Hidrocelo

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Os testículos são os órgãos responsáveis pela formação de espermatozoides e localizam-se dentro de uma bolsa (escroto). Aí estão envolvidos por um líquido que facilita os seus movimentos e reduz o risco de agressões externas. O hidrocelo refere-se a um aumento da quantidade desse líquido, como resultado de um processo inflamatório que afeta um ou ambos os testículos.

Trata-se de uma situação bastante frequente nos recém-nascidos porque, durante o seu desenvolvimento normal, os testículos descem desde o abdómen até ao escroto através de um canal. Quando esse canal não se encerra, pode ocorrer passagem de líquido a partir da cavidade abdominal que se acumula no escroto. Cerca de 1% a 2% dos recém-nascidos apresenta hidrocelo, sendo essa taxa mais elevada nos prematuros, podendo manter-se em aproximadamente 80% a 95% dos recém-nascidos e em 20% dos adultos.

O seu principal sintoma é o inchaço dos testículos, que pode afetar apenas um ou os dois. As dimensões do hidrocelo variam normalmente em relação com o esforço e pode ser acompanhado por uma hérnia inguinal. No exame médico, torna-se difícil palpar o testículo devido ao líquido que o envolve. Caso o doente manifeste uma dor aguda no escroto ou nos testículos, tal facto pode significar uma torção testicular ou outro evento grave e, por isso, esse sintoma implica uma visita hospitalar urgente. O hidrocelo, por si só, não interfere com a fertilidade masculina, mas pode ser um sintoma de outros fatores com repercussões na fertilidade.

Podem ter uma causa congénita e, nesses casos, tendem a desaparecer por volta dos 18 meses de idade. As formas adquiridas têm como base uma inflamação nos testículos, relacionada com tumores, torções testiculares ou traumatismos. Estas predominam nos jovens e nos adultos. Outras causas possíveis são a epididimite (inflamação do epidídimo) ou uma operação prévia a um varicocelo.

Através da história clínica e do exame físico. A iluminação do escroto com uma lanterna permite visualizar o hidrocelo, uma vez que o líquido é transparente. A ecografia é útil quando existem dúvidas sobre a presença de massas no escroto. Pode ainda ser recomendado a realização de exames laboratoriais para despiste de uma infeção.

Uma vez que, habitualmente, não representa perigo, o seu tratamento só está indicado se causar desconforto ou quando as suas dimensões possam comprometer o transporte de sangue até ao testículo.

Como regra,  a cirurgia não é indicada nos primeiros 12 a 24 meses, uma vez que, nesse período, pode ocorrer uma resolução espontânea. Só se avança se estiver presente uma hérnia inguinal concomitante ou outra doença testicular subjacente.

O tratamento é cirúrgico, não requer internamento e é feito sob anestesia geral. É realizada uma pequena incisão no escroto ou na parte inferior do abdómen para se poder remover o líquido em excesso.

A aspiração com agulha é uma alternativa à cirurgia, mas é um método menos utilizado por se associar a um risco mais elevado de infeção e por aumentar a probabilidade de formação de novo hidrocelo.

Não existe forma de prevenir o desenvolvimento de um hidrocelo.

Fontes

S. Tekgül e col., Orientações sobre Urologia Pediátrica, 2014

U.S. National Library of Medicine, outubro 2013

Mayo Foundation for Medical Education and Research, outubro 2014

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