Cólera

O que é?
Sintomas
Causas
Diagnóstico
Tratamento
Prevenção

Trata-se de uma infeção do intestino delgado causada por uma bactéria (Vibrio Cholerae). Esta é capaz de produzir uma toxina que o estimula a segregar grandes quantidades de um líquido rico em sais e minerais, causando diarreias muito graves.

É uma forma de diarreia infecciosa aguda que, se não for tratada, pode causar a morte em poucas horas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que, em cada ano, ocorram três a cinco milhões de casos de cólera, causando entre cem mil a duzentas mil mortes.

Esta doença transmite-se através da ingestão de água, mariscos ou outros alimentos contaminados pelos excrementos de pessoas infetadas. Surge, habitualmente, em determinadas zonas da Ásia, Médio Oriente, África e América Latina, ocorrendo os surtos nos meses de calor. A incidência é mais elevada entre  as crianças.

A infeção pode ser causada por outras espécies da bactéria Vibrio. Neste cenário, a diarreia costuma ser muito menos grave do que a da cólera.

Em cerca de 75% a 80% dos casos não ocorrem quaisquer sintomas, embora a bactéria esteja presente nas fezes durante sete a 14 dias após a infeção. Por isso, as pessoas infetadas e sem sintomas podem ser uma fonte de contágio para os outros. Nos restantes casos, ocorre uma diarreia aquosa aguda e muito intensa que pode provocar um quadro grave de desidratação que, sem tratamento, pode ser fatal.

Os sintomas de cólera iniciam-se, em média, um a três dias após a infeção. A diarreia é habitualmente súbita, indolor e aquosa e pode acompanhar-se de vómitos. Nos casos mais graves, as perdas de líquidos podem ser de um litro por hora, embora como regra a quantidade perdida seja muito menor. Noutros, a grande diminuição de água e sal provoca uma desidratação acentuada, com sede intensa, cãibras musculares, debilidade e uma produção mínima de urina. A perda de líquidos nos tecidos causa um quadro com olhos muito encovados e com a pele das extremidades muito enrugada. Se não for tratado, os graves desequilíbrios no volume sanguíneo e a maior concentração de sais podem conduzir a insuficiência renal, choque e coma.

Os sintomas costumam desaparecer ao fim de três a seis dias. Os indivíduos afetados libertam-se, geralmente, do microrganismo em duas semanas, mas alguns convertem-se em portadores permanentes.

Trata-se de uma infeção do intestino delgado causada pela Vibrio Cholerae ou por outras espécies da mesma bactéria. Como são sensíveis ao ácido clorídrico do estômago, as pessoas com deficiência deste ácido são mais suscetíveis à doença. Aqueles que vivem em zonas onde a cólera é endémica tendem a desenvolver gradualmente uma imunidade natural contra a infeção.

O diagnóstico é feito pela história clínica e pelo exame médico, sendo confirmado laboratorialmente pelo isolamento da bactéria em amostras de líquido provenientes do reto ou das fezes.

Cerca de 80% dos casos de cólera podem ser tratados de modo eficaz recorrendo apenas à reidratação oral. Nos doentes gravemente desidratados que não podem beber, recorre-se à administração de líquidos por via endovenosa. O objetivo é restituir a quantidade de líquidos perdidos através da diarreia e dos vómitos. Assim que este quadro desaparecer, é permitida a ingestão de alimentos sólidos.

O tratamento precoce com tetraciclina ou outro antibiótico elimina as bactérias e costuma interromper a diarreia em 48 horas. Se estas medidas forem rapidamente aplicadas, a mortalidade é inferior a 1%. Caso contrário, pode ultrapassar os 50%.

O fornecimento de água potável e um correto saneamento básico são essenciais para prevenir a cólera e outras doenças que sejam transmitidas pela água. As vacinas orais são uma medida adicional de controlo.

A purificação dos abastecimentos e a correta eliminação dos excrementos humanos revelam-se essenciais para controlar esta doença. Outras precauções devem incluir a utilização de água fervida e a não ingestão de legumes crus ou peixe e mariscos mal cozinhados. É igualmente importante a lavagem frequente das mãos, o consumo de água engarrafada e dar preferência à fruta descascada.

Fontes

Manual Merck Online, 2014

Organização Mundial da Saúde, Fevereiro de 2014

Mayo Foundation for Medical Education and Research, Abril de 2014

Centers for Disease Control and Prevention, Julho de 2013