Traumatismo craniano na criança

A criança explora o mundo à sua volta. A cada dia que passa desenvolve novas habilidades e adquire capacidades. As causas mais frequentes de lesões cranianas nas crianças são: quedas, acidentes de viação e desportivos, espancamentos e outras formas de abuso físico.

Estas etapas do seu normal desenvolvimento deixam-na vulnerável a quedas e acidentes. É aos pais que cabe o papel de estar atento aos perigos e prevenir os acidentes de uma forma ativa, enquanto a criança interage e descobre o meio envolvente. Na grande maioria das vezes, as crianças recuperam completamente. Mas há casos em que existem sérios problemas, com sequelas graves.

 

Mas quando estes não se conseguem evitar e a criança cai e bate com a cabeça, o que fazer?

Na criança com mais de um ano que bateu com a cabeça e não desmaiou, está bem disposta com o seu comportamento habitual, dever-se-á manter vigilância nas 24h seguintes ao traumatismo. Se durante este período surgir algum dos seguintes sinais ou sintomas, a criança deve ser observada no serviço de Atendimento Permanente:

  • Desmaio
  • Vómitos frequentes
  • Alterações da mobilidade ou sensibilidade de algum dos membros
  • Alterações do comportamento
  • Desequilíbrio
  • Líquido claro saindo pelo nariz ou pela boca ou sangue pelo ouvido
  • Sonolência excessiva em que a criança não desperta quando estimulada
  • Choro ou irritabilidade persistente que não acalma
  • Dor de cabeça forte e persistente
  • Convulsões
  • Quando a criança tem alterações da marcha, da visão ou linguagem, confusão e sonolência fora do horário habitual
  • Quando a ferida não para de sangrar após 10 minutos de compressão

Perante uma criança com menos de um ano de idade, em que haja uma lesão de alto impacto, se a queda for de uma altura superior a 1 metro ou se não for presenciado por um adulto, deverá dirigir-se de imediato ao serviço de Atendimento Permanente.

Existe a crença de não deixar a criança dormir mas isso não ajuda na vigilância e eventual observação médica posterior, apenas vai deixá-la mais irritada, com sono e chorosa. É  frequente um sono mais prolongado após um episódio de dor ou choro intensos. Além disso, quando se aproxima um período do dia em que a criança habitualmente está a dormir é natural que esteja mais sonolenta. Deixe-a dormir normalmente e vigie o sono, tentando acordá-la de vez em quando e vendo como ela reage. Em caso de hematoma no local de embate, poderá colocar-se gelo nas primeiras horas e oferecer-se algum analgésico em caso de dor.

Como se pode prevenir?

  • Vigilância apertada enquanto não tiver idade para andar sozinho.
  • Uso de capacete quando anda de bicicleta ou mota.
  • Não circular na estrada sozinho enquanto não souber as regras de trânsito.
  • Não atravessar estradas sozinho e fora das passadeiras quando existem.
  • Uso de cadeira no carro até ter 1,35 m de altura e viajar com a cadeira virada para trás até aos 3 anos. Verificar se a cadeira está adaptada ao carro e bem fixada.
  • Grades e guardas para as crianças mais pequenas. 

Uso de equipamento de segurança nos desportos em que as quedas são mais frequentes.