O que vigiar nas várias fases da vida da mulher?

Prevenção e bem-estar
Saúde da mulher
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Todas as mulheres devem saber o que vigiar, quando e com que periodicidade, de forma a permitir a prevenção e diagnóstico precoce de várias patologias.

Da infância à terceira idade, o corpo da mulher vai sofrendo alterações e, consequentemente, também as suas necessidades em termos de saúde vão sendo diferentes. É, por isso, muito importante adaptar os cuidados a cada uma das fases. Saber em que alturas deve marcar determinadas consultas ou exames de rotina, pode ser o suficiente para evitar o desenvolvimento de doenças ou, caso surjam, para fazer um diagnóstico precoce.

 

Consultas

 

Consulta de Ginecologia

Deve ser realizada anualmente, por rotina, a partir dos 20/25 anos (ou mais cedo se a mulher for sexualmente ativa).

Nesta consulta é feito o exame ginecológico, que inclui a observação mamária e genital.

 

Consulta de Medicina Geral e Familiar

A partir dos 18 anos, é aconselhável realizar um check-up anual. A consulta inclui:

  • Observação clínica
  • Medição da tensão arterial
  • Análises do colesterol, glicemia, ureia, entre outras

 

Consulta de Oftalmologia

De dois em dois anos, é aconselhável realizar um exame oftalmológico. Se existirem patologias como diabetes ou hipertensão arterial, a consulta deve ser anual.

O mesmo acontece se existirem antecedentes familiares de doenças oculares, se se tiver realizado uma cirurgia ocular ou se se usar o computador diariamente.

 

Consulta de Medicina Dentária

Essencial para prevenir cáries e doenças periodontais que, por sua vez, têm repercussões na saúde geral.

Na idade adulta, idealmente, a consulta deve ser de seis em seis meses e incluir o exame da boca e higienização oral.

 

Consulta de Otorrinolaringologia

A partir dos 40 anos, é conveniente realizar um exame auditivo, repetindo-o de três em três anos.

 

Consulta Pré-Natal

Todas as mulheres que estejam a pensar engravidar devem marcar uma consulta pré-natal, que deve incluir:

  • Exame ginecológico e o Teste de Papanicolau (citologia)
  • Análises de rotina
  • Rastreio do VIH e Hepatite B, toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus

 

Exames

 

Autoexame da mama

A mulher deve fazer o autoexame da mama mensalmente, sete dias após a menstruação - evitando desta forma toda a fase mensal em que a mama está naturalmente com mais tensão..

Se já não for menstruada, a mulher deve escolher uma data fixa do mês para o autoexame.

 

Como fazer o autoexame da mama:

O autoexame da mama divide-se em duas partes. A primeira é de observação. Para tal, coloque-se em frente a um espelho e observe as suas mamas. Esteja particularmente atenta a sinais como:

  • pele casca de laranja
  • assimetria excessiva
  • vermelhidão 
  • líquido no mamilo

É importante que vá comparando as suas mamas de mês para mês.

A segunda parte do autoexame consiste na palpação da mama. Apesar de existirem várias técnicas e posições, sugerimos que adote uma e a utilize sempre. Não só isto lhe vai permitir uma melhor comparação de mês para mês, como todo o processo se tornará mais natural e simples. A posição mais comum é, de pé, colocar uma mão na nuca e, com a outra mão, percorrer a mama no sentido dos ponteiros do relógio, de fora para dentro, não esquecendo o mamilo e a axila. Depois, é só repetir na outra mama.

Se detetar algum dos sinais acima descritos ou algo de estranho, deve consultar um médico. Mesmo que não detete nada, deve visitar regularmente um ginecologista ou o seu médico assistente. O autoexame da mama não substitui esta consulta.

 

Autoexame da pele

Deve ser efetuado a partir dos 18 anos e é fundamental para prevenir o cancro cutâneo.

 

Como fazer o autoexame da pele:

Esteja atenta a alterações nos sinais que tem e ao aparecimento de novos sinais.

  • Observe a cor e forma dos sinais, procurando modificações na simetria, cor, rebordo e diâmetro.
  • Se detetar alguma alteração é aconselhável consultar o Dermatologista.

 

Mamografia

Trata-se de uma ferramenta fundamental para o diagnóstico precoce do cancro da mama, já que consegue detetar esta patologia antes de surgirem queixas ou alterações no exame clínico.

 Não existindo antecedentes familiares de cancro da mama, a mamografia deve ser realizada aos 35 anos e complementada com uma ecografia mamária. Se os resultados dos exames tiverem sido normais, é aconselhável realizar este exame de ano a ano. 

