Hipercalcemia

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A hipercalcemia corresponde a uma concentração acima da média de cálcio no sangue (superior a 10,5 mg por decilitro). Esta situação pode enfraquecer os ossos, conduzir à formação de cálculos renais e interferir com o funcionamento do coração e do cérebro. A hipercalcemia pode ser causada pelo aumento da absorção gastrointestinal ou por um aumento da ingestão de cálcio.

Por vezes não se associa a quaisquer sinais. Noutros casos, os sintomas são muito graves e resultam dos efeitos do cálcio em diversos órgãos. Como os rins têm de trabalhar mais para eliminar o seu excesso, pode ocorrer sensação de sede e aumento no número de micções. Podem formar-se cálculos renais que contêm cálcio. E se a hipercalcemia for prolongada, formam-se cristais de cálcio nos rins que se associam a lesões permanentes e a insuficiência renal.

A nível digestivo, a hipercalcemia provoca desconforto gástrico, náuseas, vómitos e obstipação.

Os ossos tendem a ser mais fracos, o que provoca dores. Pode ocorrer igualmente fraqueza muscular. A osteoporose associada à hipercalcemia pode levar a fraturas, deformação da curvatura da coluna vertebral e redução da altura.

A nível cerebral, pode ocorrer confusão, letargia e fadiga. Nas formas mais graves, pode ocorrer evolução para coma e morte.

A nível cardíaco, podem surgir arritmias ou, mesmo, morte.

As pessoas que ingerem grandes quantidades de cálcio, como as que sofrem de úlcera péptica e que tomam leite e antiácidos que contêm cálcio, podem desenvolver uma hipercalcemia. Uma sobredose de vitamina D também pode afetar a concentração de cálcio no sangue ao aumentar de forma exagerada a sua absorção a partir do trato gastrointestinal.

A sua causa mais frequente é o hiperparatiroidismo, no qual ocorre uma secreção excessiva de hormonas paratiroides por estas glândulas. A origem mais comum para esta perturbação é a presença de um tumor benigno numa dessas glândulas. O hiperparatiroidismo é mais frequente nas mulheres do que nos homens e desenvolve-se com maior frequência nas pessoas adultas e nas que receberam radioterapia na região do pescoço.

Existem diversas formas de cancro que também provocam hipercalcemia, como o cancro do rim, do pulmão ou dos ovários. Outros (próstata, mama, pulmão) podem propagar-se aos ossos, destruindo estas células e libertando cálcio no sangue. O mieloma múltiplo (cancro que afeta a medula óssea) e a doença de Paget também pode levar à destruição do osso e à hipercalcemia. Outras situações incluem pacientes imobilizados.

Alguns medicamentos, como o lítio, são outra causa possível, além da componente genética. Finalmente, a desidratação pode causar hipercalcemias transitórias.

O quadro geralmente é detetado em análises de rotina ao sangue. Na identificação da sua causa podem ser necessários outros exames, entre os quais estudos por imagem.

O tratamento depende da sua gravidade e das causas. Se a concentração de cálcio não for muito elevada, é suficiente a correção da origem de base. É importante recomendar às pessoas com um funcionamento renal normal e que têm tendência para desenvolver hipercalcemia que bebam muitos líquidos, o que estimula os rins a eliminar o cálcio, além de ajudar a prevenir a desidratação.

Quando a concentração de cálcio é muito elevada ou quando surgem sintomas a nível cerebral, o tratamento implica a administração de fluidos intravenosos e diuréticos que estimulem a sua eliminação. Em casos mais graves, pode ser necessário recorrer à diálise.

Se a causa for hiperparatiroidismo, o tratamento passa, geralmente, pela remoção cirúrgica de uma ou mais glândulas paratiroides.

Quando a hipercalcemia é causada pelo cancro, o tratamento é mais difícil e passa pelo controlo da doença de base.

Há fármacos que ajudam a tratar esta patologia.

A sua prevenção passa pela ingestão de quantidades adequadas de fluidos, pelo controlo do sal na dieta e pela manutenção da atividade física. Sempre que possível, é importante não tomar medicamentos que causam hipercalcemia. Uma vez que os vómitos e diarreia implicam perda de fluidos, é importante tratar essas condições sempre que ocorram.

Fontes

Manual Merck Online, 2014

Mayo Foundation for Medical Education and Research, Abril de 2014

WebMD, Fevereiro de 2014

The Cleveland Clinic Foundation, Janeiro de 2009

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