Espondilite anquilosante

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento

A espondilite anquilosante é uma doença reumática crónica de natureza inflamatória. 

O seu nome deve-se ao facto de as vértebras ficarem inflamadas e “soldarem-se” entre si, causando anquilose (fusão) da coluna vertebral e das articulações sacroilíacas (as que unem a parte inferior da coluna com a bacia). O resultado acaba por ser a limitação da mobilidade e a perda de flexibilidade da coluna vertebral (fica mais rígida).

A nível mundial, a espondilite anquilosante (EA) afeta, em média, um em cada 200 indivíduos.

Surge geralmente entre os 20 e os 30 anos sendo raro que aconteça depois dos 45 anos, e é mais prevalente nos homens do que as mulheres. Quando ocorre no sexo feminino, costuma ter uma evolução mais favorável.

Apesar de, na maioria dos casos, surgir de forma isolada, pode aparecer associada a outras condições clínicas, como a psoríase ou a doenças inflamatórias intestinais.

A espondilite anquilosante manifesta-se de modo gradual com dor severa, difícil de definir mas sobretudo na região lombar, acompanhada de dificuldade na mobilização, rigidez e enfraquecimento muscular.

  • Rigidez: dificuldade na mobilização da coluna vertebral, mais intensa de manhã ao acordar, com duração superior a 30 minutos, podendo atingir horas.
  • Dorsalgia inflamatória: dores na coluna dorsal, mais intensas durante a noite
  • Lombalgia inflamatória: dores na coluna lombar, mais intensas de manhã e durante a noite, na cama. Melhoram com os movimentos e o exercício físico.
  • Pseudo-ciatalgia: dores ao nível das nádegas (dores glúteas) e por vezes na face posterior das coxas, podendo alternar entre o lado direito e esquerdo (dores basculantes).
  • Talalgias: dores na região do calcanhar causadas pela inflamação do tendão de Aquiles e da fáscia plantar.
  • Tendinites: inflamação dos tendões, que origina inchaço e dor no tendão de Aquiles e no tendão rotuliano (à frente do joelho).
  • Artrite periférica: inflamação das articulações, que atinge predominantemente os membros inferiores (anca, joelho e tornozelo).
  • Olho vermelho: inflamação do olho (uveíte), que exige tratamento urgente para evitar sequelas, tais como diminuição da visão.

Por ser uma doença sistémica, a espondilite anquilosante pode afetar outros órgãos, como pulmões e coração. A função pulmonar pode sofrer uma diminuição, causada por uma menor elasticidade torácica, razão acrescida para que quem sofre de espondilite anquilosante não deva fumar.

As causas na origem da espondilite anquilosante são ainda desconhecidas; sabe-se, no entanto,  que existe uma associação entre esta doença e o antigénio HLA-B27 (um marcador genético), que parece desencadear uma resposta anormal à ação de determinados microrganismos. Este é, provavelmente, o processo que desencadeia a doença.

O diagnóstico da espondilite anquilosante é feito com base em sintomas físicos e na observação do doente. As análises ao sangue podem ser necessárias para eliminar outras patologias e permitir a tipagem genética para pesquisa do HLA-B27 pode ajudar a fortalecer o diagnóstico, embora também possa estar associado a outras doenças.

As radiografias da bacia e coluna vertebral permitem verificar se existem alterações nas sacroilíacas e nas vértebras, contudo, essas alterações são geralmente muito tardias em relação ao início dos sintomas.

Quando o diagnóstico e o tratamento de EA são precoces, a maioria dos doentes tem uma boa qualidade de vida e raramente a rigidez articular se torna incapacitante.

Sendo uma doença reumática, crónica e progressiva, os objetivos do tratamento incluem o alívio da dor e da rigidez, a manutenção da boa função articular, evitando deformações e possibilitando uma boa qualidade de vida.

  • Fármacos: Incluem os anti-inflamatórios não esteróides, por vezes a sulfasalazina ou metotrexato. Recentemente, surgiram os tratamentos biológicos dirigidos especificamente aos componentes da resposta imunológica que intervêm na doença, podendo ser utilizados quando a medicação tradicional não é eficaz. 
  • Reabilitação: Um dos aspetos mais importantes do tratamento são os exercícios diários de reabilitação ao nível da coluna vertebral e respiratórios, de modo a fortalecer os músculos e evitar a rigidez e perda de mobilidade.
  • Cirurgia: Tem um papel limitado no tratamento, mas poderá ser necessária colocação de próteses quando existe uma articulação muito danificada (mais frequente ao nível da anca).

 

Cuidados diários:

  • Ao acordar, tomar um duche quente e prolongado para aliviar a rigidez matinal.
  • Fazer, todos os dias, exercícios para mobilização da coluna e treino respiratório, de preferência após o banho.
  • Manter uma postura correta (de pé ou sentado).
  • Evitar estar sentado durante horas, levantando-se frequentemente.
  • Ao sentar, manter os joelhos mais altos do que as ancas, evitar cruzar as pernas e sentar-se na ponta da cadeira.
  • Não fumar - fazê-lo agrava o prognóstico da doença.
  • Evitar o excesso de peso, que sobrecarrega a coluna vertebral. Deve transportar as compras em dois sacos, um em cada mão.
  • Usar vestuário simples e prático e os sapatos não devem ter saltos altos, que aumentam a lordose da coluna lombar.
  • Adaptar a casa às suas capacidades, para manter-se o mais autónomo e ativo possível.
Fontes:

Associação Nacional da Espondilite Anquilosante, abril de 2019

Instituto Português de Reumatologia

NARCISO, Lurdes. Manual Informativo para o Doente com Espondilite Anquilosante, abril de 2019).

Sociedade Portuguesa de Reumatologia, abril de 2019