Papeira

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A papeira, ou parotidite, é uma infeção viral aguda da infância que provoca tumefação (edema) de uma ou ambas as glândulas parótidas, apesar de poderem ser envolvidos outros órgãos.

As glândulas parótidas situam-se à frente dos ouvidos e são responsáveis pela produção de saliva. A infeção é adquirida após contacto com secreções respiratórias infetadas. Inicialmente há uma replicação do vírus na mucosa da nasofaringe e nos gânglios regionais, a que se segue uma disseminação do vírus por vários órgãos.

Aproximadamente 30% dos doentes apresentam sintomas respiratórios moderados. A manifestação mais comum é o “inchaço” da parótida, que usualmente é unilateral no início da doença, mas que se pode tornar bilateral em 70% dos casos.

Esta patologia pode complicar-se por infeção de outros órgãos, principalmente envolvimento do testículo e do sistema nervoso central, causando orquite, meningite e encefalite.

O aparecimento de uma vacina no final da década de 1960, permitiu reduzir drasticamente o número de casos de papeira, estimando-se atualmente a ocorrência de um caso em cada um milhão de pessoas.

As pessoas com papeira são contagiosas durante um período que se inicia 48 horas antes e que termina seis a nove dias depois do início dos sintomas da doença. Os seus indícios prolongam-se geralmente por cerca de 10 dias. Quando o doente recupera, de um modo geral fica imunizado para o resto da vida contra o vírus da papeira.

Quando se introduz no organismo, passa para a circulação sanguínea e pode disseminar-se para muitas glândulas diferentes e até para o cérebro. Os sintomas dependem dos órgãos atingidos.

Ao nível das glândulas salivares, a papeira causa dor e inchaço na glândula parótida e noutras glândulas salivares localizadas sob a língua e a mandíbula.

Nos testículos, pode causar inchaço, dor, hipersensibilidade e, por vezes, diminuição permanente do tamanho. A esterilidade é rara.

Nos ovários, pode originar dor nos quadrantes inferiores do abdómen mas não se associa a infertilidade.

No pâncreas, pode provocar inflamação com dores abdominais.

Quando se introduz na circulação sanguínea, o vírus da papeira pode atingir o cérebro, causando meningite (inflamação e infeção das membranas que revestem o cérebro) ou encefalite. Este envolvimento cerebral é muito raro e pode conduzir a complicações a longo prazo, tais como surdez, paralisia, hidrocefalia e convulsões.

Mais raramente, pode afetar outras partes do corpo, tais como as articulações, a glândula tiroideia ou os pulmões.

Quando uma grávida desenvolve papeira, pode existir um risco acrescido de morte fetal e de aborto se a mãe se encontrar no primeiro trimestre de gravidez. No entanto, a infeção provavelmente não aumenta o risco de malformações congénitas.

Em cerca de 15 a 20% dos doentes, a papeira não causa sintomas. Nos casos em que ocorrem, eles geralmente iniciam-se 14 a 18 dias após a exposição a um doente com a doença.

Em cerca de metade dos pacientes, os sinais da infeção podem incluir febre, dores de cabeça, odinofagia, dores musculares, falta de apetite e mal-estar (uma sensação generalizada de doença). O vírus da papeira causa dor e edema na parte anterior do lobo da orelha. Devido a essa dor, mastigar ou engolir pode tornar-se muito desconfortável e o doente pode não ter vontade de comer.

Raramente, os adolescentes do sexo masculino e os adultos com papeira podem desenvolver edema e dor num ou em ambos os testículos (orquite). Nas mulheres, os ovários podem estar envolvidos, o que pode causar dores nos quadrantes inferiores do abdómen. Nos doentes de ambos os sexos, mas mais frequentemente nos adultos do que nas crianças, podem igualmente ocorrer complicações mais graves, incluindo:

  • Pancreatite da papeira, com dor nos quadrantes superiores do abdómen
  • Meningite asséptica (não bacteriana), que causa dores de cabeça, rigidez da nuca e sonolência
  • Encefalite da papeira, com febre elevada e inconsciência, embora isto ocorra em menos de um em cada mil casos

As pessoas recuperam completamente desta patologia. No género masculino existe um risco pequeno de esterilidade se a infeção afetar ambos os testículos.

É causada pelo vírus da papeira, que se dissemina de pessoa para pessoa através da tosse, dos espirros e da saliva, bem como através do contacto com objetos e superfícies contaminados.

A história clínica é aqui muito importante, sobretudo no que se refere ao contacto com pessoas com papeira e à vacinação. É habitualmente administrada como parte da vacina contra o sarampo, a papeira e a rubéola.

O exame clínico é o passo seguinte e o diagnóstico pode ser confirmado através de análises de sangue que medem anticorpos específicos contra o vírus da papeira. Além disso, este vírus pode ser detetado em amostras de urina, de saliva ou de líquido cefalorraquidiano (o líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal) e que é obtido através de uma punção lombar.

Nos doentes que, de um modo geral, são saudáveis, os sintomas são tratados com paracetamol para reduzir a febre e para proporcionar alívio do desconforto generalizado; compressas mornas ou frias para aliviar a dor e o edema das glândulas parótidas; dieta mole para reduzir a necessidade de mastigação, devendo evitar-se sumos de fruta e bebidas ácidas que estimulam as glândulas salivares e que agravam as dores na glândula; compressas frias e apoio do escroto para diminuir a dor e o edema.

É importante saber que a aspirina não deve ser utilizada em menores com papeira devido ao risco de síndrome de Reye, um quadro cerebral grave que se desenvolve em crianças que apresentam determinadas infeções virais e que foram tratadas com aspirina.

Existe uma vacina para a parotidite, que está incluída nas recomendações atuais e é administrada aos 12 meses, juntamente com a do sarampo e da rubéola, com reforço entre os cinco/seis anos.

Esta vacina, de um modo geral, não é recomendada para as mulheres grávidas e para os doentes que estão a tomar determinados medicamentos ou que sofrem de doenças que suprimem o sistema imunitário.

Uma vez que os doentes com papeira são contagiosos durante cerca de 48 horas antes de desenvolverem os sintomas, geralmente não é necessário isolá-los dos outros membros do agregado familiar (exceto as grávidas) após o início dos sintomas, pelo facto dos familiares já terem provavelmente sido expostos ao vírus durante esse período de 48 horas.

As crianças com papeira são geralmente excluídas da escola ou do infantário durante nove dias após o início do edema das glândulas parótidas.

Fontes

Centers for Disease Control and Prevention, 2013

U.S. National Library of Medicine, 2013

Mayo Foundation for Medical Education and Research. Outubro de 2012

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