Como viver com síndrome de Asperger
Bebés e crianças
Doenças crónicas
Prevenção e bem-estar
3 mins leitura

Em Portugal, há cerca de 40 mil pessoas a viver com síndrome de Asperger, condição do espetro do autismo que provoca dificuldades na comunicação e relações.

A síndrome de Asperger é uma perturbação neuropsiquiátrica que se encontra inserida no espetro do autismo como uma perturbação ligeira. É comum associar-se o autismo, assim como outras perturbações compreendidas no seu espectro, à presença de alguma forma de atraso mental. No entanto, muitos dos indivíduos que apresentam síndrome de Asperger detêm capacidades mentais normais ou até, em alguns casos, acima da média. Embora as capacidades cognitivas não costumem ser afetadas, as pessoas com esta síndrome apresentam, no entanto, dificuldades na comunicação não-verbal e nos relacionamentos interpessoais.

 

Como reconhecer

A síndrome de Asperger é normalmente detetada e diagnosticada na infância ou adolescência por especialistas nas áreas da pediatria, neurologia pediátrica ou pedopsiquiatria; ou, se já em fase adulta, por neurologia ou psiquiatria. O encaminhamento deverá suceder quando se encontram presentes alguns dos seguintes sintomas, observados e reconhecidos pela família, pelos professores e/ou pelo médico assistente:

  • Descoordenação dos movimentos
  • Falhas na comunicação não verbal, nomeadamente na utilização deficiente de expressões faciais ou corporais e na fuga ao contacto visual
  • Conversas em forma de monólogos e repetição contínua de expressões
  • Interesse restringido a temas muito específicos
  • Falhas na compreensão dos outros e dificuldade em mostrar empatia ou em compreender humor ou ironia
  • Resistência à alteração de comportamentos e rotinas
  • Comportamentos obsessivo-compulsivos

 

Estima-se que a síndrome de Asperger afete quatro vezes mais homens que mulheres. A perturbação não costuma, no entanto, ser identificável antes dos cinco ou seis anos de idade.

 

Como viver com síndrome de Asperger

A síndrome de Asperger, tal como parte considerável das perturbações neurológicas, não tem cura, mas existem terapêuticas que possibilitam uma melhor convivência da pessoa com a doença.

O acompanhamento psicológico é benéfico na maior parte dos casos, ajudando a pessoa com Asperger a melhor desenvolver as suas competências comunicacionais e sociais, assim como a lidar com eventuais dificuldades e frustrações quotidianas, problemas de tipo obsessivo-compulsivo, ansiedade ou sentimentos depressivos.

Não existe medicação para a Asperger em si mas, em alguns casos, poderão ser prescritos medicamentos com o objetivo de tratar situações psiquiátricas acompanhantes, tais como perturbação obsessivo-compulsiva, perturbação depressiva ou de ansiedade, entre outros.

 

O que os pais podem fazer

No caso de uma criança com Asperger, é importante que os pais estimulem a socialização, monitorizando os seus relacionamentos e encorajando aqueles que consideram benéficos.

Os pais devem também procurar ajudar os filhos no desenvolvimento de competências sociais básicas:

  • Encorajá-los a fazer contacto visual
  • Habituá-los ao contacto físico
  • Demonstrar pelo exemplo
  • Auxiliá-los a perceber o que é empatia e compreensão pelo outro
  • Procurar estimular o interesse dos filhos pelos seus talentos
  • Valorizar os seus sucessos, de forma a que adquiram uma boa autoestima