Terçolho

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

As pálpebras desempenham um papel muito importante na proteção do olho, funcionando como barreira mecânica em relação às agressões do exterior e sendo responsáveis pela secreção lacrimal, com funções essenciais na lubrificação, desinfeção e proteção dos olhos. Fazem parte da sua estrutura diversas glândulas que elaboram o componente mucoso e gorduroso da lágrima. Por vezes, essas glândulas podem ficar inflamadas.

O terçolho corresponde a um abcesso palpável, doloroso, avermelhado, que ocorre de forma aguda numa das pálpebras na sequência da infeção de uma ou mais glândulas que se encontram no seu bordo ou na sua espessura. O microrganismo mais frequentemente envolvido é uma bactéria do género Staphylococcus.

Consoante a sua localização e as glândulas envolvidas, os terçolhos podem ser classificados como externos, mais comuns, ou internos.

Os terçolhos são bastante comuns na população em geral, sobretudo em pacientes com blefarite crónica. As recaídas são igualmente frequentes, sobretudo se existir em simultâneo uma conjuntivite ou uma blefarite não tratadas.

O terçolho externo surge inicialmente com queixas de dor, vermelhidão e sensibilidade na margem da pálpebra, seguido pela formação de uma pequena massa arredondada. O doente pode referir lacrimejo, fotofobia e sensação de corpo estranho. A pálpebra tende a ficar inchada, de modo localizado ou mais difuso. Ao longo do tempo, surge no centro da pequena massa um ponto amarelo. De um modo geral, os terçolhos drenam espontaneamente ao fim de três a quatro dias, com descarga de pus e alívio da dor.

O interno também causa dor, vermelhidão e inchaço que tendem a ser mais localizados. Na parte interior da pálpebra é possível visualizar uma pequena elevação ou uma área amarelada que pode evoluir para um abcesso. Se apresentar grandes dimensões, pode interferir com a visão.

Resulta de uma infeção bacteriana. Como tal, uma má higiene dos olhos, associada a deficiente lavagem das mãos permite a transferência de bactérias.

A inflamação crónica das pálpebras (blefarite crónica) é um importante fator de risco, bem como a dermatite seborreica e a rosácea. Outros causas são falta de cuidado durante o uso de lentes de contacto, a não remoção da maquilhagem ao deitar e a utilização de cosméticos antigos ou fora do prazo de validade.

O seu diagnóstico é clínico, sendo realizado pelo médico oftalmologista durante a consulta.

É importante reforçar que nunca se deve espremer um terçolho. Essa manobra pode agravar a situação ao permitir a difusão do material infetado. Recomenda-se a aplicação de compressas quentes durante 10 a 15 minutos, duas a quatro vezes por dia, de modo a liquefazer as secreções e a facilitar a drenagem através do orifício da glândula. Em alguns casos, pode ser necessário recorrer a uma pomada com antibiótico. Nos casos mais resistentes, realiza-se uma pequena incisão para drenagem do terçolho.

Nas formas internas, a infeção é mais profunda e, por isso, a aplicação local de antibióticos deve ser complementada com o mesmo medicamento por via oral.

A prevenção passa pela boa higiene das mãos, pelo uso adequado de lentes de contacto e de cosméticos, e pelo tratamento das inflamações crónicas das pálpebras.

Fontes

Manual Merck Online, 2014

Centro de Informação do Medicamento, Ficha Técnica, 64

Mayo Foundation for Medical Education and Research, junho 2012

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