), de Treacher Collins (autossómica dominante), de Crouzon (autossómico dominante) e de Alport (ligada ao X). Outras causas de surdez congénita, que não são de natureza hereditária, incluem infeções pré-natais, doenças, toxinas consumidas pela mãe durante a gravidez ou outras condições que ocorrem na altura do nascimento ou no período do peri-parto imediato. Estas situações geralmente causam uma surdez neurossensorial. Entre elas contam-se:

  • Infeções intra-uterinas que incluem rubéola, citomegalovirus e por herpes simples
  • Complicações associadas com o fator Rh do sangue
  • Prematuridade
  • Diabetes materna
  • Toxemia durante a gravidez
  • Anoxia

A surdez adquirida é a que surge após o nascimento, em qualquer altura da vida, resultando de diversas situações clínicas, entre as quais se destacam:

  • Infeções do ouvido médio
  • Fármacos ototóxicos (que lesam o sistema auditivo)
  • Meningite
  • Encefalite
  • Sarampo
  • Varicela
  • Papeira
  • Influenza/gripe
  • Traumatismo craniano
  • Exposição ao ruído

Os problemas de audição podem afetar, nos primeiros anos de vida, o processo de aprendizagem da linguagem e posteriormente a aquisição de conhecimentos e o aproveitamento escolar, aspetos fundamentais no desenvolvimento da criança. 

O diagnóstico deste tipo de patologia é feito com a ajuda de exames complementares de rastreio e de diagnóstico, sempre em função da situação clínica e da idade da criança, sendo de destacar as otoemissões acústicas, os potenciais evocados auditivos (ERA), os timpanogramas, a pesquisa de reflexos estapédicos e os audiogramas. No caso dos recém-nascidos, o exame mais utilizado é o estudo das otoemissões acústicas, uma vez que permite avaliar a audição do bebé, desde as primeiras horas de vida, de uma forma indolor, rápida e cómoda.

De acordo com a patologia em causa e a idade é indicado um tipo de intervenção, que até pode ser cirúrgica. Em casos específicos, pode haver necessidade de recorrer a equipamentos que permitam uma melhor audição, como os implantes osteo-integrados e os implantes cocleares.

  • A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 60% da surdez infantil é prevenível.
  • Uma parte importante desta condição na criança, resulta de infeções comuns como sarampo, papeira, rubéola, meningite e infeções do ouvido (otites).
  • A vacinação e os cuidados de saúde regulares bem como a melhoria das condições de higiene, podem prevenir a grande maioria destas doenças.
  • A melhoria dos cuidados perinatais, particularmente durante o parto, reduzindo e tratando complicações como a asfixia, icterícia e o baixo peso à nascença, reduz o risco de surdez na criança.
  • Importa ainda identificar e evitar medicamentos e drogas tóxicas para o ouvido que possam ser tomadas pela mãe.
Fontes:

Medical News Today

Organização Mundial de Saúde