Doença bipolar

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

A Perturbação Bipolar (PB), anteriormente denominada psicose maníaco-depressiva, é uma patologia psiquiátrica crónica que se caracteriza por variações acentuadas do humor. Tipicamente, manifesta-se por períodos de elevação do humor e aumento da energia e da atividade (mania ou hipomania) alternando com fases de depressão e diminuição da energia e da atividade.

Qualquer dos dois tipos pode predominar numa mesma pessoa sendo a sua frequência bastante variável.

Estes episódios podem ser graves, moderados ou leves e apresentam um impacto importante nas sensações, emoções, ideias e comportamento da pessoa afetada, com perda significativa de qualidade de vida e de autonomia. As flutuações de humor, de energia e de níveis de atividade interferem com todas as tarefas quotidianas.

A doença bipolar é diferente das normais flutuações nas emoções e humor que ocorrem ao longo do tempo. Nesta enfermidade os sintomas são mais graves, prejudicam o relacionamento, o desempenho escolar e no trabalho e podem conduzir ao suicídio. Apesar de tudo, pode ser tratada e é compatível com uma vida longa e produtiva.

Com frequência, inicia-se na adolescência ou na fase de adulto jovem. Metade dos casos manifesta-se pela primeira vez antes dos 25 anos de idade. Contudo, pode começar mais cedo ou em fases mais tardias da vida.

Estima-se que cerca de 2% da população sofra desta doença, numa percentagem idêntica em ambos os géneros, atingindo os 4% a 12% se incluídas outras doenças do espectro bipolar. Enquanto que doença bipolar do Tipo I afeta homens e mulheres de forma semelhante, a do Tipo II é mais comum em mulheres. Alguns elementos disponíveis relativos à realidade nacional estimam que existam cerca de 200 mil casos de doença bipolar em Portugal.

Os períodos de mania caracterizam-se por humor eufórico ou irritável, aumento da autoestima, diminuição da necessidade de dormir, aceleração do pensamento e/ou do discurso, intensificação da energia e maior envolvimento em atividades aprazíveis (gastos excessivos, desinibição sexual…), que são suficientemente graves para provocar uma degradação social e no trabalho. Em alguns casos podem ocorrer sintomas psicóticos, como alucinações ou ideias delirantes.

A hipomania exibe critérios similares, mas em menor número, intensidade e, por vezes, de menor duração, não existindo indícios psicóticos nem deterioração social e laboral.

Os episódios mistos exigem a existência de sintomas depressivos e maníacos simultaneamente.

O primeiro episódio da doença ocorre tipicamente na 2.ª ou 3.ª décadas de vida, podendo contudo manifestar-se em qualquer idade.

A sua causa ainda não está plenamente estudada. Parecem existir fatores biológicos e psicossociais. Entre os primeiros, destacam-se os genéticos (maior risco de doença em pacientes que tenham familiares de primeiro grau com PB), neuroquímicos (dopamina, noradrenalina, serotonina, GABA, glutamato, acetilcolina), hormonais (alterações nos eixos hipotálamo – hipófise – suprarenal e hipotálamo – hipófise – tiroide) e neuroanatómicos (alterações estruturais e funcionais inespecíficas nos cérebros destes doentes). Fatores psicossociais como acontecimentos de vida geradores de stress também parecem influenciar o aparecimento da PB e futuras recaídas.

Do ponto de vista diagnóstico, a PB subdivide-se em Tipo I (PB I) e II (PB II), sendo o primeiro caracterizado pela ocorrência de pelo menos um episódio maníaco ou misto e o segundo pela ocorrência de pelo menos um episódio hipomaníaco (sem episódios maníacos ou mistos).

O seu diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento correto e para um bom prognóstico. Ele baseia-se na colheita minuciosa da história clínica do paciente, com realização de exames complementares de diagnóstico (entrevista devidamente orientada e exames laboratoriais), importantes para excluir outras patologias. Compete ao psiquiatra proceder à avaliação destes casos e confirmar, ou não, o diagnóstico.

De um modo geral, um doente bipolar procura ajuda mais facilmente na fase depressiva do que na de mania.

A PB deve tratar-se a longo prazo. Existem duas fases no tratamento: a fase aguda (maníaca, hipomaníaca, depressiva, mista) e a fase de manutenção. A terapêutica é fundamentalmente farmacológica. Os medicamentos estabilizadores do humor conseguem, de facto, controlar a doença, diminuindo a probabilidade de recaídas, tanto das crises de depressão como de mania. Podem ainda ser utilizados antidepressivos ou antipsicóticos, devendo a seleção do tratamento ser sempre feita pelo médico. Pode também associar-se psicoeducação e terapia cognitivo-comportamental, além de apoio psicológico individual e familiar. As crises mais graves tendem a implicar internamento hospitalar.

Não existe um método específico para prevenir a perturbação bipolar. Como sua causa exata ainda não foi determinada, é especialmente importante conhecer seus sintomas e procurar intervenção precoce. O uso regular e contínuo dos medicamentos prescritos pelos médicos especialistas pode ajudar a controlar episódios de mania e de depressão.

Fontes:

Cleveland Clinic

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