Bloqueios de Nervos Periféricos

O que é?

Os bloqueios de nervos periféricos são procedimentos minimamente invasivos que servem como ferramentas diagnósticas e/ou terapêuticas no controlo da dor.  

O procedimento consiste na administração de um anestésico local (isolado ou associado a um corticóide) junto a um nervo específico ou a um conjunto de nervos responsáveis por transmitir a dor numa determinada região do corpo. A sua função principal é interromper temporariamente a condução do estímulo doloroso.  

Atualmente, a maioria destes bloqueios é realizada com o auxílio de orientação ecográfica, o que garante uma maior precisão e segurança ao processo.

 

Sintomas

A dor crónica afeta significativamente a qualidade de vida, o sono, o desempenho profissional e o bem-estar emocional.
Aplica-se a quem sofre de dor persistente que limita o seu dia a dia.

 

Causas

A evidência científica demonstra benefício dos bloqueios periféricos em múltiplas condições dolorosas, particularmente na dor neuropática localizada e em algumas síndromes musculoesqueléticas.

Estes procedimentos apresentam eficácia direcionada para algumas patologias e condições subjacentes, nomeadamente:

  • Dor neuropática: nevralgia pós-herpética e dor neuropática periférica pós-cirúrgica (ex.: após cirurgia de hérnia inguinal ou cirurgia de mama).
  • Dor musculoesquelética: omalgia (dor do ombro), dor da anca, gonalgia (dor no joelho) e lombalgia.
  • Cefaleias e dor facial: bloqueio do nervo occipital nas cefaleias cervicogénicas e nevralgia do trigémeo.
  • Síndromes dolorosas complexas: síndrome de dor regional complexa e dor oncológica localizada.


Diagnóstico

Estes procedimentos possuem a possibilidade de confirmar a origem da dor, exercendo um valor diagnóstico.

Cada caso é avaliado individualmente, tendo em conta a história clínica, exames complementares e resposta prévia a outros tratamentos.

A primeira etapa consiste na avaliação clínica e confirmação da indicação.

 

Tratamento

Na consulta de dor, uma das ferramentas terapêuticas disponíveis são os bloqueios de nervos periféricos.

O bloqueio é habitualmente realizado em regime ambulatório, na consulta ou em sala de procedimentos.

O procedimento dura geralmente entre 10 e 20 minutos, e o doente pode regressar a casa no próprio dia, respeitando as recomendações pós-procedimento.

 

Etapas do procedimento

O processo segue seis etapas principais:

  1. Avaliação clínica e confirmação da indicação;
  2. Explicação detalhada do procedimento e obtenção de consentimento informado;
  3. Monitorização, desinfeção da pele e anestesia local;
  4. Introdução de uma agulha fina guiada por ecografia até à proximidade do nervo;
  5. Administração do fármaco;
  6. Monitorização pós-procedimento e recomendações pós-alta.

 

Eficácia

Pode reduzir ou eliminar a dor, diminuir a necessidade de medicação sistémica e reduzir o consumo de analgésicos sistémicos.

Garante um alívio rápido da dor (em muitos casos).
Em alguns doentes, o alívio é temporário; noutros, pode ser prolongado, sendo que a resposta é variável e depende do mecanismo da dor e da patologia subjacente.

 

Prevenção

Como qualquer procedimento médico, os bloqueios de nervos periféricos não estão isentos de riscos, embora sejam geralmente seguros quando realizados por profissionais experientes.

O acompanhamento clínico e a técnica correta visam evitar e monitorizar possíveis complicações como: hemorragia ou hematoma local, infeção (rara), dormência temporária, reação alérgica (muito rara) e falha terapêutica.
A utilização de ecografia aumentou a taxa de sucesso e reduziu eventos adversos, reduzindo significativamente o risco de complicações.

O procedimento atua na prevenção do declínio físico ao permitir a reabilitação funcional, reduzir a limitação funcional e permitir maior colaboração na fisioterapia e reabilitação.

 

Abordagem Multidisciplinar da Dor

Os bloqueios não substituem, na maioria dos casos, uma abordagem multidisciplinar da dor.

Na consulta de dor, integram frequentemente um plano que pode incluir: otimização farmacológica, fisioterapia, técnicas de intervenção minimamente invasivas, apoio psicológico e educação para a dor.

São descritos como uma ferramenta segura e eficaz na consulta de dor, com potencial diagnóstico e terapêutico.

Quando indicados de forma criteriosa e integrados numa abordagem multidisciplinar, podem contribuir significativamente para o controlo da dor e melhoria da qualidade de vida.

O objetivo não é apenas reduzir a intensidade da dor, mas melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida.

Caso o doente sofra de dor persistente que limita o seu dia a dia, a avaliação por uma equipa especializada em dor pode ajudar a identificar a melhor estratégia terapêutica para o seu caso.

Fontes
  • Valerio, A. C. E. P., Ribeiro, G. B., Rêgo, H. M. A., Orr, M. B., Oliveira, J. M. P., Turco, D. C., et al. (2025). Bloqueios de nervos periféricos para controle da dor pós-operatória: Revisão integrativa. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(2), 2087–2105. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n2p2087-2105
  • Niyonkuru, E., Iqbal, M. A., Zeng, R., Zhang, X., & Ma, P. (2024). Nerve Blocks for Post-Surgical Pain Management: A Narrative Review of Current Research. Journal of pain research, 17, 3217–3239. https://doi.org/10.2147/JPR.S476563
  • Benzon, H. T. (2024). Sympathetic and peripheral nerve blocks, trigger point injections. Regional Anesthesia & Pain Medicine. https://rapm.bmj.com/content/early/2024/08/07/rapm-2024-105593

Unidades autónomas