Capsulite adesiva

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

É uma enfermidade de origem incógnita, mais frequente nas mulheres de meia idade, que se manifesta por uma dor predominantemente noturna que perturba o sono e por uma restrição progressiva da mobilidade do ombro.

A capsulite adesiva ou "ombro congelado" é uma doença de causa desconhecida. Mas sabe-se que as mulheres entre os 45 e os 55 anos, os diabéticos ou com antecedentes dessa patologia na família e pessoas com problemas da tiroide têm uma maior probabilidade de a desenvolver.

Por vezes os doentes associam o seu início a um episódio traumático. Outros referem um quadro de dores ocasionais no ombro, que não os impedem de fazer as atividades de vida diária e que progressivamente se vai transformando num quadro incapacitante.

Nesta patologia o processo inflamatório dentro da articulação leva a uma diminuição progressiva do fundo de saco axilar, a um encurtamento de todos os ligamentos, à formação de aderências (pontes entre várias estruturas) e a um aumento da espessura da cápsula, a qual perde a sua distensibilidade. São estes fatores que provocam uma limitação da mobilidade passiva (aquela que o examinador pesquisa no doente), sobretudo da rotação externa.

Classicamente descrevem-se três fases desta doença:

  • Uma fase que corresponde ao período de maior inflamação da articulação. O paciente sente uma dor predominantemente noturna que não permite o sono tranquilo e uma redução progressiva da mobilidade que o vai impedindo de levantar o braço e de chegar por exemplo atrás das costas.
  • Uma fase congelada em que a dor diminui, mas em que se mantem a redução da flexibilidade e a incapacidade para uma vida com qualidade.
  • Uma fase de resolução em que progressivamente o doente readquire o movimento.

É uma patologia considerada autolimitada já que tem uma duração de cerca de dois anos. No entanto é impossível pedir a um doente com dores intensas, que não dorme e que tem limitações importantes da mobilidade, que aguarde nestas circunstâncias que esse período finde. Mais recentemente tem sido contestado o carácter benigno do seu curso pois verificou-se que uma percentagem importante de pacientes que seguiram a história natural da doença apresentam limitações da mobilidade que interferem com a sua qualidade de vida.

A capsulite adesiva é uma doença de causa desconhecida.

Na fase inicial é difícil fazer o diagnóstico diferencial entre esta patologia e o síndrome de conflito sub-acromial agudizado ou a tendinopatia calcificada, mas um exame cuidado, centrado na dor, nos sinais de conflito e nas restrições da mobilidade permite o seu reconhecimento.

Já os exames complementares são de valor limitado nesta doença. A radiografia pode apresentar-se normal, enquanto a ecografia mostra por vezes alterações inflamatórias dos tendões. A ressonância magnética indica variações da cápsula articular compatíveis com a doença e alterações inflamatórias ou estruturais dos tendões.

O tratamento tem como objetivo inicial a diminuição da dor. A maior parte dos indivíduos já fez terapêuticas com vários medicamentos, sem sucesso, e também fisioterapia com poucas melhorias. É importante sublinhar que quando existe este quadro patológico, esta doença sobrepõe-se a todas as outras que o ombro possa ter. Assim se houver uma rotura da coifa demonstrada na ressonância magnética é fundamental restabelecer a mobilidade e só posteriormente, se se mantiver um quadro de rotura da coifa, então tratar essa doença.

A infiltração intra-articular é o ato médico com maiores probabilidades de controlar o processo inflamatório levando a uma redução franca da dor e criando a possibilidade de, com fisioterapia, o paciente tornar a ganhar a mobilidade perdida. A grande maioria recupera-a desta forma. Há, no entanto, uma minoria que fica com dor ou que, mesmo sem sofrimento, não consegue com fisioterapia recuperar a flexibilidade perdida. Estes doentes têm indicação cirúrgica.

Embora esteja descrita uma técnica de mobilização do ombro sob anestesia em que é forçada a articulação rompendo assim as estruturas que primeiro cedam, esta prática não é utilizada.

O tratamento cirúrgico é feito por artroscopia. O objetivo é, libertar sob visão direta a cápsula articular, obtendo uma mobilidade passiva praticamente normal. Assim no fim da intervenção o paciente já não tem a restrição estrutural que lhe impede a motricidade e deve de imediato iniciar a recuperação. O protocolo implica a colocação de um catéter (tubo muito fino) na indução anestésica, que permite anestesiar o ombro e o braço. No pós operatório imediato é possível demonstrar-lhe a mobilidade conseguida. Nos dias subsequentes é feita fisioterapia bi-diária sob anestesia loco-regional (do ombro e braço) facilitando assim a manutenção da flexibilidade conseguida. Os tratamentos de fisioterapia podem manter-se por mais três meses, na fase inicial diários, diminuindo posteriormente a frequência à medida que o ganho de mobilidade se mantem. O mais provável é, que no fim, o indivíduo readquira uma motricidade muito próxima do normal. As restrições remanescentes não são impeditivas de qualquer atividade de vida diária.

Sendo uma das causas mais comuns a imobilização durante a recuperação de uma cirurgia, fractura ou acidente vascular cerebral, é importante que sejam definidos exercícios activos e passivos que impeçam essa imobilidade prolongada.