A partir dos 50 anos, a mamografia e a ecografia mamária deverão ser realizadas anualmente.

 

Atenção!

Se existirem casos de cancro da mama na família (mãe, tias, avós), a primeira mamografia e ecografia mamária deverão ser efetuadas entre os 30 e 35 anos e, a partir daí, repetidas anualmente.

 

Teste de Papanicolau

É recomendável a realização do Teste de Papanicolau (citologia), que permite diagnosticar o cancro do colo do útero, um ano após iniciar relações sexuais.

Se não existirem indicações específicas do ginecologista para realizar a citologia mais cedo, esta deve ser repetida de três em três anos.

Após os 65 anos (e se nos últimos dez anos os resultados de três citologias tiverem sido negativos) já não é necessário realizar este exame.

 

Colonoscopia

Exame que permite diagnosticar precocemente o cancro do cólon e que deve ser efetuado aos 50 anos e repetido a cada cinco anos.

Se existirem doenças inflamatórias crónicas, pólipos ou antecedentes familiares de patologias ou tumores intestinais, o médico poderá recomendar uma repetição mais frequente do exame.

 

Densitometria óssea

Este exame determina a densidade mineral óssea e é essencial para o diagnóstico da osteoporose.

Alguns dos fatores que justificam a realização deste exame incluem:

  • Tabagismo
  • Magreza em excesso
  • Hipertiroidismo
  • Fratura óssea
  • Estar imobilizada durante um período prolongado
  • Ser tratada com fármacos corticoides

 A densitometria óssea deve ser realizada após os 65 anos. Se existirem fatores de risco este exame deve ser realizado mais cedo. 

 

RASTREIOS

 

Rastreio do VIH

Deve ser feito se existirem dúvidas sobre a possibilidade de se estar infetado pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) e se a mulher:

  • Teve relações sexuais sem preservativo
  • Partilhou seringas, agulhas ou outro material utilizado para injetar drogas
  • Fez um piercing ou tatuagem com material não esterilizado
  • Contactou diretamente com o sangue de outra pessoa

Caso a mulher planeie engravidar ou está grávida também deve fazer o teste de pesquisa do VIH.

 

Rastreio da Hepatite B

A contaminação pelo vírus da hepatite B é feita através do sangue, sémen, saliva, secreções vaginais e leite materno. O teste deve ser realizado quando:

  • Os pais forem portadores de hepatite B
  • Se a mulher consumiu drogas injetáveis
  • Se teve ou tem múltiplos parceiros ou infeções transmitidas sexualmente
  • A contaminação com o VIH/SIDA também justifica que se faça o teste, assim como se se fez uma tatuagem ou piercing com material não esterilizado

 

Rastreio da Hepatite C

A contaminação por este vírus é feita, essencialmente, por via sanguínea. Assim, o rastreio deve ser feito caso a mulher tenha:

  • Injetado drogas
  • Feito um piercing ou tatuagem com material não esterilizado
  • Partilhado tesouras ou lâminas

 

VACINAS

Deve ser seguido, desde a nascença, o Programa Nacional de Vacinação (PNV) em vigor.

 

Outras vacinas:

  • Vírus do Papiloma Humano (HPV)

O HPV é uma das infeções por transmissão sexual mais frequentes a nível mundial e, na maioria dos casos, é assintomática e desaparece espontaneamente. No entanto, pode também provocar lesões benignas e, mais raramente, evoluir para cancro do colo do útero.

Existem no mercado duas vacinas do HPV:

  1. Bivalente: cobre apenas os tipos de HPV 16 e 18.
  2. Nonavalente: protege contra os tipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58 e está disponível em Portugal desde 2017.

Os cinco novos tipos da vacina nonavalente oferecem mais 20% de proteção contra cancros associados ao HPV e mais 35% contra lesões pré-cancerosas. 

Desde 2017, a vacina HPV9 foi introduzida no PNV com indicações para ser administrada a raparigas de dez anos e até à véspera de completarem os 18 anos, de modo a otimizar o grau de proteção.

 

  • Vacina da gripe sazonal

Esta é uma vacina opcional, que deve ser administrada no início do outono.

 É aconselhada para quem tem mais de 65 anos ou sofre de uma patologia debilitante (doentes crónicos do coração, pulmões, fígado ou rins). Quem tem diabetes ou outra patologia que provoque resistência às infeções também deve fazer esta vacina. 

 

Sabia que...

Se planeia engravidar, é muito importante marcar uma consulta pré-natal.