COVID-19:

Como compensar a carência de vitamina D
COVID-19
Prevenção e bem-estar
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Em plena epidemia de COVID-19, ficar em casa é importante, mas pode significar menos exposição solar e uma consequente carência em vitamina D. Saiba como agir.

Para que o nosso corpo consiga produzir quantidades adequadas de vitamina D, é importante a exposição ao sol. Contudo, com as recomendações de isolamento social e confinamento - tão importantes na proteção contra o contágio pelo novo coronavírus -, a população poderá não estar a apanhar sol suficiente, especialmente quem não tem varanda ou jardim em casa. O resultado poderão ser níveis deficientes desta vitamina, essencial ao bom funcionamento de todo o nosso organismo, assim como para a prevenção de certas doenças. Mais, a prudência que se exige relativamente à exposição solar deixa ainda uma dificuldade maior relativamente a este tema.

 

Os níveis de vitamina D em Portugal

A carência de vitamina D é bastante prevalente na população portuguesa. Ao contrário do que acontece nos países do norte da Europa, os dados populacionais conhecidos mostram que os países do sul apresentam prevalências de carência de vitamina D menores. As razões podem ser não só o facto dos países do norte tomarem suplementação de vitamina D - os do sul com a ideia de “países de sol” fazem muito menos suplementação -, como podem ser razões genéticas.

Segundo o estudo Prevalence of Vitamin D deficiency and its predictors in the Portuguese population: a nationwide population-based study, mais de 2/3 da população portuguesa apresenta níveis insuficientes de vitamina D.

Alguns dos sintomas de deficiência nesta vitamina incluem:

  • Fadiga
  • Dores nos ossos e nas costas
  • Alterações de humor
  • Ocorrência regular de infeções
  • Menor capacidade de cicatrização de feridas
  • Queda de cabelo
  • Dores musculares

 

Para que serve a vitamina D

O nosso corpo produz vitamina D através da exposição solar e esta é essencial para várias funções do nosso organismo:

  • É importante para o funcionamento dos sistemas imunitário e nervoso e do cérebro
  • Regula os níveis de insulina e ajuda à gestão da diabetes
  • Regula a quantidade de cálcio e de fosfato no nosso corpo, nutrientes necessários para manter os ossos, dentes e músculos saudáveis
  • Regula a expressão da renina, regulando a atividade do eixo Renina-angiotensina e, por isso, a pressão arterial

 

A carência desta vitamina pode favorecer o desenvolvimento de deformações ósseas em crianças, como raquitismo, e dores nos ossos em adultos devido a osteomalacia.

Muitos são os exemplos na literatura científica médica a mostrar a importância desta vitamina, que é uma hormona.

 

Vitamina D e infeções respiratórias

A carência de vitamina D está associada a maior gravidade das infeções respiratórias como têm mostrado muitos dos estudos já publicados quer no âmbito da gripe A, em 2010, quer do novo coronavírus, em 2020. Está comprovado que a sua suplementação, em quem apresenta deficiência neste nutriente, diminui esse risco.

 

Como obter vitamina D através do sol

A maior parte das pessoas consegue obter os níveis adequados de vitamina D através da exposição solar. Para isso, devem apanhar sol por pequenos períodos, expondo os antebraços, mãos ou pernas.

Ainda não se sabe exatamente quanto tempo de exposição solar diária é necessário para suprir as necessidades do nosso corpo, pois há vários fatores que podem influenciar a sua capacidade de produzir vitamina D, como a cor da pele e a área de pele exposta ao sol.

É importante ter em consideração que o nosso corpo não consegue produzir vitamina D através da exposição solar dentro de casa à janela, pois os raios UVB não atravessam o vidro.

 

Atenção!

Não é possível obter quantidades excessivas de vitamina D através da exposição solar. Contudo, é importante que proteja a sua pele caso se exponha ao sol durante longos períodos de tempo para prevenir lesões cutâneas e cancro da pele.

 

Alimentação: fontes de vitamina D

Embora seja a exposição solar a principal fonte de vitamina D, também é possível obtê-la através da ingestão de alguns alimentos, tais como:

  • Peixes gordos (como salmão, sardinhas, arenque e cavala)
  • Carne vermelha
  • Fígado de vaca
  • Gema de ovo
  • Alimentos fortificados, como leite
  • Queijo
  • Cogumelos

 

Suplementos de vitamina D: como, quando e para quem?

A suplementação com vitamina D é uma estratégia segura e económica para prevenir a carência deste nutriente. Isto porque a sua margem de segurança é muito grande; seria necessária a toma de uma dose muito acima da recomendada para que ocorressem riscos para a nossa saúde.

 

O suplemento alimentar de vitamina D poderá estar recomendado para pessoas que:

  • Passam pouco tempo no exterior
  • Vivem em instituições, como os lares
  • Vestem roupa que tapa o corpo todo quando se encontram no exterior
  • Têm pele escura
  • Têm excesso de peso ou obesidade
  • Apresentam polimorfismos nos genes associados à síntese no organismo

 

Um alerta particular aos doentes com toma de estatinas: estes fármacos reduzem a síntese de colesterol, interferindo também na síntese de vitamina D.

As doses recomendadas existentes relativamente à toma de vitamina D não estão ajustadas à população portuguesa, sendo orientações internacionais, que não estão ajustadas ao peso e são controversas. Durante a fase de COVID-19, tem sido recomendada a dose diária de 20 microgramas.

Contudo, antes de começar a tomar este suplemento alimentar deve sempre informar-se junto de um profissional de saúde.

 

O que acontece se tomar demasiada vitamina D?

A toma de uma dose excessiva de suplementos de vitamina D durante um período de tempo prolongado pode levar à acumulação de cálcio no nosso organismo (hipercalcemia), o que, por sua vez, pode provocar o enfraquecimento dos ossos e danificar os rins e o coração.