Miopia

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A miopia, do mesmo modo que o astigmatismo e a hipermetropia, corresponde a um erro refrativo, ou seja, uma alteração da morfologia do globo ocular que afeta a forma como as imagens são formadas e transmitidas ao cérebro. Neste caso, o globo ocular é maior do que o normal ou a córnea, a sua camada mais anterior, é mais curva do que deveria ser. Em qualquer das situações, as imagens focam-se à frente da retina ficando desfocadas.

Este erro refrativo é muito comum, afetando cerca de 20% a 30% da população mundial. A sua prevalência varia com a idade, com a raça e com o sexo. Aumenta nas primeiras décadas de vida, particularmente durante a infância tardia e a adolescência. Está presente em 1% das crianças aos cinco anos, aumentando para 8% aos 10 anos e 15% aos 15 anos. É ligeiramente mais frequente no sexo feminino. Em Portugal estima-se que cerca de 20% das crianças e metade da população adulta sofram de erros refrativos significativos, incluindo a miopia e o astigmatismo.

A miopia determina uma redução da qualidade da visão ao longe. Numa criança, essa diminuição pode passar despercebida, sobretudo se afetar apenas um olho. A visão ao perto não é atingida, a não ser nos casos de miopia muito elevada. As crianças podem queixar-se de dores de cabeça, de cansaço, o seu rendimento escolar pode ser prejudicado e tendem a aproximar-se muito da televisão ou dos objetos. Como em muitas situações estes sintomas não são percetíveis, é essencial a realização de uma consulta de oftalmologia por volta dos três anos que permite detetar a presença de astigmatismo, miopia ou hipermetropia e, se necessário, proceder à sua correção.

No adulto, as queixas são mais óbvias porque a dificuldade visual é facilmente detetada e correspondem a dores de cabeça, cansaço nos olhos ou fadiga na condução.

Não se conhece a sua causa exata. Como regra, está presente desde o nascimento e quase sempre associada ao astigmatismo. Embora a sua base seja essencialmente genética, a miopia pode surgir após um traumatismo ou uma cirurgia ocular. Algumas doenças oculares, como o queratocone em que a córnea fica progressivamente mais fina, associam-se a graus elevados de miopia.

Existem vários fatores de risco para o seu aparecimento numa criança. Uma história familiar é um indicador muito importante. A sua prevalência na presença de um progenitor míope é de 20% a 40% e com ambos os pais míopes é de 30% a 60%.

O excesso de utilização da visão de perto, que inclui a leitura frequente e regular, aparentemente constitui também um fator de risco, embora este dado não esteja plenamente comprovado e seja ainda bastante controverso.

Na maioria dos casos apresenta-se numa forma simples que aumenta durante a infância e a adolescência a um ritmo variável, não ultrapassando as seis dioptrias.

A miopia degenerativa é mais rara, corresponde a valores superiores a seis dioptrias e associa-se a maior dificuldade visual e a alterações da retina que podem trazer complicações, como o seu descolamento. O glaucoma é também mais comum nestes doentes.

Numa consulta de Oftalmologia, existindo diversos equipamentos que permitem uma deteção e quantificação rápidas da miopia. Mesmo em crianças que ainda não colaboram nos testes normais de visão, existem alternativas que permitem um diagnóstico preciso. Nessa consulta, todo o globo ocular é avaliado no sentido de estudar as suas características e de excluir possíveis causas de miopia bem como outras doenças oculares.

As formas ligeiras, que não interferem de modo significativo com a visão, não requerem tratamento. Quando é elevada e/ou quando afeta a qualidade da visão, importa corrigi-la recorrendo a óculos, lentes de contacto ou cirurgia refrativa.

Os óculos são a solução ideal em crianças até aos 15 anos. No caso de pessoas com mais de 40 anos, pode ser necessário lentes progressivas com graduações diferentes ao longo da sua superfície.

As lentes de contacto podem ser utilizadas a partir dos 15 anos desde que não existam contraindicações, como a presença de alergia, falta de lágrima, exposição intensa a fumos ou a ambientes muito secos. O seu uso requer rigor, higiene e disciplina, sendo importante um acompanhamento médico regular que garanta a pronta deteção e correção de quaisquer anomalias resultantes da sua utilização. Existem vários tipos de lentes de contacto e a seleção da mais apropriada depende sempre de uma avaliação médica prévia. Tanto os óculos como as lentes de contacto compensam o erro refrativo mas não o curam nem impedem a sua progressão.

A cirurgia refrativa está indicada em pessoas com miopia, com mais de 18 anos e com uma graduação estabilizada há, pelo menos, 12 meses. Nem todas podem realizar este tipo de intervenção, sendo fundamental um estudo médico prévio de cada caso.

Essa cirurgia, quando realizada por laser, permite moldar a superfície da córnea e corrigir os erros de superfície correspondentes à miopia. Trata-se de um procedimento simples, feito sob anestesia local, com uma duração de 15 a 20 minutos e que permite uma visão normal em menos de 24 horas. Mesmo na presença de um quadro combinado de astigmatismo e miopia ou astigmatismo e hipermetropia, esta cirurgia permite resultados fiáveis e seguros. Uma alternativa ao laser é a colocação de uma lente dentro do globo ocular que permite compensar a miopia.

 

Qual o prognóstico da miopia?

Embora a miopia possa sofrer alterações ao longo do tempo, tornando necessárias atualizações da graduação dos óculos ou das lentes de contacto, ela corresponde a um processo benigno sem implicações permanentes na visão. As exceções são os casos de miopia degenerativa, que se podem associar a complicações como o glaucoma ou o descolamento da retina e que, por isso, merecem uma observação mais regular.

As crianças com idade inferior a cinco ou seis anos constituem uma exceção. Se existir uma miopia significativa presente desde os primeiros anos de vida e que não foi corrigida até essa idade, pode ocorrer um quadro que se designa por ambliopia, o vulgar “olho preguiçoso”, que implica uma interrupção do normal desenvolvimento da visão. Essa interrupção, depois dessa idade, tende a tornar-se permanente e irreversível. Daí a necessidade de uma primeira consulta a todas as crianças por volta dos três anos, de modo a garantir que qualquer tipo de erro refrativo seja prontamente diagnosticado e corrigido antes da instalação da ambliopia.

A está presente desde o nascimento e embora não se conheça a sua causa exata, sabe-se que há uma base genética para a sua ocorrência. Não sendo por isso possível preveni-la.

Fontes

PubMed Health, Set. 2012

American Optometric Association, 2013

BMJ Publishing Group, Evidence Centre, 2011

Programa Nacional para a Saúde da Visão, Direcção Geral da Saúde, 2004

Mayo Foundation for Medical Education and Research, Março 2012