Parasitoses

O que são?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Parasitose é a infeção que se desenvolve a partir da presença de um volume anormal de parasitas intestinais (que incluem diversos tipos de micro-organismos). A principal forma de contaminação é a via fecal-oral a partir da água ou alimentos contaminados.

A sua prevalência é variável consoante a zona geográfica e depende das condições sanitárias e climatéricas. São mais comuns na África subsaariana, seguida da Ásia e da América Latina.

Trata-se de um conjunto de doenças muito frequentes em todo o planeta. A Organização Mundial de Saúde estima em cerca de 3,5 mil milhões o número de pessoas afetadas por parasitoses, das quais 450 milhões são crianças.

Os parasitas mais habituais são os do grupo dos helmintas nemátodes, principalmente o Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e os Ancilostomas.

Existem poucos dados relativos à prevalência destas infeções em Portugal. Alguns estudos do final da década de 80 e início de 90 sugeriam uma diminuição do número de casos, relacionada com a melhoria das condições de higiene e sanitárias. Investigações mais recentes continuam a mostrar uma importante redução da sua prevalência. Com base nestes dados pode-se estimar que em Portugal a taxa de parasitismo intestinal é baixa, sendo devida principalmente a Giardia lamblia e alguns helmintas, dos quais o Trichuris trichiura parece ser o mais prevalente.

A maioria das parasitoses intestinais é bem tolerada pelo paciente quando as suas defesas são normais, evoluindo sem queixas ou apenas com sintomas gastrointestinais inespecíficos (dor abdominal, vómitos e diarreia), frequentemente associados a perda de peso. A infeção causada por cada parasita pode apresentar aspetos particulares que, em muitos casos, permitem orientar o diagnóstico.

Por exemplo, no caso da parasitose causada por Giardia lamblia, a infeção pode ocorrer sem quaisquer sintomas ou com um quadro de diarreia aguda (com ou sem vómitos) ou crónica. A diarreia crónica associa-se frequentemente a sintomas de mal absorção intestinal (fezes fétidas, flatulência, distensão abdominal), perda de apetite, má progressão no crescimento, perda de peso ou anemia.

No caso da infeção por Ascaris lumbricoides, pode acontecer também com queixas inespecíficas de dor ou desconforto abdominal e sintomas de mal absorção quando a infeção é prolongada. Na fase de migração larvar pode haver envolvimento pulmonar, sob a forma de pneumonite transitória aguda, com febre e alterações laboratoriais, que pode dar-se semanas antes das queixas gastrointestinais.

A obstrução intestinal alta é a complicação mais frequente. A migração dos vermes adultos através da parede intestinal pode provocar colecistite, colangite, pancreatite ou peritonite.

É importante referir que existem mais de 100 tipos diferentes de parasitas intestinais, que podem entrar no corpo através do nariz, da pele, dos alimentos, da água ou através das picadas de insetos.

De um modo geral, os parasitas aproveitam-se da fragilidade do organismo da criança, instalam-se no intestino, depositam os ovos na margem do ânus e esses ovos podem depois ser disseminados através das mãos, brinquedos ou outros objetos. Quando uma criança entra em contacto com outra que está infetada, ou com um brinquedo contaminado, e leva as mãos à boca, os ovos dos parasitas podem entrar no organismo através do aparelho digestivo.

Os principais fatores de risco são:

  • Morar ou viajar para áreas geográficas onde os parasitas são mais comuns
  • Má higiene das mãos e ou inexistência de água tratada
  • Idade (crianças e idosos são mais suscetíveis)
  • Institucionalização (crianças que frequentam centros de acolhimento)
  • Diminuição das defesas (como acontece na infeção pelo VIH/SIDA)

Em alguns casos, é possível visualizar diretamente os parasitas nas fezes, o que facilita o diagnóstico. Nos restantes, é necessário apoio laboratorial. A observação ao microscópio de diferentes preparados de fezes permite a deteção dos ovos, quistos ou de parasitas. Com frequência, este tipo de exame tem de ser repetido em diferentes períodos de tempo, porque os parasitas apresentam ciclos de vida diversos e intermitentes. A colheita deve ser feita em três dias consecutivos. As análises de sangue têm pouca utilidade para o diagnóstico. Podem, em alguns casos, permitir detetar algumas alterações laboratoriais.

A radiografia do abdómen com contraste opaco pode mostrar imagens correspondentes a Ascaris lumbricoides. Outros meios de diagnóstico, como a endoscopia, ecografia, tomografia axial computorizada ou a ressonância magnética, podem ser necessários no estudo de complicações intestinais ou extraintestinais.

As opções terapêuticas são variadas e dependem da causa da infeção. De um modo geral, são medicamentos com elevada eficácia e comodidade de administração. Como regra, estes fármacos podem ser utilizados no tratamento das parasitoses intestinais a partir dos 12 meses, embora deva ser sempre feita uma avaliação caso a caso.

É importante referir que as desparasitações sistemáticas não evitam as novas infeções. As únicas medidas preventivas que devem ser adotadas são as que permitem interromper o ciclo de contaminação. Para isso, é fundamental o controlo das águas (com saneamento básico), do solo (com técnicas de rega e fertilização adequadas) e dos animais (tendo em atenção o consumo de carne e peixe e a existência de animais domésticos).

A nível individual, lavar as mãos, a preparação adequada dos alimentos (lavagem de frutas e vegetais e evitar carne e peixe mal cozinhados) e o consumo de água filtrada e clorada são a melhor forma de proteção.

Fontes

Corry Jeb Kucik e col., Common Intestinal Parasites, Am Fam Physician, 2004 Mar 1;69(5):1161-1169.

Sofia Fernandes e col., Protocolo de parasitoses intestinais, Acta Pediatr Port 2012:43(1):35-41

University of Maryland Medical Center, Maio 2013

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