O que é?
Prevenção
Fatores de Risco
Sintomas
A quem me devo dirigir?

O cancro do testículo é o cancro mais comum dos homens entre os 15 e os 35 anos e é responsável por 1% do cancro do homem. O cancro do testículo pode aparecer no tecido de um ou ambos os testículos. Embora sem razão conhecida é muito mais comum em indivíduos de raça caucasiana do que de outras raças e a sua incidência tem vindo a aumentar.

O cancro do testículo é um dos tumores onde é possível obter uma elevada taxa de cura, mesmo em estadio avançado.

Não existem estratégias de prevenção para o cancro do testículo, nem estão instituídas práticas de prevenção e diagnóstico precoce do mesmo.

Deverá estar atento a eventuais sintomas e consultar o seu médico, caso os mesmos se apresentem.

Qualquer comportamento ou condição que aumenta o seu risco de ter uma doença é um factor de risco. Se um ou mais factores de risco se aplicarem a si, não quer dizer que desenvolverá necessariamente cancro do testículo. Da mesma forma, o cancro do testículo pode aparecer em homens que não apresentem factores de risco conhecidos.

Ainda não foi possível encontrar as causas para o cancro do testículo, mas alguns factores de risco são conhecidos.

Os principais factores de risco são os seguintes:

  • Testículo que não desceu para dentro do escroto;
  • História de cancro do outro testículo;
  • Antecedentes familiares de cancro do testículo;
  • História de malformações testiculares;
  • Exposição a um subproduto do pesticida DDT.

Os sintomas de cancro do testículo não são exclusivos, podem aparecer noutras doenças. O facto de ter um ou mais dos sintomas aqui descritos não significa que tem cancro do testículo.


Deverá estar atento e consultar o seu médico se tiver os seguintes sintomas:

  • Uma massa indolor, inchaço, acumulação de líquido ou desconforto no escroto;
  • Uma dor na região pélvica ou na virilha.

Em caso de suspeita de cancro, devido a sintomas ou a um exame complementar de diagnóstico que apresente uma alteração, poderá consultar um Urologista, ou em alternativa, menos habitual, um Oncologista.

 

Se precisar de ajuda poderá também contactar um dos nossos gestores oncológicos.

Tumores Urológicos

Subtipos de cancro do testículo

Quase todos os cancros do testículo começam nas células germinativas. Há dois tipos de cancro do testículo:
 

Seminomas - estes cancros têm origem nas células que produzem os espermatozóides;
 

Não seminomas - estes cancros têm origem noutras células do testículo. Estes cancros são frequentemente epiteliais, daí chamarem-se não seminomas e serem em geral carcinomas. Podem ser carcinomas embrionários ou do saco vitelino, ou coriocarcinomas. Podem ainda ser teratomas, que não são epiteliais.


Estes dois tipos de tumores crescem e disseminam de forma diferente e são tratados de forma distinta.

Os não seminomas têm tendência a crescer e disseminar mais depressa que os seminomas. Os seminomas são mais sensíveis à radioterapia.
 

Um cancro do testículo com componente de seminoma e também de não seminoma é tratado como cancro do testículo não seminoma.

    Diagnóstico e Estadiamento
    Diagnóstico

    Para efectuar o diagnóstico do cancro do testículo, são habitualmente efectuados os seguintes exames:

    • Colheita da história clínica e realização de exame físico com exame mais detalhado dos gânglios e dos testículos;

     

    • Ecografia do testículo;

     

    • Avaliação da presença de marcadores tumorais no soro: os marcadores tumorais ajudam os médicos a perceber como se está a comportar a doença, quer durante o tratamento como durante o seguimento. Nem todos os cancros produzem substâncias que podemos detectar no sangue, mas no caso do cancro do testículo há três substâncias que servem de marcadores tumorais: a alfa fetoproteína (αFP), a gonadotrofina coriónica (βHCG) e a desidrogenase lática (LDH);

     

    • Cirurgia para remoção do testículo - este procedimento cirúrgico chama-se orquidectomia radical inguinal e consiste na remoção do testículo através de uma incisão na virilha. Não deve ser feita uma incisão através do escroto para colher uma biópsia.

    O material colhido na cirurgia é analisado posteriormente pela Anatomia Patológica ao microscópio e são avaliadas as células. Só a avaliação das células permite estabelecer o diagnóstico de cancro do testículo,

    Estadiamento

    O estadiamento é o processo pelo qual nos certificamos se as células do cancro se espalharam para outras estruturas próximas ou mais distantes. A informação obtida pelo processo de estadiamento determina o estadio da doença, fundamental para o tratamento poder ser planeado.

    Ao confirmar-se o diagnóstico de cancro do testículo, o passo seguinte consiste em proceder ao estadiamento da doença através de exames imagiológicos como a ressonância magnética e a TAC para verificar a extensão da mesma. Podem ser solicitados ainda exames como PET, ou procedimentos de estadiamento como a laparoscopia exploratória.

     

    Com base nos exames efectuados, o estadiamento do cancro do testículo pode ser classificado da seguinte forma:

    Estadio 0 - As células de cancro encontram-se ainda dentro dos tubulos onde os espermatozóides se formam. Chama-se e este cancro carcinoma in situ, porque está no seu sítio de origem;

    Estadio I - O cancro pode já estar no cordão espermático e escroto assim como nos vasos sanguíneos e linfáticos do testículo;

    Estadio II - O cancro disseminou-se pelos gânglios linfáticos da cavidade abdominal mas o marcador tumoral apresenta valores normais;

    Estadio III - Cancro com disseminação aos pulmões e marcador tumoral elevado.

    Tratamento
    Tendo em conta o estadiamento

    O cancro do testículo é curável, especialmente quando detectado precocemente.


    Algumas variáveis afectam o prognóstico do cancro do testículo, além do estadio da doença, nomeadamente:

    • Os níveis de alfa fetoproteína (αFP) a gonadotrofina coriónica (βHCG) e a desidrogenase lática (LDH)
    • O subtipo de tumor
    • A dimensão do tumor
    • O tamanho dos gânglios linfáticos retroperitoneais

     

    Tratamentos disponíveis

    • Orquidectomia radical
    • Orquidectomia parcial
    • Linfadenectomia retroperitoneal
    • Quimioterapia
    • Radioterapia externa
    • Radiocirurgia robótica - CyberKnife

     

    Com base no estadiamento do cancro do testículo, é possível determinar o tratamento mais adequado:


    Estadio I – neste estadio o tratamento consiste na cirurgia de remoção do testículo, seguida de radioterapia na região dos gânglios linfáticos (no caso de se tratar de um seminoma) ou quimioterapia;

    Estadio II – neste estadio o tratamento consiste na cirurgia de remoção do testículo e dos gânglios linfáticos intra-abdominais envolvidos, seguida de radioterapia na região dos gânglios linfáticos (no caso de se tratar de um seminoma) ou quimioterapia com múltiplos fármacos;

    Estadio III – neste estadio o tratamento consiste na cirurgia de remoção do testículo e dos gânglios linfáticos intra-abdominais envolvidos, seguida de quimioterapia com múltiplos fármacos. Poderá ser realizada nova cirurgia para remoção de doença que eventualmente persista após estes tratamentos, seguida de quimioterapia.

     

    Nos estadios I e II, poderá discutir com o seu médico realizar apenas um follow-up apertado da doença, caso seja a sua vontade e as condições da doença o permitam.


    O tratamento do tumor do testículo pode causar infertilidade. A infertilidade pode ser permanente, portanto deve ser considerada a preservação de esperma antes de iniciar o tratamento do cancro do testículo.

    Follow up

    Os doentes que tiveram cancro do testículo poderão ser seguidos pelo oncologista ou pelo cirurgião no caso de terem sido operados.

    Os exames de follow-up incluirão uma avaliação mensal ou trimestral dos marcadores tumorais, consoante o seu risco, bem como tomografia computadorizada (TAC).

    Cancro do testículo em números
    15-35 anos
    + frequente
    Doenças relacionadas